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CTC usará dinheiro do BNDES para acelerar inovações na cana-de-açúcar

cana pesquisa ctc 060814Centro de pesquisa faz parte do grupo de 29 empresas inovadoras que receberão R$ 1,9 bilhão para fazer a cana ter salto tecnológico
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O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) é uma das seis tradicionais empresas sucroalcooleiras contempladas pelo Plano de Apoio à Inovação Tecnológica Agrícola do Setor Sucroenergético, o PAISS Agrícola.

Com três projetos aprovados em duas linhas temáticas, o centro faz parte do grupo de 29 empresas inovadoras que receberão R$ 1,9 bilhão de recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O portal NovaCana conversou com o gerente de planejamento estratégico e gestão de projetos do CTC, André Cabrera, que revela com exclusividade quais são as apostas do centro e como os recursos serão utilizados.

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) é uma das seis tradicionais empresas sucroalcooleiras contempladas pelo Plano de Apoio à Inovação Tecnológica Agrícola do Setor Sucroenergético, o PAISS Agrícola.

Com três projetos aprovados em duas linhas temáticas, o centro faz parte do grupo de 29 empresas inovadoras que receberão R$ 1,9 bilhão de recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Os três projetos aprovados buscam o mapeamento da cana através dos marcadores moleculares, o aproveitamento das pesquisas com sorgo e a ampliação do desenvolvimento de sementes artificiais.

"Temos trabalhado no melhoramento genético da cana, que é o nosso core business. Assim, pegamos o nosso programa [de desenvolvimento de novas variedades], que era de treze anos, e o transformamos em um de oito. Basicamente, adotamos o uso de novos procedimentos e ferramentas", diz o gerente de planejamento estratégico e gestão de projetos do CTC, André Cabrera.

Marcadores moleculares

Os marcadores moleculares da cana são ferramentas biotecnológicas que permitem reduzir os custos e o tempo de desenvolvimento de novas variedades de cana.

Com a aprovação do plano de negócios da empresa pelo BNDES e pela Finep, as pesquisas ganharão uma nova dimensão por meio de uma parceria com o Instituto de Química e o Departamento de Botânica da USP. "A USP já fez muita análise em cima do genoma da cana. Eles têm um bom e rico banco de dados. Agora, vamos aplicar estas informações ao nosso programa", adianta Cabrera.

Cabrera explica que o objetivo da parceria é diversificar o número de ferramentas a fim de "garantir o sucesso do nosso programa de melhoramento genético convencional". Como resultado deste investimento contínuo em novas ferramentas de biotecnologia, a empresa conseguiu reduzir o tempo de desenvolvimento de uma nova variedade, que passou de treze para oito anos. "Nossa meta é chegar a seis", adianta o gerente de planejamento do CTC.

"Quando tivermos todos os marcadores moleculares mapeados, poderemos pegar o pedaço de uma folha de cana, de uma variedade que já cruzamos, e identificar se ela é susceptível ou não a determinadas doenças, ou se ela tem ou não tem determinadas características. Estas características podem ser, por exemplo, adaptar-se melhor à uma região de seca, com poucas chuvas, ou à uma região que tenha muita umidade. A gente pode identificar aquilo que nos interessa", contextualiza.

Embora a espera pareça longa para o setor produtivo, ela deverá ser compensada por variedades mais resistentes e adaptadas às diferentes condições de clima e solo. "O desenvolvimento de tecnologia no ciclo de cana-de-açúcar tem um resultado que aparentemente demora muito. Mas se olharmos o que aconteceu nos últimos 10, 15 anos, veremos que estamos fazendo uma grande transformação", acredita Cabrera.

Processo acelerado

O CTC acredita que a utilização de marcadores moleculares será fundamental para aumentar a produtividade dos canaviais. O executivo não deu detalhes sobre quanto as usinas poderiam produzir a mais, mas disse que o projeto está "andando bem, com resultados satisfatórios, mas não aplicáveis".

"Trazer a novidade ao mercado não é difícil. A ferramenta de marcação molecular não será comercializada, mas é algo que usamos internamente para acelerar o desenvolvimento de novas variedades. Acreditamos que em dois ou três anos tenhamos ela completamente operacional para o nosso uso. Com isso, vamos reduzir o tempo do programa", acrescenta Cabrera.

Pesquisas com sorgo

Outro foco de interesse do CTC são as pesquisas com o sorgo, cultura complementar à cana-de-açúcar. Embora pareça inusitado, o interesse do CTC pela planta tem seus motivos. "Vamos pesquisar os genes de marcação, que são características genéticas que podemos encontrar no sorgo e na cana, as quais podem atribuir determinadas características à planta", diz.

Cabrera explica que o grande diferencial deste projeto, além da parceria com uma instituição de pesquisa de ponta, é a aplicação de técnicas que são utilizadas no sorgo para o universo da cana-de-açúcar. Sem dar mais detalhes, ele cita que "há várias empresas envolvidas no projeto".

No modelo de parceria firmado com a Embrapa, o CTC terá acesso às ferramentas tecnológicas que a empresa de pesquisa agropecuária utiliza no sorgo, podendo trazê-las para o universo sucroalcooleiro. "Estamos pesquisando uma cultura do sorgo e vamos alinhar esta linha à cultura de cana. Tudo isso de forma complementar", afirma.

Sementes artificiais

A terceira aposta do CTC está no desenvolvimento de sementes artificiais. "Assim como os outros [dois projetos], este já está acontecendo há algum tempo. O nosso pedido de financiamento e a nossa entrada no PAISS Agrícola com relação à linha 4 visam trazer mais uma frente de trabalho para a produção destas sementes artificiais", diz.

A previsão do centro é que as novas sementes estejam prontas para ir ao mercado em 2019. Cabrera lembra que o prazo previsto no edital do PAISS Agrícola para o desenvolvimento de qualquer tecnologia ou produto é de 48 meses.

"Nossa previsão é 2019, mas dependendo de como andarem as pesquisas, podemos antecipar este prazo", ressalta.

Interesses alinhados

As três apostas do CTC indicam que as selecionadas pelo PAISS Agrícola compartilham uma série de interesses comuns. Embora tenham focos diferentes, GranBio e Ceres, por exemplo, também trabalharão no desenvolvimento de novas variedades de cana.

No caso da GranBio, os recursos serão utilizados em quatro projetos. Parte será alocada no desenvolvimento de uma nova variedade de cana, a cana-energia, que é voltada à produção de etanol de segunda geração (2G). Os outros três projetos incluem a construção e a avaliação de protótipos para o plantio da cana-energia, sistemas integrados de manejo e controle de produção, e a adaptação de sistemas industriais para culturas energéticas que possam ser combinadas ao sistema de produção do etanol a partir da cana-de-açúcar.

Já a Ceres anunciou que pretende usar os recursos do programa para reforçar suas atividades e infraestrutura no país nos próximos quatro anos. A novidade é a atuação com cana-de-açúcar, cultura em que a companhia não atuava até então.

Segundo anunciou a empresa, o foco dos investimentos será o melhoramento genético e a identificação de "traits", características biotecnológicas para melhorar o sorgo e a cana-de-açúcar. Entre os planos da empresa no âmbito do PAISS Agrícola estão o desenvolvimento de cana-de-açúcar transgênica, "cultura na qual [a companhia[ pretende avançar nos próximos anos".

Leonardo Siqueira – NovaCana
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