Por Renato Campos*
Nos últimos anos, o setor agrícola tem testemunhado mudanças significativas em resposta às demandas crescentes por alimentos, combustíveis e matérias-primas. Nesse contexto, a comparação entre a safra de cana-de-açúcar e a produção de grãos emerge como um tema relevante.
O setor sucroenergético tem experimentado um crescimento notável, impulsionado em grande parte pela crescente demanda por biocombustíveis, como o etanol. Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de cana alcançará 677,6 milhões de toneladas, acima das 652,9 milhões de toneladas previstas em agosto, o que resultará em um aumento de 10,9% frente ao ciclo 2022/23.
Países como o Brasil, líder mundial na produção de cana-de-açúcar, têm investido consideravelmente em tecnologias e práticas agrícolas sustentáveis para aumentar a produtividade e os resultados dos últimos anos refletem isso.
A utilização da cana-de-açúcar para a produção de etanol contribui para a busca por fontes de energia renovável, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis. Além disso, a expansão da indústria sucroenergética tem gerado empregos e impulsionando as economias locais.
Para se colocar em dados, cerca de 28,5 milhões de pessoas são empregadas pelo agronegócio brasileiro, o que equivale a 26,8% no total de ocupações do Brasil. O número atingiu um novo recorde no terceiro trimestre de 2023, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.
Enquanto a cana prospera devido à demanda por biocombustíveis e produtos açucareiros, o cultivo de grãos enfrenta desafios ambientais, como o uso excessivo de agroquímicos e a pressão sobre a biodiversidade.
As primeiras projeções da Conab apontam que a produção brasileira de grãos deve chegar a 306,37 milhões de toneladas, um valor significativo, mas que representa uma queda de 13,5 milhões de toneladas ao obtido em 2022/23. A baixa no resultado se dá pelas más condições climáticas, com poucas chuvas aliadas a altas temperaturas na região central do país, além de precipitações volumosas no Sul.
No caso específico do milho, o cenário também foi de queda e as perspectivas demonstram que muitos compradores na próxima safra irão apostar na soja, vendendo milho para liberar armazéns, segundo demonstra uma análise da Safras Consultoria.
Todavia, é válido ressaltar que, de forma geral, uma das possibilidades para que a produção de grãos seja mais estável do que a de cana é por serem matérias-primas de primeira necessidade. Essa pouca variação pode ser observada abaixo. Os dados comparam safras recentes de cana-de-açúcar e de grãos, segundo a Conab:
Além disso, é importante levar em conta que, a partir de 2023, começa a se observar uma diminuição na procura por maquinários agrícolas. De acordo com a Abimaq, no último ano houve uma queda de 11% em comparação com 2022. Para o próximo ano, as estimativas são de um decréscimo de 15%. Esse cenário se deve à queda nos preços das commodities e a taxa de juros (Selic), que ainda é considerada alta pelo mercado.
Mas o setor está em retomada e estima um crescimento de 22% até 2026, de acordo com um estudo realizado pela consultoria Redirection International. Isso se deve graças à perspectiva do bom desempenho do agronegócio nacional, o aumento da demanda por alimentos e da fronteira agrícola.
Esse crescimento da produção estimula o mercado na procura por maquinários, com o avanço do plantio mecanizado, além da fabricação de açúcar, que deverá se aproximar das 38,77 milhões de toneladas, sendo a segunda maior já registrada na série histórica, perdendo apenas para a temporada de 2020/21, além dos subprodutos como o etanol e o adoçante.
Desta forma, é possível notar que, na esteira do que já foi possível observar no último ano, 2024 será um ano com boas projeções para o mercado sucroenergético, que vem registrando bons índices na produção e acompanha ativamente com os resultados observados no cultivo de milho e trigo e inclusive registrando uma alta em um comparativo, cenário que não era tão comum nas safras anteriores.
* Renato Campos é gerente geral da Motocana, fabricante de equipamentos personalizados para movimentação de carga pesada e de maquinário agrícola, atuando nos setores canavieiro, florestal, de sucata, de guindaste e outros
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