
Há mais de dois anos sem vender um único centavo no A-3, onde a concorrência é acirrada e envolve fontes de energia não comparáveis, o setor sucroenergético acredita que no próximo leilão A-5, de 28 de novembro, levará vantagem sobre seus principais concorrentes.
“Vemos o leilão como uma oportunidade para o setor, até porque o preço teto aumentou 37% em relação ao último certame”, disse o gerente de bioeletricidade da Unica, Zilmar Souza, em entrevista ao portal NovaCana.
Veja a seguir mais detalhes sobre os projetos à biomassa cadastrados, os fatores que deverão contribuir para o sucesso das usinas na disputa e a presença das retrofit no mercado.
Com 32 projetos de biomassa cadastrados no leilão A-5 de energia elétrica, previsto para o dia 28 de novembro, a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) espera levar vantagem em relação à outras fontes de energia, como o carvão e o gás natural, principais concorrentes no certame.
Em um evento realizado na última quinta-feira, 9, em Sertãozinho (SP), que abordou os desafios e oportunidades para o aproveitamento da biomassa da cana-de-açúcar na cogeração, o gerente de bioeletricidade da Unica, Zilmar Souza, disse estar otimista quanto a possibilidade de a disputa ser mais vantajosa para as usinas.
“Vemos o leilão como uma oportunidade para o setor, até porque o preço teto aumentou 37% em relação ao último certame”, disse em entrevista ao portal NovaCana.
Há mais de dois anos sem vender um único centavo no A-3, onde a concorrência é acirrada e envolve fontes de energia não comparáveis, a entidade espera repetir o mesmo desempenho alcançado no último leilão.
“Nos dois últimos leilões, tivemos um produto térmico, mas nem o carvão, nem o gás natural compareceram. Foi um leilão para a biomassa”, explica.
Outros dois fatores que deverão contribuir para o sucesso das usinas na disputa é a qualidade do carvão e a disponibilidade do gás natural.
“Tudo vai depender, basicamente, da qualidade do carvão, que no Brasil é ruim. Se o produtor for importado, dependendo do preço, pode ser que ele seja mais competitivo. Já o gás natural depende da questão da disponibilidade. Pelo que temos visto nos últimos meses e anos, este será um leilão para a biomassa”, reitera o sócio da Studio Energia Consultoria e Desenvolvimento, Alessandro Castro. Ele foi um dos palestrantes do 5º Seminário de Bioeletricidade, promovido pela Unica e pelo Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise BR).
Incentivo ao retrofit
Embora reconheça que o governo tenha dado “um importante passo” ao separar a biomassa da cana-de-açúcar da energia eólica nos leilões A-5, Souza defende que é preciso dar continuidade a políticas que reconheçam as externalidades de cada fonte.
“É importante que tenhamos continuidade, um avanço no sentido de melhorar o preço, e de reconhecer os benefícios desta fonte de forma que consigamos estimular o aproveitamento destas mais de 200 usinas que hoje geram energia apenas para o consumo próprio”, analisa.
Souza destaca ainda que o grande potencial da indústria, que hoje é a reforma das usinas existentes, o chamado “retrofit”, ainda não se sentiu completamente estimulado para participar dos leilões.
“Temos apenas 32 projetos de biomassa, sendo que destes, aproximadamente doze são da biomassa de cana”, informa.
“As condições institucionais precisam melhorar, até porque ainda não há um estímulo para a entrada consolidada do retrofit. Por isso, a importância da continuidade deste cenário de melhora no preços, e de uma concorrência efetivamente mais dedicada para a biomassa”, defende.
Estudo recente divulgado pelo Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) aponta que o número de usinas com tecnologia retrofit é de apenas 32%.
Matéria-prima e 2G
Questionado sobre a participação e a relevância do bagaço ou da palha da cana-de-açúcar como matéria-prima para a cogeração, Santos disse que “há espaço para as duas frentes de negócio” e que a “mais rentável” deverá ditar o volume de investimentos nos próximos anos.
Para o gerente da Unica, o fato de o A-5 trazer uma receita ajustada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) num horizonte de 25 anos “ajudará a firmar o conceito de etanol de segunda geração na cadeia produtiva”.
No Brasil, a cogeração tem sido vista como fundamental no negócio de etanol de segunda geração. A Odebrecht Agro chegou a afirmar que vê na bioeletricidade uma “vantagem competitiva” e um “um produto fundamental para o modelo de negócios que nós temos hoje no Brasil na biorrefinaria”.
“A premissa foi de que a gente não poderia, de jeito nenhum, prejudicar a geração de bioeletricidade. O projeto todo foi montado neste sentido, para dar consistência e atratividade econômica”, disse o diretor de inovação e tecnologia da Odebrecht Agroindustrial, Carlos Calmanovici, ao falar sobre a planta 2G do grupo.
A GranBio também conseguiu uma classificação preliminar inédita para o seu E2G na Califórnia (EUA) graças a integração com a cogeração.
Segundo a Unica, o leilão A-5, que acontece em 28 de novembro, conta, ainda que forma discreta, com a presença de 25 projetos ligados ao setor de termelétricas a biomassa, representando 2,4% do total. Estes somam oferta de 1662 MW, apenas 3,26% do montante ofertado.
Os projetos inscritos para o leilão podem ser acessados aqui (.pdf).
Leonardo Siqueira - NovaCana