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Credores aprovam e fundo Mubadala é o novo controlador da Atvos

Lone Star, que se posicionou contra a operação, deixa de ter o controle da sucroenergética; Caixa também foi contrária


Agência Estado - Publicado: 09 Jan 2023 - 14:47 | Atualizado: 19 Set 2023 - 10:35

Reportagem originalmente publicada em 28 de dezembro de 2022.

Depois de muito embate, a gigante sucroenergética Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial) passou a ter um novo controlador, o fundo Mubadala Capital, de Abu Dhabi, após uma reunião de credores da empresa. O fundo americano Lone Star, que travava uma briga para evitar a operação, terá sua participação diluída, deixando, assim, o controle da empresa.

Pelo acordado, o Mubadala passará a deter 31,5% da Atvos, em troca de um aporte de R$ 500 milhões na empresa. Os bancos credores, que incluem Banco do Brasil, Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Bradesco, Santander e Itaú, ficariam com uma participação de 60% na empresa.

Com isso, o fundo americano Lone Star e a Novonor (antiga Odebrecht) dividiriam uma fatia de 3,5%. Ricardo K., executivo conhecido por recuperar empresas, também terá uma pequena participação.

O fundo americano Lone Star vinha argumentando que essa operação societária era desnecessária e reduziria o valor da dívida mantida por seus credores. Além disso, também colocou que não teria havido consulta à administração da Atvos e também não teria levado em conta seu atual momento financeiro.

No início da semana, o Lone Star enviou uma notificação a todos os credores, pedindo esclarecimento sobre o acordo e questionando as razões para que o processo não fosse competitivo.

Para o fundo, ainda é preciso uma explicação sobre o motivo pelo qual os bancos públicos não buscaram um processo competitivo para a troca do controle do grupo. O BNDES tem dito a interlocutores que entende essa como a melhor solução para a companhia e para seus credores.

O fundo americano Lone Star chegou ao controle da Atvos em 2020, quando a empresa já estava em recuperação judicial, após uma decisão da Justiça. No mesmo ano, o fundo havia comprado o controle da Atvos do banco Natixis, que tinha executado as ações que os bancos credores da Odebrecht detinham em alienação fiduciária, por meros R$ 5 milhões.

Fernanda Guimarães e Altamiro Silva Junior