Cana: Mercado

Cana: Mercado

Cosan tem boa perspectiva para açúcar, mas quer Cide e investimentos em logística


Agência Estado - Publicado: 27 Nov 2015 - 10:06
Cosan tem boa perspectiva para açúcar, mas quer Cide e investimentos em logística

Marcos Lutz, presidente da Cosan

As perspectivas para os preços internacionais de açúcar são mais positivas para o próximo ano, disse há pouco o presidente da Cosan, Marcos Lutz, no Summit Agronegócio Brasil 2015, realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo com patrocínio da Faesp.

"Tenho uma perspectiva mais altista, vendo a demanda global no ano que vem maior do que a oferta. Há vários anos isso não acontecia", disse Lutz, acrescentando que isso tende a se ampliar, já que não se vê no setor sucroalcooleiro um movimento de expansão da indústria, por causa da dívida do segmento. Ele estimou um valor, em reais, perto de 60 centavos por libra-peso. "É um número razoável", disse.

Segundo Lutz, apesar de a projeção ser de uma produção maior de cana-de-açúcar, a moagem deve ser reduzida. "Com o (fenômeno climático) El Niño são esperadas muitas chuvas." Para Lutz, o setor deve virar o ano com uma quantidade grande de cana bisada no Centro-Sul do País. "Vemos as usinas começando a moer mais cedo no próximo ano e, assim, devemos ter uma entressafra mais curta", completou.

Cide

Sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), imposto para o qual o setor esperava uma nova elevação ainda este ano, Lutz disse que faz sentido a taxação no longo prazo.

"O governo, quando busca novas fontes de receita, deveria olhar a Cide com carinho", afirmou. "No entanto, essa contribuição tem um componente inflacionário que afeta diretamente o preço da gasolina ao consumidor".

Desafios da logística

Marcos Lutz ainda reforçou a necessidade de diversificar os modais brasileiros para melhorar a logística da produção do agronegócio nacional. O executivo defendeu o aumento da participação das ferrovias na composição total dos transportes.

"Claramente o agronegócio será uma das principais forças para a economia brasileira nos próximos anos e um dos importantes pilares para sairmos da crise em que estamos hoje", afirmou. Lutz estimou que o desperdício pelos gargalos logísticos no Brasil equivale a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Segundo o executivo, o custo médio do transporte de grãos no País é quatro vezes maior que o de concorrentes, como Argentina e Estados Unidos. Como exemplo, o presidente da Cosan afirma que o transporte de uma tonelada de Lucas do Rio Verde (MT) a Santos (SP) por rodovia custa R$ 310.

"Basicamente gastos em pneus, diesel e caminhões (depreciação) não pagam a conta das estradas de Mato Grosso, que ficam destruídas". Em contraste, se o produto fosse transportado por caminhões até Rondonópolis (MT), e depois enviado via ferrovia ao porto, o custo seria de R$ 270 por tonelada. "Isso inclui o investimento feito (no modal) que, uma vez pago, está pago", esclarece.

O presidente do conselho da Cosan, Rubens Ometto, também destacou a perda de competitividade do agronegócio brasileiro com a logística deficitária. "O que ganhamos no campo, devolvemos nos portos e terminais, isso é um paradigma para o agronegócio brasileiro", afirmou. Ometto e outros participantes do evento disseram que a logística é o principal entrave para o desenvolvimento do setor no País.

"Temos uma malha ferroviária muito aquém do potencial. A prioridade inicial precisa ser terminar os investimentos que já tiveram início para que funcionem com eficiência e no segundo tempo começar a fazer os greenfields", disse.

Para Ometto, um dos caminhos para impulsionar o setor é reduzir a intervenção do governo. "Não podemos ter um governo muito partícipe neste negócio. Eu acredito na livre iniciativa. Quando há isso você resolve boa parte dos problemas, não há corrupção, cada empresário é responsável pelas coisas que faz", afirmou.

Com edição adicional novaCana.com