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Em crise, grupo fecha duas usinas em Minas Gerais

usina mineira 080814Com o fechamento das duas unidades, Minas Gerais agora possui oito usinas fechadas

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A crise no mercado sucroalcooleiro continua fazendo vítimas. Afundado em dívidas e problemas na justiça, grupo fechou as duas unidades que possuía em Minas Gerais.


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Falido e com uma dívida bilionária, o grupo João Lyra fechou as duas únicas usinas que operava em Minas Gerais.

Com problemas na justiça e dívidas que chegam a R$ 2 bilhões, o deputado federal João Lyra, irmão do empresário alagoano Carlos Lyra, corre ainda o risco de ter todas as suas usinas leiloadas em função de dívidas com credores.

O grupo é dono de cinco unidades, das quais três operam em Alagoas.

Localizadas em Canápolis e Capinópolis, no Triângulo Mineiro, as usinas Triálcool e Vale do Paranaíba não moerão cana na safra 2014/15. A região concentra o maior número de produtoras de álcool e açúcar de Minas Gerais.

Para o presidente executivo da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, o fechamento das duas unidades representa uma perda na capacidade de moagem instalada do estado.

Segundo Campos, até agora, oito unidades foram fechadas. Com isso, a capacidade instalada foi reduzida para 63 milhões de toneladas. "Foram 7 milhões de toneladas perdidas. Poderíamos chegar a 70", lamenta Campos.

"A situação é muito crítica e novos fechamentos poderão ocorrer", alerta o representante do setor.




"É preciso mudar a política. A forma de ver o segmento. Se em 2015 a política de preços da gasolina for mantida, a tendência é a crise piorar. Creio que haverá uma mudança", diz.

Impacto na economia local
Quase mil trabalhadores das duas usinas fechadas aguardam o recebimento de verbas rescisórias, segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canápolis. Por meio de uma ação judicial, os funcionários das duas alcooleiras terão acesso ao seguro desemprego. No entanto, nem todos poderão sacar o fundo de garantia (FGTS), já que, segundo o sindicato, a empresa não estava depositando o benefício.

Para Campos, a interrupção das atividades em Canápolis e Capinópolis terão um impacto negativo na economia local. "O que mais preocupa é o caos social que isso provoca nos municípios. Vejo o etanol como um recurso limpo e que favorece o desenvolvimento econômico e regional. Onde há uma usina, há geração de renda, impostos e qualificação da mão de obra. Este é um ponto que, infelizmente, com a crise, está sendo perdido", admite Campos.

Antecipação da safra
O presidente da Siamig confirmou as projeções que indicam um fim antecipado da safra. "Nossa expectativa é moer menos cana que no ano passado. A safra começou adiantada e vai terminar mais cedo. Só que não sabemos o que vem por aí. Pode haver um período de chuvas, o que pode atrapalhar a colheita", considera.

Segundo dados da entidade, 59,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar deverão ser produzidas na safra 2014/15, uma queda de 3% em relação à safra 2013/14.

Até a primeira quinzena de julho foram esmagadas no estado 25,5 milhões de toneladas de cana, volume 6,2% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

Otimismo quanto ao futuro do setor
Campos prefere ser otimista quanto ao futuro das usinas e espera mudanças a partir do próximo ano. O executivo preferiu não comentar que propostas têm agradado o setor, mas adiantou que há candidatos com sugestões "muito claras, para salvar o segmento".

"O etanol e a política de combustíveis são temas que estão na agenda dos candidatos. Alguma coisa será mudada. Chegamos a um ponto em que qualquer cego ou descrente enxerga que o setor foi impactado", arrematou.

Leonardo Siqueira – NovaCana

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