
Na semana de 27 de maio a 2 de junho, a instabilidade gerada pela greve dos caminhoneiros influenciou tanto no preço dos combustíveis nas bombas do país quanto no número de postos que fazem parte do levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
De acordo com os dados divulgados, dos 5.800 postos normalmente pesquisados, o levantamento só foi feito em 485.
Ainda assim, o aumento nos preços da gasolina e do etanol mantiveram uma relação favorável para o biocombustível. Na média nacional, o preço do renovável de cana correspondeu a 64% do valor de comercialização da gasolina – inferior à paridade energética comercialmente estabelecida em 70%.
O indicador teve um aumento de 0,78%, quebrando a tendência de queda que começou em março de 2018.

De acordo com a ANP, entre 27 de maio e 2 de junho, o preço do etanol nos postos aumentou em 14 estados e no Distrito Federal, recuou em sete e não foi registrado em Santa Catarina, Pernambuco, Tocantins, Amapá e Roraima.
Assim, o preço médio do etanol a nível nacional passou de R$ 2,818 para R$ 2,953 por litro. O aumento de 4,79% é o segundo desde o início de abril e 292% maior que o anterior.
Já o valor médio da gasolina teve um aumento de 4,03%, passando de R$ 4,435 para R$ 4,614 por litro, batendo recordes de preço na série histórica desde 2013. O combustível recuou apenas na Bahia, no Rio Grande do Sul e no Acre, e se valorizou nos outros 18 estados e no Distrito Federal.
Mesmo com a instabilidade observada na semana passada, o biocombustível conseguiu manter sua vantagem em Goiás, São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais e Paraná pela quarta semana consecutiva.

Nos postos mineiros, o preço médio do etanol subiu 8,94% e o da gasolina, 4,62%. Ainda assim, a relação média entre eles se manteve favorável ao biocombustível, com 66,1%.
São Paulo registrou um aumento de 6,06% no preço do etanol em relação à análise anterior. O maior aumento no preço médio da gasolina, de 7,29%, a relação entre os combustíveis caiu novamente e chegou a 62,2%.
Dentre os estados onde o biocombustível segue valorizado, Goiás foi o único onde seu preço caiu entre os dias 27 de maio e 2 de junho. Com uma redução de 1,12%, enquanto a gasolina subiu 2,37%, a relação comercial entre eles chegou a 58,4% e é a menor do país.
Já em Mato Grosso, o etanol subiu 3,46% e a gasolina 5,56%, mantendo a relação entre eles positiva para o biocombustível, com 58,6%. O estado ainda apresentou o menor valor de etanol do país, chegando a R$ 2,692 o litro.
Enquanto isso, no Paraná os dois combustíveis novamente tiveram um aumento no preço médio, mas a relação entre eles se manteve favorável ao biocombustível, em 67,5%.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2001 estão disponíveis na planilha interativa (acesso exclusivo para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Nas usinas, o preço do biocombustível voltou a subir em Mato Grosso, Goiás e São Paulo.
O Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado no estado paulista mostra que sua cotação aumentou 2,33%, acumulando uma alta de 17,3% nas últimas 37 análises.
Em Mato Grosso, por sua vez, a cotação do etanol hidratado voltou a subir, com um aumento de 0,38% na última análise. No período acumulado, a valorização é de 11,2%.
Já em Goiás, a cotação do etanol nas usinas aumentou 1,78% entre as duas últimas análises. Assim, o acumulado nas últimas 41 semanas é de 17,7%.
Rafaella Coury - novaCana.com