Etanol: Mercado

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Consumo doméstico de etanol deve recuar 18% na safra 2025/26, projeta Itaú BBA


Dinheiro Rural - Publicado: 14 Jul 2025 - 15:52

O consumo doméstico de etanol hidratado deve registrar queda de 18% na safra 2025/26, de acordo com projeções do Itaú BBA. A estimativa reflete a perda de competitividade do biocombustível em relação à gasolina, diante do avanço dos preços relativos nas bombas ao longo do ciclo.

Segundo o relatório Visão Agro, elaborado pelo banco, a participação do etanol hidratado no mercado interno tende a recuar em razão da redução na oferta do produto, com usinas priorizando a produção de açúcar, mais vantajosa do ponto de vista econômico.

A expectativa do banco é que a relação entre o preço do etanol e o da gasolina nas bombas do estado de São Paulo se mantenha próxima de 70% durante a safra.

A produção total de etanol no país deve cair cerca de 7% em relação ao ciclo anterior, somando 32,6 bilhões de litros. A fabricação a partir da cana-de-açúcar deve recuar 14%, para 23,1 bilhões de litros, enquanto o etanol de milho deve crescer 16%, totalizando 9,5 bilhões de litros.

Para o etanol anidro, as perspectivas são mais favoráveis. Com o aumento da mistura obrigatória na gasolina de 27% para 30%, anunciado pelo governo federal e válido a partir de 1º de agosto, a expectativa é de alta na demanda já nesta safra. A medida é um desdobramento da Lei Combustível do Futuro, sancionada em 2024, que autoriza a elevação da mistura até 35%.

O banco avalia que essa mudança pode gerar impacto relevante no consumo, tanto em estados onde a gasolina C é mais competitiva quanto em regiões com maior oscilação no uso do biocombustível ao longo do ano. O aumento do teor de etanol anidro na gasolina tende a tornar o consumo mais estável, elevando a presença do biocombustível na matriz.

Na avaliação do Itaú BBA, as tarifas americanas anunciadas em 9 de julho acendem um sinal de alerta, mas o banco destaca que o etanol de cana-de-açúcar praticamente não tem substituto no mercado internacional – mais de 70% das importações dos Estados Unidos vêm do Brasil.

Assim, mesmo com a aplicação das tarifas, a substituição dos pouco mais de 300 milhões de litros por ano exportados pelo Brasil tende a ser difícil.

O banco ressalta ainda que o volume de etanol importado pelos Estados Unidos caiu significativamente nos últimos dez anos e que, hoje, os americanos representam apenas 15% das exportações brasileiras do produto.