Etanol: Mercado

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Consultoria avalia motivos e consequências do aumento da produção de etanol no Brasil

Datagro analisa os efeitos do incremento do mix alcooleiro e os reflexos no consumo e nos estoques do biocombustível


NovaCana - Publicado: 16 Mar 2026 - 15:49

Estimando uma produção de etanol de 33,89 bilhões de litros para 2025/26 e de 38,42 bilhões de litros para 2026/27, a consultoria Datagro apresenta os fundamentos de preços que motivam uma mudança no mix produtivo das usinas e que justificam este incremento esperado de 13,4% entre as safras.

“Não resta muita dúvida sobre qual é o mix de produção que incentiva o produtor”, expressou o presidente da consultoria, Plinio Nastari, durante evento realizado em Ribeirão Preto (SP) na última quarta-feira, 11.

De acordo com ele, os preços relativos de açúcar e etanol indicam uma vantagem bastante significativa para a produção do biocombustível, tanto hidratado quanto anidro. A diferença entre o preço do açúcar VHP de exportação e do etanol que vai direto na bomba supera os 200 pontos, conforme as contas da Datagro. No caso do anidro, a diferença supera 310 pontos.

Além disso, convertendo os preços do contrato mais ativo em Nova York – de centavos de dólar por libra-peso para reais por tonelada –, o preço do adoçante para exportação está em R$ 1.700/t. O montante é 37,5% abaixo do nível registrado na mesma data do ano passado e 32,5% inferior à média dos últimos cinco anos.

Segundo Nastari, a principal causa desta retração nos preços da commodity é a posição sobrevendida e a especulativa dos fundos. Ele cita que dados recentes, divulgados pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na siga em inglês), apontam que o produto está com uma posição líquida de mais de 241 mil lotes sobrevendidos.

Já os preços de petróleo, por conta dos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, estão atingindo níveis próximos a US$ 120 o barril. Existem restrições e temores, principalmente quanto às companhias de seguro e aos fretes marítimos. Ainda assim, o analista observa que o mercado já chegou a recuar para a faixa de US$ 80 a US$ 90 por barril.

As empresas não estão fazendo seguro para navegações que passem pelo Estreito de Ormuz por conta das ameaças na região, apontou Nastari. “Não é só o risco de os navios serem atacados, mas o fato de que as seguradoras estão se recusando a segurar os navios”, complementa.

Na estimativa da consultoria – divulgada antes do mais recente ajuste da Petrobras –, o preço da gasolina estava defasado em mais de 30% e o do diesel, em 35%. “Isso está, inclusive, estimulando muitos produtores a já reiniciarem as operações de moagem a partir de março”, alega o presidente da consultoria.

A insegurança geopolítica, conforme Nastari, reforça a importância estratégica de produção descentralizada de biocombustíveis. “Mesmo que o preço do petróleo recue, eu acho que aumenta a percepção sobre a importância de o mundo valorizar os biocombustíveis pela segurança que eles oferecem, tanto do ponto de vista de energia quanto de contribuição para a mudança climática”, destaca.

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