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Corredor Verde inicia operação e cria eixo de biometano entre interior paulista e Porto de Santos

TransJordano 5 min de leitura
Corredor Verde inicia operação e cria eixo de biometano entre interior paulista e Porto de Santos
Projeto reúne infraestrutura, tecnologia e combustível renovável para avançar na descarbonização do transporte Foto: Divulgação TransJordano

A TransJordano inaugurou nesta quarta-feira, 7, em Sumaré (SP), o Corredor Verde, projeto criado para ampliar a utilização do biometano no transporte rodoviário de cargas e estruturar um novo eixo de abastecimento entre o interior paulista e a região do Porto de Santos.

Segundo a companhia, a iniciativa terá aproximadamente 450 quilômetros, conectando Ribeirão Preto, Sumaré e Cubatão, com pontos de abastecimento distribuídos ao longo desse trajeto.

A inauguração dá início à implantação operacional de um projeto que prevê 100 caminhões movidos a biometano até dezembro de 2026. O primeiro ponto começa a funcionar em Sumaré neste mês, seguido por Ribeirão Preto, em novembro, e Cubatão, em dezembro. Os veículos terão autonomia de até 700 quilômetros, ampliando o alcance das operações a partir de cada uma das bases.

Durante o evento foi realizado o primeiro abastecimento a biometano da nova frota. O momento simbolizou o início prático da operação do Corredor Verde e marcou a transição do projeto para uma nova etapa, com os primeiros caminhões entrando em rota e a ampliação gradual da frota prevista até o fim do ano.

Em sua fala inicial, o fundador e presidente da TransJordano, João Bessa, destacou que a decisão de investir no biometano acompanha uma mudança que já ocorre entre os próprios contratantes do transporte e reforçou que a infraestrutura foi pensada para atender também outras empresas.

“Os clientes mudaram e hoje têm metas de redução de emissões, e o transporte entra diretamente nessa conta. Decidimos olhar para o futuro e criar uma solução que pudesse funcionar de verdade na operação”, disse.

Ele ainda complementa: “Até dezembro, teremos cem caminhões movidos a biometano, mas entendemos que não bastava ter os veículos: era preciso garantir onde abastecer. É por isso que o Corredor Verde nasce aberto aos nossos clientes, parceiros e também a outras transportadoras. Ninguém descarboniza a logística sozinho”.

Um dos principais diferenciais da iniciativa, segundo ele, é que os pontos de abastecimento serão abertos a outras transportadoras. A infraestrutura será operada pela GarageLog, empresa do Grupo TransJordano que já atua com garagem compartilhada, abastecimento e estruturas de apoio aos motoristas. Na unidade de Cubatão, por exemplo, são recebidos mais de 300 veículos diariamente e movimentados mais de 360 mil litros de combustível por mês.

A proposta é que o Corredor Verde contribua para enfrentar um dos principais desafios para a expansão do biometano no transporte de cargas: a disponibilidade de infraestrutura ao longo das rotas. Com os três polos, o projeto amplia a possibilidade de atendimento a regiões como Campinas, Grande São Paulo, Baixada Santista, norte paulista, Sul de Minas e região de Uberlândia.

Para Jordano Bessa, diretor de Novos Negócios da TransJordano, o projeto nasceu justamente da percepção de que a falta de infraestrutura ainda limitava a adoção do combustível no transporte rodoviário.

“Quando começamos a estudar o biometano, percebemos que um dos maiores obstáculos era não ter onde abastecer nas rotas. Como já tínhamos a experiência da GarageLog e operações importantes em Cubatão, Sumaré e Ribeirão Preto, desenhamos os três pontos e estruturamos o Corredor Verde. O que nasceu para atender nossa operação hoje pode ser utilizado também por outros transportadores e contribuir para a descarbonização da logística brasileira”, relata.

O executivo lembrou ainda que o desenvolvimento da iniciativa começou em junho de 2025 e envolveu estudos com fornecedores, análise de tecnologias, estruturação financeira e adequações para aumentar a autonomia dos caminhões. Os veículos receberam cilindros adicionais e poderão alcançar aproximadamente 700 quilômetros de autonomia, permitindo atender diferentes operações a partir dos polos do corredor.

Com a frota completa, o projeto deverá evitar aproximadamente 6.486 toneladas de CO2 equivalente por ano, segundo verificação independente do Bureau Veritas. A iniciativa também está relacionada às metas de redução das emissões de Escopo 3 de grandes embarcadores, uma vez que a substituição do diesel pelo biometano reduz as emissões associadas ao transporte dentro da cadeia de valor dos clientes.

De acordo com a diretora de ESG e relações institucionais da TransJordano, Joyce Bessa, a inauguração evidencia como projetos ambientais precisam estar associados a planejamento, mensuração e capacidade de execução.

“Chegar à inauguração do Corredor Verde significa transformar uma estratégia de descarbonização em uma estrutura concreta, que pode ser acompanhada e mensurada. Existe um trabalho muito grande por trás disso, envolvendo financiamento, tecnologia, operação, indicadores e muitas pessoas. Para nós, sustentabilidade precisa chegar à prática e produzir resultados que possam ser comprovados ao longo do tempo”, destaca.

Durante a programação, a Ultragaz, responsável pelo fornecimento do biometano utilizado no projeto, apresentou informações sobre o combustível e os aspectos de segurança relacionados ao abastecimento.

Em seguida, a Scania destacou a evolução dos veículos a gás no Brasil e a importância da criação de infraestrutura para ampliar sua adoção, além da incorporação dos 100 caminhões Scania G 460 6x4 à frota da TransJordano e por fim, a WLM Quinta Roda, ressaltou o suporte à operação e anunciou a instalação de um ponto de manutenção dentro da GarageLog, além do atendimento aos veículos ao longo das rotas por meio da rede de concessionárias Scania preparada para essa tecnologia.

Finalizando os pronunciamentos, o prefeito de Sumaré, Henrique do Paraíso, destacou o potencial do projeto para reforçar a posição estratégica do município na logística paulista e atrair novos investimentos associados à sustentabilidade.

“Sumaré tem uma localização privilegiada, próxima de importantes rodovias, de Viracopos, do Porto Seco e das linhas férreas. Agora passa a integrar também esse eixo do biometano, conectando Ribeirão Preto, Sumaré, Cubatão e o Porto de Santos”, afirmou o prefeito.

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