A Usina Coruripe, grupo sucroenergético com quatro usinas em Minas Gerais e uma em Alagoas, prevê reduzir o nível de alavancagem de 2,5 vezes para menos de 2 vezes até o término da atual safra, em março, podendo diminuí-lo para 1,5 vez até a temporada 2018/19. A projeção foi apresentada nesta terça-feira, 18, pelo diretor-presidente da companhia, Jucelino Sousa, que acrescentou que a dívida líquida da empresa deve fechar o ciclo vigente em R$ 1,9 bilhão. "A ordem no setor é desalavancar", comentou nos bastidores da 16º Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.
Conforme o executivo, a redução no nível de alavancagem deve-se, sobretudo, à maior receita advinda com a comercialização de produtos, em especial açúcar, cujas cotações na Bolsa de Nova York avançaram mais de 50% neste ano. Segundo ele, a Usina Coruripe já fixou 40% dos preços da commodity a ser vendida na próxima safra, a um valor médio de R$ 1.600 por tonelada. Há um ano, a fixação estava em patamar semelhante, mas com cotação média de R$ 1.300 por tonelada. "Já fixamos 40% e podemos avançar um pouco mais. O preço está bastante remunerador, e o momento é de ter disciplina orçamentária", disse.
A Usina Coruripe deve moer na atual safra cerca de 14,6 milhões de toneladas de cana, próximo do limite de capacidade. Com mix de produção voltado ao açúcar (75%), a empresa prevê produzir 1 milhão de toneladas do alimento, 10% mais que em 2015/16.
Sousa avalia que o processamento da Usina Coruripe no próximo ano ficará próximo do registrado nesta safra, mas dependerá menos de cana bisada. Devido às condições climáticas, a companhia deve deixar em pé no campo aproximadamente 500 mil toneladas de matéria-prima para ser colhida em 2017, menos que o 1,3 milhão de toneladas que sobraram de 2015 para 2016. "Tínhamos expectativa de sobra, mas vimos, agora, uma quebra abrupta de produtividade", disse.
Por fim, Sousa afirmou que a Usina Coruripe intensificou neste ano a renovação de canaviais, como "medida de segurança", atingindo 14% da área. Em anos anteriores, o plantio foi menor porque o rendimento das plantações era elevado, de mais de 100 toneladas por hectare, e dispensava investimentos maiores em renovação, explicou.
José Roberto Gomes