Depois de realizar o primeiro voo comercial movido a biocombustível – bioquerosene feito a partir de óleo de cozinha – na última quarta-feira (23), a Gol pretende que 200 voos operados durante a Copa do Mundo sejam feitos com combustível renovável, além de o início de uma rota diária com a presença de um carburante mais sustentável.
Para isso, a companhia aérea estabeleceu uma parceria com a empresa de biotecnologia Amyris, que transforma o caldo de cana em farnaseno, uma molécula de 15 carbonos usada na produção de biocombustíveis, como o diesel de cana, e emoliente para a indústria de cosmético.
De acordo com reportagem da
Bloomberg, o vice-presidente da Amyris, Joel Velasco, declarou: "O primeiro desafio é conseguir aprovação para o biocombustível", o qual passará por avaliação da Sociedade Americana de Ensaios e Materiais. "Daí precisamos chegar a um acordo comercial".
A expectativa é que a aprovação da Sociedade Americana de Ensaios e Materiais saia até dezembro e que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis autorize o uso do combustível até fevereiro de 2014.
"A Gol apoia todas as iniciativas que ajudem a fazer com que a aviação brasileira seja mais sustentável", disse o presidente da companhia, Paulo Kakinoff.
Participante do projeto Céus Verdes do Brasil, a empresa afirma ter ajudado a reduzir as emissões de gases do efeito estufa (GEE) em aproximadamente 30 mil toneladas no último ano, devido a iniciativas de economia de combustível. O uso do biocombustível produzido pela Amyris pode, de acordo com análises, ajudar a diminuir em 80% as emissões de GEE.
A falta de autorização para uso do biocombustível não é, porém, o único fator que dificulta o uso. Pesa também o custo do produto, que conforme a Gol chega a ser quatro vezes mais caro que o querosene de aviação, hoje custando cerca de R$ 2,40 o litro, sendo que a companhia pode demandar até 80 mil toneladas de combustível renovável (considerando uma mistura de 10%).
Além disso, será necessário construir estrutura logística para garantir o fornecimento do biocombustível nos aeroportos.
Vivian Faria – novaCana.comCom informações do
Valor Econômico