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Syngenta aposta em nova versão de “semente” da cana

semente cana Novo Plene da SyngentaCom solução que se aproxima do conceito de semente, empresa promete realizar o sonho do setor sucroenergético de ter um plantio de cana mais simples e barato

NovaCana 6 min de leitura

Após lançar em 2010, sem sucesso, uma tecnologia que simplificava o plantio de cana-de-açúcar por meio toletes compactos tratados contra pragas e doenças, a Syngenta volta agora com uma nova versão do produto.

O “Novo Plene”, como foi batizado pela companhia, consiste em cápsulas que contêm gemas de cana-de-açúcar, as quais são resistentes à pragas e oferecem garantia de sanidade.

Plantadas diretamente no solo, as cápsulas, que se aproximam muito do conceito de semente, permitirão uma significativa redução de custos do plantio por hectare para o setor.

“Hoje, são plantados 1,7 milhão de hectares de cana-de-açúcar. Para atingir este número, seriam necessários 350 mil hectares de viveiros secundários. Como o Novo Plene não precisa de uma área para formação de viveiros, estes 350 mil hectares poderiam ser usados para a moagem de cana e a produção de açúcar e etanol. Trata-se de uma receita de R$ 1,6 bilhão por ano”, informa a empresa.

Em entrevista ao portal NovaCana, o diretor de marketing para cana-de-açúcar da multinacional suíça, Leandro Amaral, comenta as apostas da empresa e a disputa por um mercado bilionário, estimado em R$ 2,7 bilhões - valor gasto no Centro-Sul com mudas para renovação de canaviais.

Após lançar em 2010, sem sucesso, uma tecnologia que simplificava o plantio de cana-de-açúcar por meio toletes compactos tratados contra pragas e doenças, a Syngenta volta agora com uma nova versão do produto.

O “Novo Plene”, como foi batizado pela companhia, consiste em cápsulas que contêm gemas de cana-de-açúcar, as quais são resistentes à pragas e oferecem garantia de sanidade.

Plantadas diretamente no solo, as cápsulas, que se aproximam muito do conceito de semente, permitirão ao setor um incremento em sua receita de até R$ 1,6 bilhão.

O novo sistema de plantio é muito mais ágil que o convencional e requer menos cana. “Hoje, são plantados 1,7 milhão de hectares de cana-de-açúcar. Para atingir este número, seriam necessários 350 mil hectares de viveiros secundários. Como o Novo Plene não precisa de uma área para formação de viveiros, estes 350 mil hectares poderiam ser usados para a moagem de cana e a produção de açúcar e etanol. Trata-se de uma receita de R$ 1,6 bilhão por ano”, estima o diretor de marketing da Syngenta para cana-de-açúcar, Leandro Amaral.

As cápsulas da Syngenta: a aposta da empresa para conquistar um mercado de R$ 2,7 bilhõessemente cana syngenta 101014

O produto também promete reduzir o custo de produção da tonelada de cana. “Haverá uma redução de 10 a 15% nos custos da tonelada de cana produzida. Como a tecnologia precisa de menos máquinas e usa equipamentos mais leves, o investimento por hectare do plantio como um todo será otimizado. Não usaremos mais 22 toneladas de cana”, compara.

Gigantes do setor como a Odebrecht Agroindustrial chegam a desviar cerca de 1,120 milhão de toneladas de cana das nove usinas do grupo para a produção de mudas. Quantidade ainda maior é consumida pela Raízen Energia, a maior do país em capacidade de moagem, com 24 usinas.

Solução para o plantio comercial
A aposta da Syngenta, que não tem um concorrente direto para o Novo Plene, está no plantio direto em escala comercial.

Por meio de uma licença exclusiva com a New Energy Farms, a empresa licenciou no Brasil a tecnologia CEEDS, que agilizará o plantio das cápsulas.

Amaral não deu detalhes sobre a tecnologia, mas adiantou a parceira já desenvolveu uma máquina específica para o plantio das cápsulas.

“As máquinas são bastante simples. São equipamentos que têm um conceito similar àqueles que plantam batata, por exemplo. Eles têm um custo de investimento muito menor que uma plantadora convencional de cana”, diz.

No detalhe, tecnologia CEEDS, que agiliza o plantio das “sementes” de canaNo detalhe, tecnologia CEEDS, que agiliza o plantio das “sementes” de cana

Outra possibilidade é a utilização da plantadora de cana da John Deere, desenvolvida para o plantio do Plene, predecessor do Novo Plene que precisou ser retirado do mercado por apresentar problemas técnicos (veja mais detalhes sobre a primeira versão).

Por enquanto, a Syngenta não fechou nenhum contrato comercial para a venda do Novo Plene, e a novidade só deverá estrear no mercado em 2017.

“A tecnologia já foi testada em escala comercial no Canadá e nos Estados Unidos. No Brasil, vamos produzir os primeiros lotes até o início de 2015. Neste período, daremos início aos testes nas áreas da Syngenta, a partir das quais iremos validar as variedades do país, e as diferentes condições de clima e solo”, comenta Amaral.

A multinacional suíça também aposta no plantio direto de outras variedades da planta, como a cana-energia. “Já iniciamos testes nos Estados Unidos em variedades de cana específicas do estado da Lousiana”, revela.

Concorrência

Embora não tenha um concorrente direto para o Novo Plene, a Syngenta busca abocanhar um mercado estimado em R$ 2,7 bilhões - valor gasto no Centro-Sul com mudas para renovação de canaviais.

Só neste ano, com a aprovação de recursos do BNDES e da Finep via PAISS Agrícola, seis planos de negócios focarão em novas tecnologias para o plantio da matéria-prima, com um desembolso de cerca de R$ 160 milhões.

Raízen

A Raízen é uma das selecionadas. Procurada, a empresa preferiu não falar sobre as tecnologias que têm adotado no campo para a propagação da matéria-prima.

Atualmente, a empresa trabalha em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a Verde Potash para o desenvolvimento de um sistema de manejo integrado usando como alicerce o fertilizante TK47.

Basf

Já a empresa de químicos e defensivos Basf conta com uma solução para a formação de viveiros, o AgMusa.

Segundo explica a companhia, no método convencional de multiplicação e formação de viveiros, o produtor multiplica uma nova variedade de cana durante cerca de 6 anos antes do uso comercial. Com o AgMusa, o processo pode ser acelerado para 3 anos.

A muda pré-brotada da Basf concorre com outros dois produtos da Syngenta, o Plene Evolve e o Plene PB, voltados à formação de viveiros.

“As outras empresas têm soluções para plantio de viveiros e a Syngenta é a única a oferecer uma tecnologia para o plantio comercial”, argumenta o executivo da multinacional suíça.

Cápsulas devem começar a ser vendidas em 2017semente cana Novo Plene 101014

Versão 2.0

O Novo Plene é, na verdade, uma substituição ao Plene lançado em 2010, que foi retirado do mercado por apresentar problemas técnicos. Na época, o produto não respondeu positivamente a períodos de estiagem pós-plantio e apresentou dificuldades no próprio cultivo.

Em 2011, antes de retirar o produto do mercado, a Syngenta já tinha fechado US$ 350 milhões em vendas em contratos para cinco anos.

Contudo, foi a partir deste primeiro produto, considerado “revolucionário” por diminuir drasticamente o tamanho dos toletes de cana de 40 cm para cerca de 5 cm, que empresas como Basf e Raízen começaram a apostar em alternativas próprias ao plantio convencional da matéria-prima.

“É essa coragem que está impulsionando toda uma mudança em relação ao plantio de cana-de-açúcar”, finaliza Amaral.

Leonardo Siqueira – NovaCana

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