Etanol: Abastecimento

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Consumo de etanol sofre queda em novembro, mas mantém índices recordes


NovaCana - Publicado: 05 Jan 2016 - 15:51 | Atualizado: 06 Jan 2016 - 07:29

O efeito psicológico do aumento dos preços cobrados pelo etanol nas bombas de combustível pelo País parece ter atingido os consumidores. Isto é o que indicam os números referentes à novembro do ano passado, divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no final de dezembro. O movimento de queda deve ainda se acentuar mais para garantir uma entressafra tranquila.

Os mais recentes números mostram que o consumo do etanol hidratado no Brasil sofreu uma redução de 19% entre outubro e novembro, saindo de 1,73 bilhão de litros para 1,40 bilhão de litros. A maior queda na demanda do combustível renovável foi notada em Minas Gerais, de 28%, saindo de 205 milhões de litros em outubro de 2015, para 146 milhões de litros em novembro do mesmo ano.

A tendência de redução não é surpresa, pois o freio no consumo de hidratado já era esperado após o aquecido consumo entre fevereiro e outubro de 2015, com os preços do etanol subindo nas usinas e os índices de paridade se apresentando cada vez mais desfavoráveis para o renovável de cana. Nos últimos meses de 2015, a maioria dos estados onde o indicador costuma ser vantajoso para o etanol registraram valores de paridade superiores a 70% (pesquisas indicam que, quando o percentual do preço do etanol está acima desse limite em relação ao da gasolina, seu consumo não é vantajoso para o consumidor).

Mais do que esperado, a contenção da demanda pelos preços é um movimento estratégico necessário para a regulação dos estoques em níveis seguros no período de entressafra.

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Consumo ainda é recorde

Mesmo com o movimento de queda do consumo de hidratado, o acumulado do ano continua a confirmar que o Brasil nunca consumiu tanto etanol hidratado como em 2015, especialmente quando se resgata os índices dos últimos 15 anos. Os primeiros onze meses do ano passado registraram um aumento de 40,1% na demanda pelo renovável de cana na comparação com 2014. Em São Paulo, o maior mercado consumidor do País, o índice de aumento foi de 27,4%.

Os números mais expressivos, no entanto, são de Minas Gerais, estado onde o aumento do consumo chega a 145% no acumulado até novembro de 2015. A explicação para a demanda mineira é ocorte no Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) incidente sobre o biocombustível, que impactou na competitividade do combustível no estado ao longo do ano passado.

Tanto do ponto de vista nacional quanto dos estados onde o etanol costuma a ser vantajoso para o consumidor, a queda registrada em novembro de 2015 foi mais acentuada quando comparada com a variação registrada em anos anteriores, reflexo do outubro aquecido para o biocombustível no mercado interno (veja gráficos abaixo).

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Ciclo Otto

Os números da ANP confirmaram a curva de desaceleração do consumo interno de combustíveis, com a diminuição na demanda pelo Ciclo Otto no mês de novembro de 2015. Em outubro, a soma do consumo de Gasolina C e hidratado em gasolina C equivalente foi de 9,4 bilhões de litros, já em novembro o consumo caiu para 8,5 bilhões de litros.

Mesmo com um comportamento de baixa no volume consumido de combustíveis, os meses onde registrou-se pico de consumo dos combustíveis do ciclo Otto foram suficientes para que o acumulado do ano até novembro fechasse em ligeira alta ao consolidado de 2014, passando de 48,32 para 48,67 bilhões de litros. Conforme o gráfico abaixo deixa evidente, a recessão em 2015 deve se refletir na estagnação do consumo de etanol e gasolina (veja gráfico com o crescimento desde 2000).

Dezembro, o último mês de 2015, será crucial para a análise do quanto o momento de recessão vai impactar o comportamento de consumo de combustíveis. É o período, juntamente com janeiro de 2016, que, tradicionalmente, apresenta a maior média de consumo de combustíveis do ciclo Otto, devido aos meses de férias escolares no País, mas que, com a crise, pode apresentar comportamento diferenciado ao de anos anteriores.

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Hidratado X gasolina na preferência do consumidor

A participação do etanol hidratado carburante na preferência do consumidor em relação à gasolina foi de 23,44% no Brasil e 40,49% em São Paulo em novembro de 2015. Em ambos os casos, os percentuais diminuíram em relação ao mês anterior (outubro de 2015). A mesma tendência de queda desta participação também foi observada nos demais estados avaliados: Paraná, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais.

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Para acessar as tabelas e gráficos interativos, acesse aqui a plataforma de dados.

Marina Gallucci – novaCana.com


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