Açúcar: Mercado

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Copersucar atualiza estimativas; superávit global de açúcar pode não se realizar após queda de preços


Agência Estado - Publicado: 05 Jun 2017 - 12:18 | Atualizado: 05 Jun 2017 - 13:38

O presidente da Copersucar, Paulo Roberto de Souza, projetou nesta segunda-feira, 5, que a safra global 2017/18, que se inicia em outubro, pode não registrar um superávit na oferta de açúcar em virtude da acentuada queda nas cotações da commodity na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Em conversa com jornalistas antes de evento para apresentação do RenovaBio a lideranças empresariais, em São Paulo, o executivo informou que, anteriormente, havia uma expectativa de excedente.

Contudo, ele explica que essa projeção era referente a uma expectativa de preços entre 18 centavos e 20 centavos de dólar por libra-peso: "Esse superávit não deve se materializar com [os valores atuais de] 14 centavos de dólar", avaliou. Para a temporada vigente, que se encerra em 30 de setembro, a previsão da Copersucar é de déficit de 2 milhões de toneladas do produto.

"Estávamos esperando um superávit global de 2 ou 3 milhões de toneladas, mas isso mudará com preços menores. Podemos até mesmo ver um equilíbrio no mercado, basicamente sem excedentes ou déficit ", Paulo Roberto Souza (Copersucar)

Souza também comentou as estimativas da companhia para o ciclo 2017/18 no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora de cana-de-açúcar do mundo. A moagem na safra deve alcançar 595 milhões de toneladas, abaixo dos 607 milhões de toneladas registrados em 2016/17.

A produção de açúcar, por sua vez, está estimada em 35,5 milhões de toneladas (ante 36 milhões de toneladas anteriormente), enquanto a de etanol foi ampliada em 300 milhões de litros, indo para 24,5 bilhões de litros. Esse volume adicional, explicou, é resultante da baixa nos preços do açúcar. Com os valores do alimento em queda, as usinas, principalmente aquelas mais distantes dos portos, preferem produzir o biocombustível. A revisão ocorreu nas duas últimas semanas, disse o presidente da Copersucar. "O produtor (de açúcar) não estava esperando uma correção tão forte nos preços."

"Enquanto os preços do açúcar caem, o etanol tem se tornado mais competitivo em comparação com a gasolina em algumas regiões do Brasil, incentivando usinas a ajustar seu mix de produção", Paulo Roberto Souza (Copersucar)

Ele ainda comentou que "Goiás foi o primeiro Estado em que fazer etanol tornou-se mais vantajoso que açúcar" após o recuo nas cotações futuras na Bolsa de Nova York. "Na última semana, em São Paulo, tornou-se indiferente fazer açúcar ou etanol", acrescentou.

Ainda segundo Souza, as usinas do Centro-Sul fixaram em torno de 60% dos preços do açúcar para exportação na safra 2017/18. A recente alta do dólar, em virtude da crise política envolvendo o governo de Michel Temer, fez com que as indústrias "fixassem um pouquinho mais, mas nada relevante", disse o executivo.

Sobre exportações, Souza prevê que o Centro-Sul embarque ao exterior 1 bilhão de litros de etanol neste ciclo. Já o Norte-Nordeste tende a importar 1,2 bilhão de litros, concluiu.

Com informações adicionais da Reuters e edição novaCana.com