O significado de R$1 de lucro, R$1 de dívida e 1 tonelada de cana para as sucroenergéticas. Resultado comparado feito com base em indicadores da FG/A demonstra situação financeira de sete empresas
Quanta cana-de-açúcar uma usina precisa moer para ter um lucro de R$ 1? Quais são os custos de produção que uma empresa tem para cada tonelada de cana moída? Qual é o peso de cada real de dívida sobre o patrimônio de uma empresa?
Embora essas perguntas pareçam vindas de um programa de curiosidades, elas trazem um importante comparativo para companhias do setor de açúcar e etanol – que podem ser extrapolados para diferentes escalas empresariais. “Eu não tenho nenhuma necessidade de ser grande para eficiência industrial”, garante o sócio da FG/A, Willian Orzari Hernandes.
O especialista apresentou uma série de indicadores que permitem compreender a atual situação das usinas brasileiras em contexto, considerando eficiência industrial e financeira. A partir desses números, o NovaCana traz uma nova leitura, questionando o significado de R$ 1 de Ebitda, R$ 1 de dívida e 1 tonelada de cana para sete empresas, que divulgaram seus dados – Alcoeste, Biosev, CMAA, Coruripe, Raízen, São Martinho e Sonora.
“Existem alguns fatores do setor que ajudam a agregar margem, ajudam a agregar resultados que são independentes [do tamanho da empresa]”, afirma Hernandes.
Assim, partir dos indicadores da FG/A que envolvem os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), o NovaCana calculou quanto de cana-de-açúcar uma empresa precisa moer e qual é a receita necessária para as empresas atingirem R$ 1 de lucro.



Quanta cana-de-açúcar uma usina precisa moer para ter um lucro de R$ 1? Quais são os custos de produção que uma empresa tem para cada tonelada de cana moída? Qual é o peso de cada real de dívida sobre o patrimônio de uma empresa?
Embora essas perguntas pareçam vindas de um programa de curiosidades, elas trazem um importante comparativo para companhias do setor de açúcar e etanol – que podem ser extrapolados para diferentes escalas empresariais. “Eu não tenho nenhuma necessidade de ser grande para eficiência industrial”, garante o sócio da FG/A, Willian Orzari Hernandes.
O profissional, que foi um dos palestrantes do NovaCana Ethanol Conference, em São Paulo, apresentou uma série de indicadores que permitem compreender a atual situação das usinas brasileiras em contexto, considerando eficiência industrial e financeira. A partir desses números, o NovaCana traz uma nova leitura, questionando o significado de R$ 1 de Ebitda, R$ 1 de dívida e 1 tonelada de cana para sete empresas, que divulgaram seus dados – Alcoeste, Biosev, CMAA, Coruripe, Raízen, São Martinho e Sonora.
“Existem alguns fatores do setor que ajudam a agregar margem, ajudam a agregar resultados que são independentes [do tamanho da empresa]”, afirma Hernandes. Entre esses fatores ele cita o potencial de expansão, que gera crescimentos de moagem; a proximidade dos consumidores, que reduz custos logísticos; a possibilidade de redução nos custos de transporte de cana-de-açúcar; e o grau de mecanização, com as máquinas representando independência.
De acordo com o executivo, o ‘segredo’ para ter bons resultados está na capacidade de retirar Açúcar Total Recuperável (ATR) do campo. Assim, o que diferencia as empresas ‘em estado de arte’ das demais seria o aproveitamento da matéria-prima, inclusive com a presença de unidades de cogeração eficientes.

“Quando você compara a melhor companhia com a pior, você tem uma diferença de quase 15%”, avalia, e continua: “A observação da eficiência industrial é uma condição principal para ter resultados consistentes, para conseguir um balanço e, assim, se financiar de maneira longínqua e crescer”.
De acordo com ele, decisões de investimento acabam afetando a trajetória das usinas, inclusive ampliando a disparidade entre as usinas nos ciclos de baixa dos preços. Observar gerenciamento de risco operacional, gerenciamento de risco de liquidez, alavancagem, evolução de preços e mudanças de câmbio seriam, então, necessidades diárias dentro das companhias.
O ‘preço’ de R$ 1 de lucro
A partir dos indicadores da FG/A que envolvem os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), o NovaCana calculou quanto de cana-de-açúcar uma empresa precisa moer e qual é a receita necessária para as empresas atingirem R$ 1 de lucro. Na média setorial de 2016/17, calculada com base nos resultados de 42 empresas, as respostas seria 16,8 kg de cana e R$ 2,75, respectivamente.
Contudo, há grandes diferenças entre as sete empresas que tiveram seus dados expostos. Para a São Martinho, por exemplo, seriam necessários 12,67 kg de cana, indicando um melhor aproveitamento da matéria-prima. Já para a Biosev, a quantidade de cana necessária para um Ebitda de R$ 1 seria de 22,79 kg.

Além disso, também foi levantada a posição da dívida das companhias no fechamento do balanço 2016/17. Na média setorial, as sucroenergéticas apresentaram R$ 1,93 de débitos para cada R$ 1 de Ebitda.
O ‘rendimento’ de 1 tonelada de cana
Outra forma de olhar para os indicadores é entender o quanto as usinas conseguem de faturamento e lucro por cada tonelada de cana-de-açúcar moída. Ao mesmo tempo, os dados da consultoria também trazem os custos, seja diretamente com a fabricação de açúcar, etanol e energia elétrica ou externos.
Nesse caso, embora a São Martinho seja a empresa com uma maior eficiência operacional por tonelada, foi a Coruripe quem conseguiu o maior faturamento médio na safra 2016/17, recebendo R$ 208,28/t.

Em relação ao custo-caixa, a São Martinho volta a se destacar com despesas de R$ 76,38 para a fabricação de seus produtos oriundos de uma tonelada de cana – um valor quase 30% abaixo da média setorial de R$ 108/t. Já nas despesas operacionais houve uma grande disparidade entre as empresas, com a Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA) gastando R$ 4,45/t e a Sonora tendo despesas de R$ 44,32/t.
O ‘peso’ de R$ 1 de dívida
Por fim, considerando a posição das dívidas no encerramento do ano-safra 2016/17, os indicadores destacam a disparidade entre os débitos das empresas, suas capacidades de produzir riquezas e seus portes totais.
Na média, as companhias conseguiram um Ebitda de R$ 0,52 para cada R$ 1 de dívida, além de terem registrado um patrimônio líquido de R$ 0,63. Esses números implicam uma alta alavancagem e demonstram a dependência do setor em investimentos externos

Com base nesse número, é possível notar que o maior grupo sucroenergético da atualidade, a Raízen, é quem apresentou o maior patrimônio por real de dívida, com R$ 1,41. Em compensação, São Martinho, Alcoeste, Coruripe, CMAA e Biosev possuíam um patrimônio líquido inferior a seus débitos ao final da safra 2016/17.
Renata Bossle – NovaCana