O mercado de açúcar está acostumado com a crescer entre 1,5% e 2% ao ano, o que representa um adicional de cerca de 3 milhões de toneladas por ano. O crescimento continuará, porém, conforme analisa o Rabobank, o ritmo tradicional está cada vez mais ameaçado
Olhar para o futuro do comércio de açúcar envolve entender as lógicas das flutuações vistas no passado e, a partir das tendências observadas, apostar em cenários prováveis. Embora muitas companhias brasileiras estejam prestando atenção apenas no curto prazo – seja por cautela, seja pelo alto endividamento –, trabalhar com um período de tempo mais longo pode ser o diferencial que garantirá a sobrevivência nos negócios.
Especificamente em relação ao mercado internacional de açúcar, o Rabobank realizou uma análise que envolve o consumo per-capita do adoçante e a evolução do produto interno bruto (PIB) per capita dos países. A partir das mudanças observadas de 2000 a 2015 e das tendências econômicas, o banco holandês traçou um panorama para o consumo de açúcar até 2030.
“A perspectiva para o uso industrial de açúcar em mercados emergentes é a chave”, aponta o Rabobank. De acordo com o relatório, apenas esse segmento corresponde a 47% do consumo total de açúcar. Considerando todo o globo, comidas e bebidas processadas equivalem a 63% do consumo.
Por meio de gráficos elaborados pelo NovaCana, entenda como esse mercado foi alterado em diversos países de acordo com o cenário econômico e o que indicam as projeções do Rabobank para 2030.
Olhar para o futuro do comércio de açúcar envolve entender as lógicas das flutuações vistas no passado e, a partir das tendências observadas, apostar em cenários prováveis. Embora muitas companhias brasileiras estejam prestando atenção apenas no curto prazo – seja por cautela, seja pelo alto endividamento –, trabalhar com um período de tempo mais longo pode ser o diferencial que garantirá a sobrevivência nos negócios.
Especificamente em relação ao mercado internacional de açúcar, o Rabobank realizou uma análise que envolve o consumo per-capita do adoçante e a evolução do produto interno bruto (PIB) per capita dos países. A partir das mudanças observadas de 2000 a 2015 e das tendências econômicas, o banco holandês traçou um panorama para o consumo de açúcar até 2030.
“A perspectiva para o uso industrial de açúcar em mercados emergentes é a chave”, aponta o Rabobank. De acordo com o relatório, apenas esse segmento corresponde a 47% do consumo total de açúcar. Considerando todo o globo, comidas e bebidas processadas equivalem a 63% do consumo.
Aprendendo com o passado
De acordo com a análise do banco, o crescimento no consumo de açúcar apresenta uma desaceleração à medida que o PIB per capita cresce. Com base em dados de 2015, o Rabobank calculou que, em países que vivenciaram um crescimento no PIB per capita de US$ 320 para US$ 1.000, o aumento do consumo anual de açúcar por habitante foi equivalente a 12kg para cada US$ 1.000 de aumento na renda. Em contrapartida, em locais com PIB per capita acima de US$ 10.000, o crescimento no consumo de açúcar foi de 0,4kg anuais para cada US$ 1.000 de melhora na renda.
“Qualquer aspecto que afete o uso industrial de açúcar em mercados emergentes irá refletir significativamente no consumo global de açúcar” (Rabobank)
Ainda assim, o relatório aponta que muitos outros fatores possuem um papel determinante no consumo de açúcar, incluindo a disponibilidade de alternativas, o preço local do açúcar, além de diferentes hábitos alimentares e preferências culturais. “Pode-se argumentar que a desaceleração ou a estagnação no crescimento do consumo de açúcar em níveis muito elevados de PIB per capita pode ser, pelo menos em parte, motivado por uma maior preocupação e conscientização sobre dieta e ganho de peso em tais economias”, completa.
Em sua análise, o Rabobank observou economias de rápido crescimento, de crescimento moderado e estagnadas, fazendo um comparativo com os dados de 2000 e de 2015. Nesse período, a principal mudança de perfil econômico entre os países analisados aconteceu com a China e a Indonésia, que passaram de economias de rápido crescimento para a faixa de crescimento moderado. Com isso, esses países também mudaram seu perfil de consumo de açúcar – ainda que a China, por motivos culturais, permaneça abaixo da linha média de tendência.

Projetando o futuro
Segundo o Rabobank, no cenário atual, mais da metade da população global – e, também, mais de metade do consumo de açúcar – está em países onde as atuais rendas médias da população levam a crer que eles só vivenciarão crescimentos per capita moderados, mesmo em um cenário econômico robusto. Ou seja, para o futuro, a tendência de crescimento para o mercado do adoçante tende a se desacelerar.
Assim, o banco projetou que, entre 2015 e 2030, a proporção da população global nas áreas de crescimento moderado e estagnado deve subir de 57% para 76%. “Os países presentes na área de crescimento rápido até 2015 ainda deverão contribuir, de longe, com a maior parcela do crescimento total da população global nos próximos 15 anos”, projeta o Rabobank, que alerta: “No entanto, a previsão é que a Índia, com sua população de mais de um bilhão de pessoas, mude-se para a área de crescimento moderado na primeira metade da próxima década”.
De acordo com o Rabobank, essas tendências por si só já sugerem que a taxa de crescimento global no consumo de açúcar para os próximos 15 anos provavelmente será menor do que a taxa vista nos últimos 15 anos. Isso antes mesmo de qualquer consideração sobre mudanças recentes no perfil do consumidor de açúcar.
Mais detalhes sobre a análise do Rabobank na reportagem: Rabobank analisa ‘guerra ao açúcar’, estratégias para a indústria e impactos da mudança no perfil de consumo
Renata Bossle – NovaCana