Datagro afirma que há um claro incentivo para que as usinas produzam mais adoçante
As chuvas vistas no final de 2022 e no começo de 2023 favoreceram uma volta à normalidade para os canaviais da região Centro-Sul. Foi com esta afirmação que o diretor da Datagro, Guilherme Nastari, iniciou a sua apresentação na conferência realizada pela consultoria.
Nastari trouxe uma visão ampla do momento atual da safra de cana-de-açúcar, tanto na região Centro-Sul, quanto na Norte-Nordeste, com os números da segunda quinzena de setembro e o acumulado. Segundo ele, a temporada tem apresentado melhora em vários índices, mas ainda está um pouco atrasada em relação ao ciclo 2020/21, quando foram processadas mais de 605 milhões de toneladas no Centro-Sul.
Além disso, o diretor da Datagro também ressaltou que há um claro incentivo para que as usinas continuem maximizando a produção de açúcar. Segundo ele, em preços relativos calculados pela consultoria, o etanol hidratado está custando 14,68 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o açúcar VHP, para exportação, está acima de 28,20 centavos de dólar por libra-peso.
Desta forma, a fabricação de açúcar por tonelada de cana tem alcançado novos patamares. Na segunda quinzena de setembro foram 75,14 quilos por tonelada, 11,9% acima dos 67,16 kg/t vistos na temporada passada.
Nastari explica que os números refletem o aumento de capacidade de cristalização do setor e que há uma tendência de um incremento marginal de cristalização em até 2 milhões de toneladas para a próxima temporada.
Considerando um médio prazo, entre dois e três anos, o aumento da cristalização poderá chegar a 6 milhões de toneladas. De acordo com o diretor da Datagro, este seria um fator baixista para os preços, podendo aumentar os níveis de estoque de açúcar.
Confira no texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, a visão detalhada da Datagro para esta safra e, também, os primeiros números para a temporada 2024/25.
As chuvas vistas no final de 2022 e no começo de 2023 favoreceram uma volta à normalidade para os canaviais da região Centro-Sul. Foi com esta afirmação que o diretor da Datagro, Guilherme Nastari, iniciou a sua apresentação na conferência realizada pela consultoria.
Nastari trouxe uma visão ampla do momento atual da safra de cana-de-açúcar, tanto na região Centro-Sul, quanto na Norte-Nordeste, com os números da segunda quinzena de setembro e o acumulado. Segundo ele, a temporada tem apresentado melhora em vários índices, mas ainda está um pouco atrasada em relação ao ciclo 2020/21, quando foram processadas mais de 605 milhões de toneladas no Centro-Sul.
Além disso, o diretor da Datagro também ressaltou que há um claro incentivo para que as usinas continuem maximizando a produção de açúcar. Segundo ele, em preços relativos calculados pela consultoria, o etanol hidratado está custando 14,68 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o açúcar VHP, para exportação, está acima de 28,20 centavos de dólar por libra-peso.
Desta forma, a fabricação de açúcar por tonelada de cana tem alcançado novos patamares. Na segunda quinzena de setembro foram 75,14 quilos por tonelada, 11,9% acima dos 67,16 kg/t vistos na temporada passada.
Nastari explica que os números refletem o aumento de capacidade de cristalização do setor e que há uma tendência de um incremento marginal de cristalização em até 2 milhões de toneladas para a próxima temporada.
Considerando um médio prazo, entre dois e três anos, o aumento da cristalização poderá chegar a 6 milhões de toneladas. De acordo com o diretor da Datagro, este seria um fator baixista para os preços, podendo aumentar os níveis de estoque de açúcar.
Gargalo logístico
A alta na produção também representou novos recordes para os embarques da commodity.
Nastari afirmou que, na semana em questão, estava programado o carregamento de 87 navios com uma carga combinada de 4,18 milhões de toneladas – volume 25,1% superior ao do ano passado. Dentre os embarques, 29,6% seriam direcionados à China.
Há, no entanto, um gargalo logístico a ser superado. O tempo de espera em um terminal no porto de Santos, segundo Nastari, subiu para 32 dias. Ao mesmo tempo em que as chuvas no Sul trazem preocupações para os embarques, a seca no Norte aumenta a pressão para distribuição dos produtos, o que pode acarretar problemas na oferta de navios para exportação.
Estimativa para 2024/25
A Datagro espera que a safra atual do Centro-Sul alcance uma moagem de 624,5 milhões de toneladas, o que representaria um aumento de 13,9% em relação ao ciclo anterior. Para 2024/25, entretanto, a consultoria aponta uma queda de 0,7%, totalizando 620 milhões de toneladas.
Em relação à qualidade da cana, a projeção da consultoria é de uma concentração de 139,4 quilos de açúcar total recuperável (ATR) por tonelada na safra atual. Já no ciclo seguinte deve ocorrer uma ligeira queda de 0,1%, para 139,2 kg/t.
Para a temporada 2024/25, a Datagro espera que as usinas direcionem 51,8% da matéria-prima para a produção de açúcar. Em comparação com a estimativa para a safra corrente, há um aumento de 3,2 pontos percentuais em benefício ao adoçante.

Assim, a fabricação de açúcar, segundo a consultoria, deve chegar a 42,6 milhões de toneladas – o que representaria um aumento de 5,7% em relação às 40,3 milhões de toneladas a serem produzidas em 2023/24.
O etanol de cana-de-açúcar, por outro lado, apresentaria uma queda de 7,2%, saindo de 26,2 bilhões de litros em 2023/24 para 24,32 bilhões de litros na próxima temporada. Do total, 11,41 bilhões de litros seriam de anidro (-1,6%) e 12,9 bilhões de litros de hidratado (-11,6%).
Já o biocombustível produzido a partir do milho teria um acréscimo de 14,8%, chegando a 7 bilhões de litros em 2024/25, sendo 2,6 bilhões de litros de anidro (+18,2%) e 4,4 bilhões de litros de hidratado (+12,8%).
Andamento da safra 2023/24
As precipitações vistas entre 2022 e 2023 auxiliaram no desenvolvimento da cana. Além disso, outros fatores corroboraram com uma melhora nos índices, como florescimento limitado das plantações, diminuição de focos de incêndio em relação a safras passadas, menor infestação de pestes e doenças e ausência de geadas.
Na segunda quinzena de setembro, as usinas do Centro-Sul moeram 44,78 milhões de toneladas, o que representou um aumento anual de 77% e demonstra a melhora citada por Nastari. O diretor da Datagro ainda aponta que neste período as condições climáticas facilitaram as operações, contabilizando apenas 0,6 dia perdido.
“No entanto, as operações devem desacelerar na primeira quinzena de outubro, uma vez que o tempo ficou mais chuvoso”, alerta. A perspectiva foi confirmada pela União das Indústrias da Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica) na quarta-feira, 25, em sua atualização quinzenal do andamento da safra.
No acumulado até 16 de outubro, a moagem do Centro-Sul registrou um aumento anual de 14,5%, com 525,99 milhões de toneladas. Em relação aos produtos, o açúcar totalizou 34,68 milhões de toneladas (+23,7%), e o etanol 25,21 bilhões de litros (+10%).
Em comparação com os níveis de processamento de três anos atrás, entretanto, a moagem do Centro-Sul ainda está menor. “O aproveitamento de tempo será mais importante para definir o número final da moagem em 2023/24”, afirma Nastari. Segundo ele, há uma estimativa de 25 a 30 milhões de toneladas de cana bisada para 2024/25.
Ainda assim, a safra corrente está apresentando uma alta produtividade agrícola. Até o final de setembro, o índice chegou a 91,1 toneladas por hectare, aumento de 22% em relação ao ciclo anterior.
Já na região Norte-Nordeste, a moagem acumulada teve uma alta de 10,2% até 30 de setembro, com 16,48 milhões de toneladas.
Mercado de etanol
Nastari comentou que o etanol hidratado, por sua vez, ainda está em fase de recuperação, com os estoques em crescimento contínuo.
Em setembro, as vendas no mercado interno chegaram a 1,65 bilhão de litros, aumento anual de 18,5%. No acumulado desde abril, foram comercializados 8,21 bilhões de litros, volume 1,5% abaixo do visto no mesmo período em 2022/23.
O preço do biocombustível utilizado para abastecer diretamente o tanque dos veículos se mantém competitivo nos principais estados produtores. Em São Paulo, por exemplo, a relação de preços entre o etanol e gasolina foi de 61,6%, nove pontos percentuais abaixo do limite estabelecido como economicamente vantajoso para os consumidores.
Nastari argumenta que, com este diferencial de valores, as vendas de etanol poderiam estar mais aquecidas.
Giully Regina – NovaCana