O consumo acumulado de etanol hidratado no Brasil em 2021 sofreu uma queda de 12,8% ante 2020, indo de 19,3 bilhões de litros para 16,8 bilhões de litros. Em 2020, o país já havia registrado uma retração no uso do combustível, com a demanda do ciclo Otto derrubada devido à pandemia de coronavírus.
No cenário de preços elevados visto no último ano, o biocombustível subiu 60% nos postos, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Com isso, ele perdeu competividade frente à gasolina, que subiu 46,5%.
Nesse contexto, o consumo de gasolina em 2021 atingiu a marca de 39,32 bilhões de litros, elevação de 9,8% ante os 35,82 bilhões de litros do ano anterior. Os valores ressaltam a maior preferência do consumidor pelo combustível fóssil durante o ano.
No acumulado do ano, o volume abastecido por veículos do ciclo Otto teve um crescimento de 3,5%, indo de 49,44 bilhões de litros para 51,19 bilhões. A elevação marca o início de uma recuperação do mercado, após a maior queda anual desde o início da série histórica, em 2001.
As informações sobre o consumo até dezembro de 2021 foram na última segunda-feira, 31, pela ANP.
Em São Paulo – maior consumidor de combustíveis do país e, também, o maior produtor de etanol – a queda na demanda pelo biocombustível foi de 16,4%, saindo de 10,14 bilhões de litros de litros para 8,47 bilhões. Já o consumo de gasolina subiu 23,3%, para 8,85 bilhões de litros.
Considerando os cinco principais estados produtores de cana-de-açúcar, por sua vez, a maior retração anual foi vista no Paraná, com 23,9%.
Em uma comparação mês a mês, a demanda por hidratado registrou aumento de 17,8% em dezembro de 2021, atingindo 1,27 bilhão de litros. Em novembro, o consumo foi de 1,08 bilhão de litros.
Mesmo assim, o volume foi inferior ao registrado no mês de dezembro dos dois anos anteriores. Em relação aos 1,94 bilhão de litros de 2020, a queda foi de 34,3%; já ante dezembro de 2019, a retração foi de 40,6%.
Nas últimas semanas do ano, o biocombustível registrou queda em seu valor nas bombas. Ainda assim, apenas 18,1% do total abastecido foi com hidratado – um ano antes, esse índice era de 26,9%; dois anos antes, de 29,8%.
Por sua vez, o consumo total de combustíveis no ciclo Otto aumentou 18,3% em dezembro na comparação com novembro, saltando de 4,2 bilhões de litros para 4,97 bilhões. Contudo, o valor ficou 2,3% abaixo do consumo mensal registrado em 2020.






Lucas Vasconcelos – NovaCana
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