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Consultorias mostram tranquilidade sobre estoques de etanol para a entressafra

tanque armazenamento etanol 121115Novos dados dos estoques de etanol divulgados ontem não preocupam a Bioagência, FG Agro e FCStone

NovaCana 6 min de leitura

Na iminência da entressafra, que abrange normalmente os meses de janeiro a março, as preocupações em relação aos estoques de etanol passam a fazer parte da agenda do setor, já que é a época de moendas paradas e produção praticamente inexistente do biocombustível.

No entanto, nesta safra, mesmo com o aumento do consumo do renovável de cana-de-açúcar ao longo de 2015, o que poderia acarretar desequilíbrio nas reservas, consultores indicam que o estoque de etanol deve no máximo operar “no limite”, mas sem indicativos concretos, até o momento, de que possa faltar combustível no mercado ou que será necessário volumes relevantes de etanol importado no trimestre que segue.

Nem mesmo os últimos dados sobre os estoques, divulgados ontem, referente à primeira quinzena de dezembro, que já indicam quedas tanto nas reservas de anidro quanto do etanol hidratado, serviram para reforçar os temores, pois o movimento é visto como natural para o momento da safra.

O portal NovaCana conversou com os consultores da Bioagência, FG Agro e FCStone e apresenta a seguir os argumentos que dão tranquilidade em relação aos estoques e que podem mexer com os preços na entressafra. Veja também gráficos comparando quinzenalmente os estoques atuais com as últimas quatro safras.

Na iminência da entressafra, que abrange normalmente os meses de janeiro a março, as preocupações em relação aos estoques de etanol passam a fazer parte da agenda do setor, já que é a época de moendas paradas e produção praticamente inexistente do biocombustível.

No entanto, nesta safra, mesmo com o aumento do consumo do renovável de cana-de-açúcar ao longo de 2015, o que poderia acarretar desequilíbrio nas reservas, consultores indicam que o estoque de etanol deve no máximo operar “no limite”, mas sem indicativos concretos, até o momento, de que possa faltar combustível no mercado ou que será necessário volumes relevantes de etanol importado no trimestre que segue.

Nem mesmo os últimos dados sobre os estoques, divulgados ontem, referentes à primeira quinzena de dezembro, que já indicam quedas tanto nas reservas de anidro quanto do etanol hidratado, serviram para reforçar os temores, pois o movimento é visto como natural para o momento da safra.

Evolucao-Estoques-de-Etanol-Centro-Sul

A “menor oferta”, segundo analistas, já faz parte da programação tanto de indústrias quanto de distribuidoras. O diretor-executivo da Bioagência, Tarcilio Rodrigues, comenta que, quem trabalha com planejamento, já coloca uma determinada dose de incremento da demanda de gasolina, no caso, do etanol anidro, em detrimento do consumo de etanol hidrato na entressafra. “Isso faz parte dos estoques das usinas e das próprias companhias distribuidoras”, pontua.

Ele acredita que o mercado “está funcionando”, e que a já usual dinâmica de preços e volumes garante que a situação siga de acordo com a necessidade de combustível que será demandada nos próximos meses. E, se por um lado os preços vão controlar a demanda pelo etanol hidratado, por outro, instrumentos de regulação para venda do anidro, entre usinas e distribuidoras, continuam atendendo o necessário para a mistura na gasolina C.

O analista de açúcar e etanol da FCStone, João Paulo Botelho, reforça a leitura de uma entressafra mais tranquila. Para ele, mesmo que se trabalhe com “estoques” bem apertados e, no pior dos cenários, algumas empresas tenham “um pouco de dificuldade” para encontrar o etanol anidro, os instrumentos da Agência de Nacional de Petróleo (ANP) devem ser suficientes para chegar até a próxima safra com abastecimento normal.

O principal instrumento de regulação para garantir a oferta na entressafra é executado pela ANP. Todo início de safra as usinas e distribuidoras precisam firmar contratos de 90% do volume comercializado de anidro na safra anterior. Existe ainda a opção das partes fecharem contratos mensais, porém esta alternativa foi desenhada para não ser tão atraente.

No cenário base da FGAgro, a perspectiva para os estoques também é positiva. Segundo o analista, João Henrique de Lima Rissi, há disponibilidade de em torno de 1,1 bilhão de litros/mês de etanol hidratado na entressafra. “E esse volume de oferta deve garantir a demanda, graças ao ajuste da demanda via preços”, reforça.

Rissi considera que, se a subida recente, em torno dos 73% de paridade não continuar a acomodação das vendas de 1,4 bilhão de litros de novembro para um nível próximo dos 1,1 bilhão de litros/mês, provavelmente a paridade deve se estabilizar em um nível um pouco superior a 73% no período entre safras.

Mesmo considerando que o consumo de hidratado não caia, a FGAgro não trabalha com a importação de etanol ou a possibilidade de reidratação do anidro em volumes relevantes. “Nesse último caso, não enxergamos pressão de demanda forte o suficiente para os players arriscarem o% de mistura acordado com o governo e realizarem reidratação a ponto de causar desabastecimento”, afirma.

Além das variantes naturais do mercado, outro fator que ameniza um pouco a pressão sobre os estoques, segundo os analistas, é a possibilidade de início de moagem antecipada, em março da safra 16/17. “Além de uma disponibilidade de cana bisada muito grande, várias usinas ainda estão em operação, se não a maioria, e algumas vão estender a safra até janeiro, mostrando intenção de emendar a safra”, aponta Botelho.

O que pode colocar os estoques em risco

Os dois principais pontos que oferecem riscos para o cenário de abastecimento são difíceis de conjecturar. Um é a possibilidade de um El Ñino forte o suficiente para que chuvas prejudiquem início da safra até mesmo em abril de 2017. O outro é o efeito psicológico dos preços da gasolina na escolha dos consumidores, mesmo com paridade desvantajosa.

A grande questão é se os consumidores vão passar a consumir gasolina como o previsto, permanecerão com o etanol ou, simplesmente, diminuirão o consumo de combustível. “Nós acreditamos que os preços vão ajustar, mas como estamos lidando com microeconomia pura e preferências de milhões de consumidores fica difícil prever. Se esse consumo não frear, mesmo com a paridade em quase 74%, teremos problemas”, pontua Rissi.

Os meses de dezembro e janeiro também serão cruciais na visão de Botelho para a análise do comportamento de consumo. “É o mês com a maior média de consumo de combustíveis do ciclo OTTO, porque normalmente acontecem mais viagens. Mas em um ano de recessão, como o que estamos, é provável que existirá uma diminuição nesse consumo e isso pode ser um bom indicativo para os estoques”, encerra.

Evolução-Estoques-de-Hidratado-Centro-Sul

Evolução-Estoques-de-Anidro-Centro-Sul

Etanol-total-por-estado

Hidratado-por-Estado

Anidro-por-estado

Marina Gallucci – NovaCana

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