O olhar do mercado está voltado para o consumo de etanol do Brasil. A reação do consumidor é uma das principais preocupações dos usineiros, pois os estoques estão em níveis recordes e o preço do biocombustível na bomba continua caindo com intensidade.
Os números mais recentes, apresentados hoje (01) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mostram como o brasileiro se comportou no mês de junho, logo após o fim da greve que paralisou o Brasil.
O resultado foi que o consumo do Ciclo Otto (que engloba gasolina e etanol) teve uma recuperação tímida, ao contrário do Ciclo Diesel que surpreendeu.
O consumo de diesel no Brasil aumentou em 33,1% em relação a maio, passando para 5 bilhões de litros consumidos - no comparativo com o ano anterior o crescimento foi de 7,4%. Já o Ciclo Otto teve aumento mensal de 4,95%, passando de 3,99 bilhões de litros para 4,19 bilhões de litros. Na comparação com o mesmo período do ano passado há, inclusive, uma retração de 6,84%, passando de 4,5 bilhões de litros para 4,1 bilhões de litros.
No acumulado de 2018, o diesel cresceu 0,8%, enquanto a comercialização dos combustíveis do Ciclo Otto está com uma retração alarmante de 4,13% (26,44 bilhões de litros em 2017 para 24,44 bilhões de litros em 2018).
Segundo a ANP, as vendas de diesel em junho tiveram impacto de uma "intensificação dos transportes de carga, após a demanda represada no fim de maio", por conta da greve e queda dos preços nos postos, atendendo às demandas dos grevistas.
Para o setor sucroenergético a relevância maior está no consumo do etanol hidratado. O biocombustível vendido nas bombas alcançou vendas de 1,49 bilhão de litros, 13,38% acima do volume consumido em maio. Em relação ao mesmo período do ano passado o crescimento é de 42,18% (1,04 bilhão de litros).
Mesmo com o consumo de hidratado alcançando 1,5 bilhão de litros em junho, os estoques continuaram crescendo. Em junho os estoques aumentaram 1,87 bilhão de litros, atingindo 6,97 bilhões de litros no total.
O resultado dessa situação foi sentido em julho, quando os preços do etanol nos postos intensificaram sua queda, na esperança de estimular o consumo. Porém, os dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) referentes a primeira quinzena de julho mostraram que os estoques do Centro-Sul cresceram num ritmo ainda maior (ampliando 1,2 bilhão de litros em 15 dias). A consequência foi mais queda de preço do etanol nas usinas e nos postos. Assim, a relação de preços entre etanol e gasolina alcançou 61,1%, o menor valor dos últimos oito anos.
Considerando a preferência do consumidor entre gasolina e hidratado, o renovável foi escolha de 25,13% em junho deste ano – em maio o indicador era de 23,13%. Em junho do ano passado a preferência pelo etanol era bem menor – de 16,46%.
Em São Paulo a opção pelo hidratado é ainda mais evidente, de 43,11%, e no Mato Grosso de 50,88% em junho desse ano.






Gabrielle Rumor Koster – novaCana.com
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