O consumo mensal de etanol hidratado no Brasil ficou estável durante o mês de outubro, em 1,28 bilhão de litros; um mês antes, ele foi de 1,27 bilhão. Por outro lado, em comparação com o mesmo período de 2020, a queda foi de 31,7%.
No acumulado anual, a demanda por hidratado atingiu 14,44 bilhões de litros, no menor resultado para o combustível desde 2017. Para efeitos comparativos, a retração ano a ano foi de 7,5%, uma vez que até outubro de 2020 haviam sido adquiridos 15,62 bilhões de litros pelos consumidores brasileiros. Já em relação a 2019 – recorde da série histórica iniciada em 2000 –, a retração foi de 21,7%.
Os valores foram divulgados na última terça-feira, 30, pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biodiesel (ANP).
Por sua vez, o consumo mensal de gasolina C teve um crescimento de 5,6% no comparativo anual, indo de 3,39 bilhões de litros para 3,58 bilhões de litros. Já o aumento em relação a setembro foi de 2,5%.
No acumulado anual, o volume passou de 28,89 bilhões de litros para 31,81 bilhões de litros, incremento de 10,12%.
Assim, em outubro, a demanda acumulada do ciclo Otto atingiu 42,02 bilhões de litros, ante os 39,93 bilhões de litros de um ano antes, aumento de 5,23%.
Com valores cada vez mais altos nos postos, o etanol tem perdido competitividade ante a gasolina. O biocombustível finalizou outubro custando o equivalente a 78,9% do valor de seu concorrente fóssil, acima do limite de 70% em que é considerado economicamente vantajoso para os motoristas.
Desta forma, a parcela correspondente ao produto dentro do consumo total do ciclo Otto caiu dos 20,51% registrados em setembro para 20,16% em outubro. Levando em conta que, no período de 14 a 20 de novembro, a relação de preço entre os combustíveis foi de 80,2% – a maior desde abril de 2011 – é possível que os dados referentes a novembro tragam uma fatia de mercado ainda menor.
Além disso, a demanda pelo biocombustível completa o quinto mês consecutivo abaixo dos patamares de 2020.
Segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), a perda da competitividade do etanol tem promovido a redução do consumo do produto, fator que levaria a uma retração do seu preço. Isso poderia gerar uma recuperação na demanda e uma estabilização maior de mercado.
Ainda de acordo com dados da entidade, as usinas seguem priorizando a fabricação do anidro em detrimento do hidratado. Conforme números atualizados de safra referentes à segunda quinzena de novembro, a produção acumulada do anidro havia crescido 14,79%, para 10,39 bilhões de litros, enquanto a do hidratado sofreu uma retração de 19,84%, para 15,45 bilhões de litros.






Gabrielle Rumor Koster – NovaCana
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