Algumas das mais importantes refinarias com atuação nos Estados Unidos estão se preparando para pagar valores recordes neste ano por créditos, de modo a atender às regras do programa nacional de combustíveis do país. Um exemplo é a Valero Energy Corp, que já espera que a tendência comprometa seus lucros e está considerando exportar mais para evitar esse custo relativo ao mercado interno norte-americano.
Dentro do programa, conhecido como Renewable Fuel Standard (RFS), refinarias e importadoras de combustíveis devem atingir uma cota de biocombustíveis por meio da mistura de aproximadamente 10% de etanol na gasolina e no diesel. Caso não consigam atingir os volumes mínimos exigidos, as companhias precisam comprar créditos das empresas que estão de acordo com as regras.
Contudo, o custo desses créditos, conhecidos como Renewable Identification Numbers (RINs), saltou nos últimos meses. Segundo o Oil Price Information Service, cada crédito está sendo negociado por, em média, US$ 0,78 – um valor 25% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Um grupo de 10 proprietários de refinarias gastou pelo menos US$ 1,1 bilhão com a compra de RINs na primeira metade de 2016
O aumento se deve aos altos estoques do petróleo, que estão baixando o preço dos barris e desestimulando a compra de combustíveis com mistura pelos consumidores finais. E o setor já sente os reflexos desse quadro: a posição das refinarias e distribuidoras no índice S&P 1500, que analisa as bolsas de valores dos Estados Unidos, caiu 18% ao longo de 2016, enquanto o mercado de maneira geral subiu 6,5%.
Conforme informações da Reuters, na primeira metade de 2016, um grupo de 10 proprietários de refinarias que inclui a Marathon Petroleum Corp gastou pelo menos US$ 1,1 bilhão com a compra de RINs. Com isso, as companhias estão prestes a ultrapassar o recorde de gastos registrado em 2013, que havia atingido a marca de US$ 1,3 bilhão.
Além disso, os executivos das refinarias estão criticando duramente as regulações, afirmando que esses gastos estão levando as companhias aos piores retornos financeiros dos últimos cinco anos.
“Os RINs continuam a ser uma taxa escandalosa sobre os nossos negócios e se tornaram nossa maior despesa operacional, superando salários, manutenções e custos de energia”, afirmou o presidente executivo da CVR Refining, Jack Lipinski.
A CVR Refining, assim como a Delta Air Lines, faz parte de um grupo de refinarias que não realizam misturas e não possuem postos. Essas empresas são as responsáveis pela maior parte das compras de RINs, pois elas não produzem seus próprios créditos. A Delta, em conjunto com um grupo de refinarias, está inclusive desafiando o RFS nas cortes dos Estados Unidos.
Consciente desse tipo de demanda pelos créditos, o CEO da Marathon Petroleum, Gary Heminger, disse que a necessidade de comprar RINs irá ultrapassar a quantidade de créditos disponíveis em breve. Ele ainda afirmou que a companhia está entre as empresas que gostariam de ver uma redução nas metas de combustíveis renováveis.
Já os apoiadores das atuais políticas, incluindo os produtores de milho, acreditam que a regulação está produzindo os efeitos necessários: colocando mais combustíveis renováveis na gasolina e no diesel do país.
Eles ainda argumentam que as refinarias podem evitar os custos com RINs se investirem em operações de mistura. “Companhias que se recusam a misturar combustíveis renováveis acabarão pagando um prêmio aos outros participantes do mercado, incluindo especuladores, mas isso é uma escolha”, afirma a CEO da Growth Energy, Emily Skor. A entidade representa produtores de etanol dos Estados Unidos e defende pautas como o aumento da mistura de etanol na gasolina para 15%.
Já os apoiadores das atuais políticas acreditam que a regulação está produzindo os efeitos necessários: colocando mais combustíveis renováveis na gasolina e no diesel do país
Outros representantes do setor de milho, inclusive, solicitam um aumento das metas. Os atuais números estão abaixo do previsto pelo texto original do programa, aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos em 2007.
Para 2017, por exemplo, a meta envolve um volume 18,8 bilhões de galões (71,16 bilhões de litros) de etanol de milho e outros biocombustíveis, o que representa um aumento de quase 700 milhões de galões (2,65 bilhões de litros) em relação à exigência para 2016.
O volume, no entanto, ainda é bem inferior aos 24 bilhões de galões (90,8 bilhões de litros) prometidos em 2007. Uma disposição na lei permite que a EPA estabeleça montantes menores por uma série de motivos. Neste caso, a agência cita o lento desenvolvimento de certos tipos de biocombustíveis não derivados de milho.
Para escapar da especulação e dos altos preços dos RINs, empresas como a PBF Energy Inc e a Valero Energy estão procurando por oportunidades de exportação. A alternativa é uma opção porque os envios ao exterior não estão sujeitos às metas do RFS, que se referem ao consumo dentro dos Estados Unidos.
O CEO da PBF Energy, Thomas Nimbley, chegou até mesmo a classificar como “muito importante” a realização de uma expansão das operações de exportação da companhia. E ele citou os RINs como um motivador dessa ação.
As refinarias também estão fazendo lobby para mudar a responsabilidade pelo atendimento às metas, que passaria para quem realiza a mistura de gasolina e etanol para o envio aos postos.
Jarrett Renshaw – Reuters
Tradução, adaptação e informações adicionais novaCana.com