Usina Santa Helena, em GoiásNa contramão do consumo, que cresce a cada ano com o aumento do número de carros flex nas ruas, a produção de etanol pode cair na próxima safra em Goiás. Além dos efeitos da seca prolongada e da falta de investimentos nos canaviais, usinas estão optando por não processar cana nesta safra.
Em todo País, 56 empresas do setor estão em recuperação judicial. Em Goiás, o problema é vivido pelas usinas Santa Helena, em Santa Helena, e Denusa, em Jandaia.
A Usina Vale Verde, em Itapuranga, também não processou cana nas duas últimas safras, situação que deve se repetir esse ano. A cana produzida por ela está sendo remanejada para outras duas indústrias do grupo nos municípios de Itapaci e Anicuns, que também produzem açúcar.
A reportagem apurou que a Energética São Simão, localizada no município de mesmo nome, no Sul do Estado, também já teria vendido sua cana para outras usinas.
CriseOs baixos preços do etanol não estariam estimulando a produção do combustível em todo País. Além de duas usinas paradas, outras duas estão em processo de recuperação judicial no Estado.
Estimativas apontam que o endividamento das usinas e destilarias na região Centro-Sul do País, maior produtora de cana-de-açúcar do País, iniciam a safra 2014/2015 com um endividamento de R$ 65 bilhões.
Paralisação pode resultar em desempregoPara André Rocha, a safra em Goiás não deverá ser afetada com a paralisação de Usinas, porque essa cana será moída por outras indústrias. Porém, pode gerar efeitos negativos, como o desemprego e a queda da arrecadação, principalmente nas economias dos municípios onde elas estão instaladas. Para ele, o maior problema é que o etanol concorre com um produto subsidiado, que é a gasolina, benefícios que também deveriam abranger o etanol, que perdeu a competitividade a nível nacional.
ImpactosSegundo o professor Marcos Fava Neves, da USP, algumas usinas podem deixar passar a safra, pois a seca prejudicou o canavial. Com as chuvas escassas, às vezes e melhor esperar outro ano, mas com terríveis impactos ao fluxo de caixa e a saúde financeira do negócio. "Estimativas dizem que das quase 600 milhões de toneladas esperadas, estamos com algo próximo a 550 a 570 milhões, e estamos consumindo mais etanol no bimestre em relação ao ano passado."
Portanto, ele prevê problemas ao longo do ano no suprimento de combustíveis no Brasil, prejudicando até a Petrobras. Marcos lembra que os custos de produção subiram muito e, hoje, para deixar algum lucro, o etanol teria que custar cerca de R$ 1,40 na usina. Então, ao consumidor final, o preço chegaria próximo a R$ 2, se a distribuição e o posto ficassem com R$ 0,30 cada um. Porém, o preço ao consumidor já está maior que isso. "Portanto, teremos problemas com preços neste ano, se o consumo de combustível continuar crescendo", alerta o professor da USP.
Para ele, o governo deve entender que o setor é estratégico ao Brasil, ao meio ambiente, à balança comercial e à economia. "É preciso recuperar os investimentos para gerar os benefícios em cidades que recebem usinas." Outra medida seria reduzir o ICMS em alguns Estados.