A produção de combustíveis fósseis é uma alavanca para garantir a transição energética no Brasil e no mundo, afirmou o CEO da consultoria Eurasia Group, Ian Bremmer, durante o lançamento do B20 Brasil, fórum de diálogo empresarial do G20, nesta segunda-feira, 29, no Rio de Janeiro (RJ).
O executivo ressaltou que o Brasil está mais bem posicionado para se tornar uma economia de baixo carbono do que países desenvolvidos, pois é uma superpotência verde e “tem muitos recursos em um momento em que o mundo precisa de recursos”.
“A produção de combustíveis fósseis é uma alavanca no Brasil. Terá um custo, terá pressão, mas será uma alavanca. Também para o mundo desenvolvido, para assegurarmos que mais recursos, mais capital sejam alocados para essa transição”, disse.
Segundo Bremmer, os desafios para essa transição estão nas mudanças regulatórias necessárias para incentivar o desenvolvimento desses novos mercados e, ao mesmo tempo, manter os diferenciais do país, como a biodiversidade.
“Para mim, as questões-chave estão nesse lado positivo da agenda. O Brasil terá sucesso na criação de um mercado de créditos de carbono? A legislação necessária para regular o hidrogênio verde, os biocombustíveis e eólica offshore, junto com o progresso no desmatamento?”, questiona.
O ponto negativo, segundo o especialista em risco político, é a dificuldade para lidar com a desinformação e seus efeitos sobre a estabilidade política, um problema comum a vários países, especialmente os EUA.
Segundo Bremmer, o Brasil deve investir em seu capital humano, para recuperar o tempo perdido em relação aos países mais ricos e desenvolver as capacidades necessárias para aproveitar as novas revoluções tecnológicas, como o avanço da inteligência artificial.
“Está acontecendo muito rápido. E eu conversei com pouquíssimos líderes no Brasil que realmente entendem o momento da IA enquanto uma tecnologia atualmente. Com certeza eu estou aqui com a cabeça girando com essa discussão”, afirma.