A Cosan divulgou ontem o seu resultado financeiro dos meses de julho, agosto e setembro. Abaixo apresentamos na íntegra o os dados referente a Raízen Energia, que envolve o etanol, açúcar e cogeração de energia do bagaço da cana.
Dados de produção
Durante o 2T13 a Raízen Energia operava 24 usinas de produção de açúcar, etanol e cogeração de energia com capacidade de moagem total de 65 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano safra.

Até o final do mês de setembro de 2012 o balanço da safra 2012/2013 no Centro-Sul do Brasil apresentava um atraso relativo de 7,8% em relação ao mesmo período do ano anterior segundo informações da UNICA – União das Indústrias de Cana-de-açúcar.
As chuvas não previstas que ocorreram nos primeiros meses da safra permitiram um acumulo de biomassa superior ao inicialmente projetado e desta forma a ÚNICA e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) revisaram a projeção de moagem do Centro-Sul (CS) de 509,0 milhões de toneladas para 518,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
Apesar do aumento na produtividade agrícola da área colhida a qualidade da cana colhida no acumulado safra 2012/2013, medida pela quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), foi afetada apresentando uma queda de 2,3% na comparação com a safra 2011/2012.
No 2T13 o volume de cana moída pela Raízen Energia atingiu 27,3 milhões de toneladas, representando um crescimento de 3,6% em relação ao 2T12, sendo 46,2% cana própria. O crescimento da moagem neste trimestre reflete a recuperação desta safra que teve seu início postergado em aproximadamente 12 dias na comparação com a safra 2011/2012. O nível de mecanização do processo de colheita de cana própria alcançou 91,3% no 2T13.
O nível do ATR da cana no mesmo trimestre foi de 147,0 kg/tonelada, representando um aumento de 2,8% em relação ao 2T12 em que o nível de ATR foi de 143,0 kg/tonelada. A adequada renovação das áreas de cana própria se traduziu em uma idade média do canavial de 3,4 anos. No 2T13 o mix de produção da Raízen Energia apresentou-se mais voltado para o açúcar com aproximadamente 57% da cana moída voltada para este produto.
Receita Líquida

A receita líquida da Raízen Energia totalizou R$ 2,2 bilhões no 2T13, 15,7% inferior ao mesmo trimestre do ano anterior em que a receita reportada foi de R$ 2,7 bilhões. Os menores volumes vendidos de açúcar e etanol no 2T13 bem como o recuo do preço de venda do etanol no mercado interno foram os principais responsáveis pela queda da receita líquida.
Venda de Açucar
No 2T13 receita líquida pela venda de açúcar totalizou R$ 1,3 bilhão, 12,4% inferior ao mesmo trimestre do ano anterior e representou 57,9% da receita total da Raízen Energia. O preço médio do açúcar no 2T13 foi de R$ 1.068,1/tonelada, 8,3% superior ao preço médio do 2T13 que atingiu R$ 986,5/tonelada.
Apesar da elevação do preço médio praticado neste trimestre, a queda de 19,0% no volume de vendas, equivalente a R$ 183,5 milhões, foi o principal responsável pelo recuo da receita líquida pela venda de açúcar.
A elevação de aproximadamente 12% no preço médio praticado no mercado externo fez o mix de venda de açúcar permanecer mais voltado para as exportações em detrimento ao mercado doméstico.
Vendas de Etanol
No 2T13 a receita líquida da Raízen Energia pela venda de etanol totalizou R$ 717,0 milhões, representando uma queda de 27,0% em relação ao 2T12 que foi de R$ 981,8 milhões. Houve elevação de 10,1% do preço médio praticado que saiu de R$ 1.253,1/m³ no 1T12 para R$ 1.379,5/m³ no 1T13.
O principal fator para a queda na receita líquida pela venda de etanol no 2T13 deve-se a redução de 33,7% no volume vendido, equivalente a R$ 263,7 milhões. Além disso, o preço médio do etanol no mercado interno apresentou queda de 12,8% na comparação dos trimestres, efeito que foi parcialmente compensado pelos maiores volumes vendidos ao mercado externo a preços mais atrativos.
Cogeração de Energia
Durante o 2T13 a receita líquida de energia atingiu R$ 163,9 milhões, 47,6% superior ao mesmo período do ano anterior em que a receita foi de R$ 111,1 milhões. O volume vendido foi de 1.034,3 mil MWh a um preço médio de R$ 158,5/MWh.
A elevação da receita líquida pela venda de energia no 2T13 deve-se principalmente pela adição de capacidade das plantas Univalem, Ipaussu e Barra que em conjunto elevaram em 153 MW o volume total produzido pela Raízen Energia.
Do total das 24 usinas da Raízen Energia 12 unidades vendem energia do processo de cogeração.
Outros Produtos e Serviços
No 2T13 a receita de outros produtos e serviços da Raízen Energia totalizou R$ 65,3 milhões referente à venda de vapor, melaço e insumos para prestadores de serviço na área agrícola.
Custo de Produtos Vendidos

O custo dos produtos vendidos pela Raízen Energia segue apresentado em conjunto com seus custos médios unitários excluindo-se os efeitos de depreciação e amortização (custo caixa).
No 2T13 o custo dos produtos vendidos pela Raízen Energia totalizou R$ 1,7 bilhão, 22,8% inferior ao 2T12 em que o valor reportado foi de R$ 2,2 bilhões. A redução de 19,0% do volume de vendas de açúcar e de 33,7% no volume de vendas de etanol foram os fatores preponderantes para esta queda do custo.
Adicionalmente aos fatores mencionados acima seguem abaixo demais itens que contribuíram para a redução de custos dos produtos vendidos:
- Queda de 2,9% no preço do ATR/kg, que foi de R$ 0,4806 no 2T13 comparado com R$ 0,4951 no 2T12, e que tem impacto direto no custo da cana de terceiros e no arrendamento de terras;
- Aumento da produtividade do canavial representado pelo maior nível de tonelada de cana por hectare (TCH) que foi de 81,7 no 2T13 comparado com 72,9 no 2T12, proporcionando uma maior diluição dos custos de plantio e tratos culturais;
- Elevação do nível de ATR o qual saiu de 143,0 kg/tonelada no 2T12 para 147,0 kg/tonelada no 2T13.
Lucro Bruto

No 2T13 o lucro bruto da Raízen Energia totalizou R$ 580,4 milhões, representando um crescimento de 14,9% em relação ao 2T13, em que o valor reportado foi de R$ 504,9 milhões.
O resultado pela venda de açúcar totalizou R$ 443,4 milhões e representou 76,4% do lucro bruto total. O lucro bruto pela venda de etanol teve crescimento de 12,0% saindo de R$ 72,4 milhões no 2T12 para R$ 81,1 milhões no 2T13. Em ambos os casos a elevação do preço médio, sendo 8,3% na venda de açúcar e 10,1% na venda de etanol, foi a principal responsável pelo crescimento do resultado.
No 2T13 a margem bruta caixa do açúcar teve crescimento de 7,1 p.p enquanto no etanol houve um recuo de 30,3 p.p.
Despesas com Vendas, Gerais e Administrativas

Apesar da queda acentuada nos volumes de venda conforme mencionado anteriormente, a redução não proporcional das despesas com vendas deve-se basicamente aos maiores volumes de etanol destinados a exportação que na comparação com as vendas no mercado interno, apresentam estrutura superior de gastos. Desta forma, as despesas com vendas da Raízen Energia no 2T13 totalizaram R$ 167,9 milhões, 2,7% inferior ao mesmo período do ano anterior.
No 2T13 as despesas gerais e administrativas atingiram R$ 121,3 milhões, 35,2% superior ao valor reportado no 2T12 de R$ 89,7 milhões e reflete o ajuste ocorrido no 3T12 no qual houve a adequação das estruturas de suporte da Raízen.
Ebitda

A Raízen Energia apresentou EBITDA de R$ 854,5 milhões no 2T13, superior 2,5% ao valor reportado no 2T12 de R$ 833,3 milhões. Houve crescimento da margem EBITDA de 6,7p.p, que saiu de 31,3% no 2T12 para 38,0% no 2T13.
Hedge
A posição de volumes e preços de açúcar fixados com tradings ou via instrumentos financeiros derivativos em 30 de setembro de 2012, assim como os contratos de derivativos de câmbio, contratados pela Raízen Energia com o propósito de proteção dos fluxos de caixa futuros, são resumidos como segue:
Impactos do Hedge Accounting
A Raízen Energia vem adotando o hedge accounting na modalidade de fluxo de caixa para determinados instrumentos financeiros derivativos designados para cobertura de risco de preço do açúcar e risco de variação cambial sobre as receitas de exportação de açúcar.
A tabela abaixo demonstra a expectativa de transferência do saldo de ganhos/perdas do patrimônio líquido em 30 de setembro de 2012 para receita operacional líquida da Raízen Energia4 em exercícios futuros, de acordo com o período de cobertura dos instrumentos de hedge designados.
Investimentos

No 2T13 o Capex da Raízen Energia foi de R$ 360,8 milhões, inferior 29,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior onde o valor reportado foi de R$ 508,8 milhões.
Os investimentos atrelados aos ativos biológicos totalizaram R$ 233,2 milhões, representando uma redução 5,8% em relação ao 2T12 e no acumulado da safra 2012/2013 apresentam-se em linha com a safra anterior.
A redução dos investimentos em mecanização de 48,6% reflete o avançado estágio de conclusão dos projetos. Conforme mencionado acima, a Raízen Energia atingiu neste trimestre 91,3% de colheita mecanizada nas áreas de cultivo.
Os projetos de expansão representam os investimentos no processo de cogeração de energia. Neste 2T13 houve um total de R$ 16,0 milhões investidos na conclusão dos projetos das unidades de Ipaussu, Barra e Univalem.
Adicionalmente, tivemos R$ 53,1 milhões em outros projetos dentre ao quais destacam-se o geoprocessamento das áreas de cultivo e iniciativas para a concentração de vinhaça.