Na última safra, companhia vivenciou aumento de custos operacionais, perda cambial e aumento das dívidas. Ainda assim, manteve os resultados firmes no azul.
As últimas duas safras marcaram uma nova fase na história da Usina Batatais. Em 2016/17, a companhia deixou a Copersucar após 30 anos e firmou uma parceria comercial com o grupo São Martinho. Ao final do ciclo, isso representou um crescimento de 29,5% na receita da companhia – que passou de R$ 841,34 milhões para R$ 1,09 bilhão –, mas de apenas 8,92% nos custos.
Acompanhados de um ganho financeiro cambial e de uma valorização no ativo biológico (cana em pé), esses números propiciaram um lucro de R$ 240,52 milhões em 2016/17 – um aumento de mais de 1.900% em relação aos R$ 11,78 milhões vistos na safra anterior.
Em 2017/18, entretanto, a Usina Batatais encontrou alguns reveses.
Saiba mais no texto completo:
- Aspectos que prejudicaram o resultado da Usina Batatais
- Perspectivas de moagem, rendimento agrícola e mix para a safra 2018/19
- Histórico de lucro bruto e lucro líquido da empresa
- Evolução da relação entre receitas e custos ao longo das safras
- Perfil da dívida da Usina Batatais desde 2013/14
Atualizado (26/07, às 09h): O texto abaixo foi alterado para incluir o posicionamento da companhia em relação ao aumento da dívida bruta, que é contrabalanceado pela redução da dívida líquida.
As últimas duas safras marcaram uma nova fase na história da Usina Batatais. Em 2016/17, a companhia deixou a Copersucar após 30 anos e firmou uma parceria comercial com o grupo São Martinho. Ao final do ciclo, isso representou um crescimento de 29,5% na receita da companhia – que passou de R$ 841,34 milhões para R$ 1,09 bilhão –, mas de apenas 8,92% nos custos.
Acompanhados de um ganho financeiro cambial e de uma valorização no ativo biológico (cana em pé), esses números propiciaram um lucro de R$ 240,52 milhões em 2016/17 – um aumento de mais de 1.900% em relação aos R$ 11,78 milhões vistos na safra anterior.
Em 2017/18, entretanto, a Usina Batatais encontrou alguns reveses. O ganho de R$ 20,88 milhões com a variação cambial se transformou em uma perda de R$ 11,34 milhões. Além disso, o ativo biológico da empresa teve uma variação negativa de R$ 24,07 milhões, a primeira em seis safras. O custo com os produtos vendidos subiu com mais intensidade que a receita.
Ainda assim, nenhuma dessas perdas foi grande o suficiente para tirar a empresa de seu novo momento. Ao final da safra, o lucro líquido da companhia somou R$ 139,39 milhões – uma queda de 42,05%. Mesmo considerando derivativos financeiros (que podem ser reclassificados posteriormente), o resultado abrangente da Usina Batatais é positivo em R$ 114,94 milhões.

Para 2018/19, a expectativa é que o desempenho operacional da companhia fique mais apertado. A companhia divulgou que espera ampliar a moagem em suas duas usinas, alcançando 4,25 milhões de toneladas de cana na Unidade Batatais e 2,93 milhões de toneladas na Unidade Lins, ambas em São Paulo. Contudo, isso deve ocorrer em um contexto de queda no rendimento agrícola dos canaviais, que deve passar de 91 t/ha para 87 t/ha.
Além disso, a Usina Batatais também planeja direcionar sua produção para o etanol, em detrimento do açúcar. Segundo o guidance da companhia, o mix de produção do grupo será de 48% para açúcar e 52% para etanol, contra um mix de 54% para o açúcar em 2017/18.
Mais receita, mas ainda mais custos
A queda no resultado da companhia na safra passada pode ser sentida desde seu lucro bruto, que passou de R$ 422,72 milhões em 2016/17 para R$ 328,44 milhões em 2017/18, uma redução de 22,30%.

Esse número é resultante não apenas da desvalorização dos ativos biológicos do grupo como também por uma leve piora na relação entre receitas e custos. Entre 2016/17 e 2017/18, as entradas subiram em 6,31% – de R$ 1,09 bilhão para R$ 1,16 bilhão – enquanto os gastos aumentaram em 17,39%, passando de R$ 686,41 milhões para R$ 805,76 milhões.
Isso significa que os custos de produção da Usina Batatais representaram um valor equivalente a 69,6% da receita obtida por meio das vendas, um índice considerável saudável no setor de açúcar e etanol. Ainda assim, ele foi pior que o resultado obtido na safra anterior, quando atingiu 63%.

Além disso, a companhia também registrou índices similares de aumento em suas despesas com vendas, que passaram de R$ 42,39 milhões em 2016/17 para R$ 50,56 milhões em 2017/18 (+19,3%), e em suas despesas administrativas, que saíram de R$ 46,17 milhões para R$ 54,90 milhões (+18,9%).
Perfil da dívida
Ao final da safra 2016/17, a Usina Batatais registrou uma dívida com empréstimos e financiamentos 5,55% menor que a vista um ano antes, totalizando R$ 735,44 milhões. No mais recente balanço financeiro da companhia, entretanto, esse número voltou a crescer e atingiu R$ 872,42 milhões, ultrapassando a posição recorde vista em 2015/16. O aumento foi de 14,61%.
Em nota enviada ao NovaCana, entretanto, a companhia ressalta que, apesar dessa elevação, o endividamento líquido da companhia caiu. "Nosso dinheiro em caixa e aplicações subiu de R$ 351 milhões para R$ 642 milhões. Assim, nossa dívida líquida caiu de R$ 384 milhões para R$ 230 milhões", aponta. A redução, classificada pela empresa como "extraordinária", foi de 40% ou R$ 154 milhões.

Em relação à dívida bruta, a maior parte do impacto se deu nos débitos com vencimento superior a 12 meses, que passaram de R$ 487,76 milhões em 31 de março de 2017 para R$ 598,15 milhões em 31 de março de 2018 (+22,63%).
Além disso, também houve um aumento no montante devido com vencimento em 12 meses. A posição passou de R$ 247,68 milhões para R$ 274,27 milhões no mesmo comparativo.
Renata Bossle – NovaCana