Executivos das empresas da linha de frente para o desenvolvimento do etanol celulósico no Brasil e na Europa esclarecem como a promessa do etanol celulósico está se tornando realidadeQual o rendimento esperado em litros por tonelada de celulose? Palha ou bagaço para produzir o etanol celulósico? Quem mais está investindo na cana-energia pelo mundo? Como funciona o pré-tratamento da biomassa? Como estão os planos para as futuras usinas da GranBio? Como está a corrida para o desenvolvimento da cana-energia? Estas são algumas das questões que os executivos do CTC, Novozymes, Clariant, GranBio e Beta Renewables responderam.

Qual o rendimento esperado em litros por tonelada de celulose? Palha ou bagaço para produzir o etanol celulósico? Quem mais está investindo na cana-energia pelo mundo? Como funciona o pré-tratamento da biomassa? Como estão os planos para as futuras usinas da GranBio? Como está a corrida para o desenvolvimento da cana-energia? Estas são algumas das questões respondidas no final de junho, durante o debate do Ethanol Summit que reuniu alguns dos principais atores mundiais na corrida pelo etanol celulósico.
Representantes de empresas brasileiras e europeias apresentaram seus planos para chegar à frente na corrida pela obtenção de combustível da biomassa. A pioneira mundial Beta Renewables, do grupo italiano Mossi & Ghisolfi, foi representada pelo presidente da companhia, Guido Ghisolfi. Bernardo Gradin, presidente da GranBio, representou a indústria nacional junto com Robson Freitas, diretor de negócios e de novas tecnologias do CTC.
As desenvolvedoras de biotecnologias que disputam o mercado de enzimas para o etanol de segunda geração também participaram do debate, com o vice-presidente para desenvolvimento de negócios da Novozymes, Thomas Videbaek, e o diretor de biocombustíveis e derivados da Clariant, Markus Rarbach.
Confira abaixo as perguntas e respostas do debate "Etanol Celulósico: Evoluções e Perspectivas" no Ethanol Summit.
Qual a opinião da GranBio sobre recolhimento de palha para o etanol de segunda geração? Vamos recolher palha ou produzir etanol 2G apenas de bagaço?
Bernardo Gradin, GranBio – O custo de matéria-prima vai ser a vantagem competitiva brasileira inegável, mas tem uma série de desafios para colher a palha e o bagaço remanescentes que não são usados para gerar energia, assim como para encontrar novas fontes de geração de bagaço, como é a nossa aposta em cana-energia. Temos dividido hoje este desafio com Carver, New Holland e KBR, entre outros parceiros que têm feito isso em outros lugares do mundo e buscado modelos associativos para implementar a captura de resíduos.
A nossa expectativa é de recolhimento de 55% da palha que fica no campo, mas só a palha não é suficiente para o volume de conversão em escala comercial, pois as áreas são muito grandes e o raio de transporte e logística, e ainda o tratamento das impurezas, vão tornando essa matéria-prima cara. Em outras palavras, a palha é dos componentes, o bagaço residual é outro e acredito que a cana-energia vai ser cada vez mais fundamental para que esta equação feche em um raio logístico menor e numa solução de matéria-prima abaixo de US$ 25,00 a tonelada, que é o nosso objetivo.
Há diversos desenvolvedores de tecnologia. Não é um pouco confuso hoje para o mercado selecionar quais as tecnologias que serão vencedoras? A Novozymes tem o papel de fornecer seus produtos para os clientes em potencial, mas quantos desses clientes chegarão lá?
Thomas Videbaek, Novozymes – Vemos na Novozymes que haverá uma série de tecnologias. Nesta área, não há uma única resposta para todos, tudo depende do pré-processamento e daquilo se quer fazer com seus açúcares, se é etanol ou algum produto químico, e depende muito de onde vem o açúcar e que tipo de matéria-prima é utilizada. Não há soluções mágicas. Haverá diferentes rotas no mercado e nós estamos trabalhando com um número de tecnologias que achamos muito interessantes. Certamente haverá muitas no mercado, mas não haverá uma bala de prata que seja uma solução para tudo, depende da matéria-prima, depende do processo e do que se quer fazer com os açúcares depois.
Chegar em 2020 produzindo um bilhão de litros é uma meta ambiciosa. Como andam as possibilidades, além da primeira unidade, para as outras nove usinas e em que partes do Brasil elas seriam instaladas?
Gradin, GranBio – Temos a expectativa de fazer novas usinas no nordeste, porque o modelo tributário brasileiro hoje facilita a inserção e a integração de usinas no nordeste mais eficientemente do que no eixo sudeste. Temos projetos em andamento e posso dizer que temos 26 memorandos de entendimento assinados com parceiros que desejam, ao longo dos próximos dez anos, construir unidades de segunda geração.
Já avançamos em diligência à proficiência energética em seis dos 26 e estamos começando uma segunda fase no segundo semestre. Há premissas para adesão ao projeto, como estrutura de capital, eficiência energética não só do ponto de vista de troca de vapor, mas de palha e bagaço disponível, além da expectativa de trazer a cana-energia como uma nova fonte de matéria-prima.
Mas estamos confortáveis em já anunciar uma segunda planta no final do ano e a partir do próximo ano, pelos menos duas plantas por ano. Então, a meta de chegar a um bilhão de litros, por mais ambicioso que possa soar, é mais fácil do que era há dois anos colocar a primeira planta de pé no primeiro trimestre do próximo ano.
Como o CTC está na corrida para cana-energia?
Robson Freitas, CTC - O CTC tem um programa para o desenvolvimento de cana-energia, mas que ainda está bastante no início. Meu colega William Burnquist é o responsável pela área de melhoramento genético do CTC, com o desenvolvimento de novas variedades. Não é minha área, mas o que eu entendo é que o programa de cana-energia está no início ainda, mas existe esse plano do desenvolvimento de cana-energia.
Além do CTC e da GranBio, há iniciativas de empresas investindo no desenvolvimento de cana-energia?
Gradin, GranBio – Tem uma iniciativa de uma empresa paulista chamada Lignis, que investe em cana-energia. Além disso, a Ridesa, em Alagoas, primeiro em uma iniciativa conjunta com a GranBio, desenvolveu um polo de cruzamento e desenvolvimento de cana-energia e algumas usinas em Alagoas já estão experimentando plantar cana-energia na próxima safra, ainda em escala experimental. Mas este não é um movimento de uma ou duas empresas. Não só os centros de pesquisa começam a ver a cana-energia como uma realidade, como alguns produtores já aceitam a probabilidade do potencial que a cana-energia oferece. Nos Estados Unidos há outras iniciativas, a BP [British Petroleum] tem uma iniciativa grande na Flórida, há iniciativas também no Havaí, e em Barbados, em menor dimensão, a cana-energia já é plantada há mais de dez anos.
Como a Beta Renewables avalia a incerteza em torno do mandato para etanol celulósico e os biocombustíveis?
Ghisolfi, Beta Renewables – Isso nunca é bom. Mas estou feliz em dizer que o Brasil teve uma visão de longo prazo e adotou as políticas certas para o etanol há muitos anos atrás. Hoje o etanol é competitivo com a gasolina, por vezes contra o preço muito barato da gasolina, e a indústria está sobrevivendo no Brasil sem um mandato. Eu acho que as companhias estão dizendo: nós estamos começando e dentro de poucos anos temos que ser competitivos, então nos preocupamos que com mandatos eles tirem a cadeira debaixo de nós e nós temos que ser competitivos, portanto é irrelevante o vai acontecer amanhã de manhã. Estamos falando da possibilidade do Brasil dobrar sua capacidade: 50% no açúcar e 50% na celulose. Com o tamanho do Brasil, fazer 20 bilhões de litros de etanol celulósico, vocês acham que isso tem que ser uma preocupação para o senado americano? Não. Vocês vão ser competitivos com ou sem políticas. Certas políticas não ajudam é claro, mas vocês não ouvirão nossos concorrentes dizer que estão desistindo porque se preocupamos com políticas. Nós resistimos porque achamos que somos mais fortes do que as políticas.
O grupo Carlos Lyra manterá em funcionamento simultaneamente as plantas de primeiras e de segunda geração? Essa associação entre primeira e segunda geração pode contribuir para que o etanol seja ainda mais competitivo como mix final de produção?
Gradin, GranBio – Sem dúvida. O modelo da GranBio é todo associativo entre primeira e segunda geração. Esperamos que a primeira geração rode melhor com a segunda geração acoplada a ela: por mais tempo, cogerando com mais eficiência e depreciando ativos de forma melhor. Há muita sinergia que vai desde o uso de vapor, cogeração, tancagem, tratamento de efluentes. Portanto, o modelo faz sentido por ser associativo. O modelo que estamos buscando é um modelo onde replicar a planta de Alagoas aconteça por iniciativa das usinas de primeira geração, porque além de agregar valor ao ativo existente, aumenta a produção de etanol a partir de um resíduo. A criação de valor faz sentido quando é para todo mundo e como o modelo de associação é de longo prazo, faria pouco sentido fazer uma proposta a uma usina de primeira geração para que ela fechasse. Pelo contrário, a expectativa é de que ela já comece a produzir on-site, combinado com a segunda geração, pelo menos 45% de etanol a mais do que a capacidade existente e potencialmente em alguns casos mais. Esse potencial maior vai acontecer na medida em que o custo da matéria-prima, não só a alternativa de palha, mas cana-energia, baixar. Talvez tenha faltado falar que o desafio que nós temos no Brasil deixou de ser o modelo de apostas no financiamento de longo prazo. Finep e BNDES têm feito um trabalho excepcional em oferecer iniciativas, desde o Paiss até as demais iniciativas que a Finep oferece hoje para pesquisas e projetos de inovação em tecnologia originais. Temos ouvido muito que hoje existe um apetite de bancos comerciais por apoiar um setor que está em estresse financeiro a reduzir a alavancagem através de investimento de segunda geração, com o nosso balanço ou com o balanço de terceiros. Então um modelo associativo que não só gera etanol, mas cria riqueza e reduz a alavancagem de um setor que está bem endividado.
Além disso, a gente precisa avançar nas políticas públicas que incentivem o investimento direto em etanol de segunda geração e as políticas que garantam proteção de direito proprietário, aceleração da aprovação de microrganismo geneticamente modificados e aceleração da regulamentação do etanol celulósico no Brasil.
Quais são os rendimentos em litros por tonelada de celulose esperados para cada uma das tecnologias apresentadas na mesa?
Freitas, CTC – A tecnologia do CTC pretende iniciar o processo de segunda geração somente com a fermentação das moléculas de seis carbonos e não com as moléculas de cinco carbonos, isso faz com que ela entre no mercado em 2018 com aproximadamente 30% de produção adicional de etanol com a mesma cana já plantada na primeira geração. Mas, como o Bernardo [Gradin] disse, ela chega a 45%, eventualmente próximo a 50%, no momento em que estiver fermentando também as moléculas de cinco carbonos.
Rarbach, Clariant – Nós fazemos a cofermentação de C5 e C6 e os rendimentos típicos para o bagaço e palha da cana é de 210 a 220 litros a mais por tonelada.
Ghisolfi, Beta Renewables – Eu confirmo isso, ainda que nós tenhamos tecnologias diferentes e não sejamos nem amigos; somos bons concorrentes.
Como funciona o pré-tratamento da matéria-prima?
Guido Ghisolfi, Beta Renewables – Quando nós falamos de smart cooking, que é o cozimento inteligente, estamos tratando a biomassa de tal forma a deixar espaço suficiente para que as enzimas entrem nas bainhas de lignina. Há uma grande diferença para aquilo que a literatura define como "explosão de vapor". O nosso processo dura poucos minutos em uma baixa temperatura de propósito, extraímos o açúcar como devemos, de forma neutra e não há o acréscimo de produtos químicos, portanto, logo em seguida a fermentação e a hidrólise se tornam mais fáceis. É uma escolha. Há outras tecnologias que são mais agressivas e precisam de mais açúcares e, por vezes, isso é uma escolha importante. Nós decidimos pela baixa temperatura, baixa extração de açúcar, mas açúcares muito bons para fermentar.
Markus Rarbach, Clariant – É difícil dar detalhes tecnológicos, mas estamos seguindo um conceito de que o pré-tratamento é o que precisamos, não podemos afetar a eficiência das enzimas. O pré-tratamento aumenta a superfície para que as enzimas funcionem e se liguem a ela. O processo catalítico deve ser feito pelas enzimas, isso é chave.
Amanda SchArr - NovaCana

Qual o rendimento esperado em litros por tonelada de celulose? Palha ou bagaço para produzir o etanol celulósico? Quem mais está investindo na cana-energia pelo mundo? Como funciona o pré-tratamento da biomassa? Como estão os planos para as futuras usinas da GranBio? Como está a corrida para o desenvolvimento da cana-energia? Estas são algumas das questões respondidas no final de junho, durante o debate do Ethanol Summit que reuniu alguns dos principais atores mundiais na corrida pelo etanol celulósico.
Representantes de empresas brasileiras e europeias apresentaram seus planos para chegar à frente na corrida pela obtenção de combustível da biomassa. A pioneira mundial Beta Renewables, do grupo italiano Mossi & Ghisolfi, foi representada pelo presidente da companhia, Guido Ghisolfi. Bernardo Gradin, presidente da GranBio, representou a indústria nacional junto com Robson Freitas, diretor de negócios e de novas tecnologias do CTC.
As desenvolvedoras de biotecnologias que disputam o mercado de enzimas para o etanol de segunda geração também participaram do debate, com o vice-presidente para desenvolvimento de negócios da Novozymes, Thomas Videbaek, e o diretor de biocombustíveis e derivados da Clariant, Markus Rarbach.
Confira abaixo as perguntas e respostas do debate "Etanol Celulósico: Evoluções e Perspectivas" no Ethanol Summit.
Qual a opinião da GranBio sobre recolhimento de palha para o etanol de segunda geração? Vamos recolher palha ou produzir etanol 2G apenas de bagaço?
Bernardo Gradin, GranBio – O custo de matéria-prima vai ser a vantagem competitiva brasileira inegável, mas tem uma série de desafios para colher a palha e o bagaço remanescentes que não são usados para gerar energia, assim como para encontrar novas fontes de geração de bagaço, como é a nossa aposta em cana-energia. Temos dividido hoje este desafio com Carver, New Holland e KBR, entre outros parceiros que têm feito isso em outros lugares do mundo e buscado modelos associativos para implementar a captura de resíduos.
A nossa expectativa é de recolhimento de 55% da palha que fica no campo, mas só a palha não é suficiente para o volume de conversão em escala comercial, pois as áreas são muito grandes e o raio de transporte e logística, e ainda o tratamento das impurezas, vão tornando essa matéria-prima cara. Em outras palavras, a palha é dos componentes, o bagaço residual é outro e acredito que a cana-energia vai ser cada vez mais fundamental para que esta equação feche em um raio logístico menor e numa solução de matéria-prima abaixo de US$ 25,00 a tonelada, que é o nosso objetivo.
Há diversos desenvolvedores de tecnologia. Não é um pouco confuso hoje para o mercado selecionar quais as tecnologias que serão vencedoras? A Novozymes tem o papel de fornecer seus produtos para os clientes em potencial, mas quantos desses clientes chegarão lá?
Thomas Videbaek, Novozymes – Vemos na Novozymes que haverá uma série de tecnologias. Nesta área, não há uma única resposta para todos, tudo depende do pré-processamento e daquilo se quer fazer com seus açúcares, se é etanol ou algum produto químico, e depende muito de onde vem o açúcar e que tipo de matéria-prima é utilizada. Não há soluções mágicas. Haverá diferentes rotas no mercado e nós estamos trabalhando com um número de tecnologias que achamos muito interessantes. Certamente haverá muitas no mercado, mas não haverá uma bala de prata que seja uma solução para tudo, depende da matéria-prima, depende do processo e do que se quer fazer com os açúcares depois.
Chegar em 2020 produzindo um bilhão de litros é uma meta ambiciosa. Como andam as possibilidades, além da primeira unidade, para as outras nove usinas e em que partes do Brasil elas seriam instaladas?
Gradin, GranBio – Temos a expectativa de fazer novas usinas no nordeste, porque o modelo tributário brasileiro hoje facilita a inserção e a integração de usinas no nordeste mais eficientemente do que no eixo sudeste. Temos projetos em andamento e posso dizer que temos 26 memorandos de entendimento assinados com parceiros que desejam, ao longo dos próximos dez anos, construir unidades de segunda geração.
Já avançamos em diligência à proficiência energética em seis dos 26 e estamos começando uma segunda fase no segundo semestre. Há premissas para adesão ao projeto, como estrutura de capital, eficiência energética não só do ponto de vista de troca de vapor, mas de palha e bagaço disponível, além da expectativa de trazer a cana-energia como uma nova fonte de matéria-prima.
Mas estamos confortáveis em já anunciar uma segunda planta no final do ano e a partir do próximo ano, pelos menos duas plantas por ano. Então, a meta de chegar a um bilhão de litros, por mais ambicioso que possa soar, é mais fácil do que era há dois anos colocar a primeira planta de pé no primeiro trimestre do próximo ano.
Como o CTC está na corrida para cana-energia?
Robson Freitas, CTC - O CTC tem um programa para o desenvolvimento de cana-energia, mas que ainda está bastante no início. Meu colega William Burnquist é o responsável pela área de melhoramento genético do CTC, com o desenvolvimento de novas variedades. Não é minha área, mas o que eu entendo é que o programa de cana-energia está no início ainda, mas existe esse plano do desenvolvimento de cana-energia.
Além do CTC e da GranBio, há iniciativas de empresas investindo no desenvolvimento de cana-energia?
Gradin, GranBio – Tem uma iniciativa de uma empresa paulista chamada Lignis, que investe em cana-energia. Além disso, a Ridesa, em Alagoas, primeiro em uma iniciativa conjunta com a GranBio, desenvolveu um polo de cruzamento e desenvolvimento de cana-energia e algumas usinas em Alagoas já estão experimentando plantar cana-energia na próxima safra, ainda em escala experimental. Mas este não é um movimento de uma ou duas empresas. Não só os centros de pesquisa começam a ver a cana-energia como uma realidade, como alguns produtores já aceitam a probabilidade do potencial que a cana-energia oferece. Nos Estados Unidos há outras iniciativas, a BP [British Petroleum] tem uma iniciativa grande na Flórida, há iniciativas também no Havaí, e em Barbados, em menor dimensão, a cana-energia já é plantada há mais de dez anos.
Como a Beta Renewables avalia a incerteza em torno do mandato para etanol celulósico e os biocombustíveis?
Ghisolfi, Beta Renewables – Isso nunca é bom. Mas estou feliz em dizer que o Brasil teve uma visão de longo prazo e adotou as políticas certas para o etanol há muitos anos atrás. Hoje o etanol é competitivo com a gasolina, por vezes contra o preço muito barato da gasolina, e a indústria está sobrevivendo no Brasil sem um mandato. Eu acho que as companhias estão dizendo: nós estamos começando e dentro de poucos anos temos que ser competitivos, então nos preocupamos que com mandatos eles tirem a cadeira debaixo de nós e nós temos que ser competitivos, portanto é irrelevante o vai acontecer amanhã de manhã. Estamos falando da possibilidade do Brasil dobrar sua capacidade: 50% no açúcar e 50% na celulose. Com o tamanho do Brasil, fazer 20 bilhões de litros de etanol celulósico, vocês acham que isso tem que ser uma preocupação para o senado americano? Não. Vocês vão ser competitivos com ou sem políticas. Certas políticas não ajudam é claro, mas vocês não ouvirão nossos concorrentes dizer que estão desistindo porque se preocupamos com políticas. Nós resistimos porque achamos que somos mais fortes do que as políticas.
O grupo Carlos Lyra manterá em funcionamento simultaneamente as plantas de primeiras e de segunda geração? Essa associação entre primeira e segunda geração pode contribuir para que o etanol seja ainda mais competitivo como mix final de produção?
Gradin, GranBio – Sem dúvida. O modelo da GranBio é todo associativo entre primeira e segunda geração. Esperamos que a primeira geração rode melhor com a segunda geração acoplada a ela: por mais tempo, cogerando com mais eficiência e depreciando ativos de forma melhor. Há muita sinergia que vai desde o uso de vapor, cogeração, tancagem, tratamento de efluentes. Portanto, o modelo faz sentido por ser associativo. O modelo que estamos buscando é um modelo onde replicar a planta de Alagoas aconteça por iniciativa das usinas de primeira geração, porque além de agregar valor ao ativo existente, aumenta a produção de etanol a partir de um resíduo. A criação de valor faz sentido quando é para todo mundo e como o modelo de associação é de longo prazo, faria pouco sentido fazer uma proposta a uma usina de primeira geração para que ela fechasse. Pelo contrário, a expectativa é de que ela já comece a produzir on-site, combinado com a segunda geração, pelo menos 45% de etanol a mais do que a capacidade existente e potencialmente em alguns casos mais. Esse potencial maior vai acontecer na medida em que o custo da matéria-prima, não só a alternativa de palha, mas cana-energia, baixar. Talvez tenha faltado falar que o desafio que nós temos no Brasil deixou de ser o modelo de apostas no financiamento de longo prazo. Finep e BNDES têm feito um trabalho excepcional em oferecer iniciativas, desde o Paiss até as demais iniciativas que a Finep oferece hoje para pesquisas e projetos de inovação em tecnologia originais. Temos ouvido muito que hoje existe um apetite de bancos comerciais por apoiar um setor que está em estresse financeiro a reduzir a alavancagem através de investimento de segunda geração, com o nosso balanço ou com o balanço de terceiros. Então um modelo associativo que não só gera etanol, mas cria riqueza e reduz a alavancagem de um setor que está bem endividado.
Além disso, a gente precisa avançar nas políticas públicas que incentivem o investimento direto em etanol de segunda geração e as políticas que garantam proteção de direito proprietário, aceleração da aprovação de microrganismo geneticamente modificados e aceleração da regulamentação do etanol celulósico no Brasil.
Quais são os rendimentos em litros por tonelada de celulose esperados para cada uma das tecnologias apresentadas na mesa?
Freitas, CTC – A tecnologia do CTC pretende iniciar o processo de segunda geração somente com a fermentação das moléculas de seis carbonos e não com as moléculas de cinco carbonos, isso faz com que ela entre no mercado em 2018 com aproximadamente 30% de produção adicional de etanol com a mesma cana já plantada na primeira geração. Mas, como o Bernardo [Gradin] disse, ela chega a 45%, eventualmente próximo a 50%, no momento em que estiver fermentando também as moléculas de cinco carbonos.
Rarbach, Clariant – Nós fazemos a cofermentação de C5 e C6 e os rendimentos típicos para o bagaço e palha da cana é de 210 a 220 litros a mais por tonelada.
Ghisolfi, Beta Renewables – Eu confirmo isso, ainda que nós tenhamos tecnologias diferentes e não sejamos nem amigos; somos bons concorrentes.
Como funciona o pré-tratamento da matéria-prima?
Guido Ghisolfi, Beta Renewables – Quando nós falamos de smart cooking, que é o cozimento inteligente, estamos tratando a biomassa de tal forma a deixar espaço suficiente para que as enzimas entrem nas bainhas de lignina. Há uma grande diferença para aquilo que a literatura define como "explosão de vapor". O nosso processo dura poucos minutos em uma baixa temperatura de propósito, extraímos o açúcar como devemos, de forma neutra e não há o acréscimo de produtos químicos, portanto, logo em seguida a fermentação e a hidrólise se tornam mais fáceis. É uma escolha. Há outras tecnologias que são mais agressivas e precisam de mais açúcares e, por vezes, isso é uma escolha importante. Nós decidimos pela baixa temperatura, baixa extração de açúcar, mas açúcares muito bons para fermentar.
Markus Rarbach, Clariant – É difícil dar detalhes tecnológicos, mas estamos seguindo um conceito de que o pré-tratamento é o que precisamos, não podemos afetar a eficiência das enzimas. O pré-tratamento aumenta a superfície para que as enzimas funcionem e se liguem a ela. O processo catalítico deve ser feito pelas enzimas, isso é chave.
Amanda SchArr - NovaCana