O consumo de etanol hidratado manteve uma tendência de queda em maio. No período, os motoristas demandaram 1,14 bilhão de litros do biocombustível, retração de 2,1% em relação ao consumo de abril. Já em comparação com o mesmo período do ano passado, a queda chegou a 12,5%.
A demanda total por combustíveis do ciclo Otto, entretanto, teve um aumento de 10,6% na comparação mensal, totalizando 4,98 bilhões de litros. O volume também corresponde a uma alta de 14,3% ante os 4,35 bilhões de litros vistos no mesmo período de 2022.
Com isso, o aumento se concentrou na gasolina. O consumo do combustível fóssil, especificamente, foi de 4,17 bilhões de litros em maio – alta de 13,4% no mês e de 21,5% no ano.
Assim, a participação do biocombustível no mercado caiu para 16,3%. Em maio de 2022, este índice era de 21,2%; e em 2021, de 25,5%.
As informações sobre o andamento do mercado de combustíveis em 2023 foram divulgadas na última sexta-feira, 30, pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Mesmo com a alta na produção, comum no início da safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul, o renovável passou por oscilações no preço. Nas bombas, o etanol apresentou quedas apenas na metade de maio, depois de quatro semanas de aumentos.
Em nota, a União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica) confirma que os números de consumo divulgados pela ANP refletem as vendas de etanol anunciadas pelos produtores do biocombustível. Estes volumes são registrados a partir da entrega das usinas para as distribuidoras, explica a entidade.
No acumulado do ano, os abastecimentos com etanol somaram 5,74 bilhões de litros, retração de 10,6% ante os 6,42 bilhões de litros até maio do ano passado. A queda chega a 27,7% em comparação com os 7,93 bilhões de litros vistos em 2021.
A gasolina, por outro lado, se mantém em alta. De janeiro a maio, os motoristas consumiram 19,29 bilhões de litros do combustível fóssil. O acréscimo anual foi de 16,3% e alcançou a maior marca para o período desde o início da série histórica, em 2004.
A StoneX projeta que o consumo de gasolina atingirá recordes em 2023, podendo alcançar 44,6 bilhões de litros até o final do ano. A consultoria, entretanto, também acredita que, com as atuais mudanças tributárias, o etanol possa retomar certa competitividade, o que desaceleraria a demanda pelo fóssil.
No total, a demanda por combustíveis do ciclo Otto até maio chegou a 23,34 bilhões de litros de gasolina equivalente, alta anual de 10,5%. O volume também representa um novo recorde de consumo para o período nos últimos 19 anos.
Em São Paulo, maior estado produtor e consumidor do biocombustível, o abastecimento com etanol hidratado em maio apresentou uma retração anual de 5,3%, alcançando os 604 milhões de litros. No comparativo mensal, a baixa foi de 1,9%. Já o consumo de combustíveis do ciclo Otto chegou a 1,43 bilhão de litros, alta de 11,4% no ano e de 9,9% no mês.
Entre janeiro e maio, o consumo paulista teve uma redução de 2,4%, chegando a 3,07 bilhões de litros. No ano anterior, o volume era de 3,14 bilhões de litros.






Giully Regina – NovaCana
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