Os estoques de açúcar na Índia se tornaram um grande problema para o governo local
Os estoques de açúcar na Índia se tornaram um grande problema para o governo local. Atingindo os maiores níveis dos últimos sete anos, a commodity motivou o primeiro-ministro Narendra Modi a considerar diversas alternativas, entre elas a obrigatoriedade de exportação por parte das usinas, inclusive com subsídio governamental. A possibilidade assustou o mercado mundial, uma vez que os preços do açúcar demerara na bolsa de Nova York estão em queda.
No entanto, a primeira medida oficialmente anunciada veio por meio do Ministério do Petróleo, que decidiu incentivar a produção de álcool combustível. A partir de outubro deste ano, será obrigatório vender gasolina com 10% de etanol.
Os estoques de açúcar na Índia se tornaram um grande problema para o governo local. Atingindo os maiores níveis dos últimos sete anos, a commodity motivou o primeiro-ministro Narendra Modi a considerar diversas alternativas, entre elas a obrigatoriedade de exportação por parte das usinas, inclusive com subsídio governamental. A possibilidade assustou o mercado mundial, uma vez que os preços do açúcar demerara na bolsa de Nova York estão em queda.
No entanto, a primeira medida oficialmente anunciada veio por meio do Ministério do Petróleo, que decidiu incentivar a produção de álcool combustível. A partir de outubro deste ano, será obrigatório vender gasolina com 10% de etanol.
Atualmente, a Índia já realiza a mistura de 5% de etanol à gasolina, mas grandes empresas petroleiras têm permissão para misturar apenas 2% – um privilégio que deve permanecer apenas até o final do ano.
“As usinas de cana foram avisadas para aumentarem a produção de etanol de modo a atender a nova demanda de 2,3 bilhões de litros”, afirmou um oficial do governo ao The Hans India.
“Economicamente, faz sentido fabricar maiores quantidades de etanol em relação ao açúcar, considerando a grande queda nas taxas de açúcar em vista dos grandes estoques existentes tanto no mercado doméstico quanto global”, acrescenta o oficial.
No entanto, a repercussão entre as usinas do país com relação ao novo programa de etanol foi considerada fraca. Esse ano, as grandes empresas de petróleo compraram 820 mil litros de etanol contra o 1,33 milhão considerado necessário para a mistura à gasolina.
Medida ajuda, mas é insuficiente
A necessidade do país asiático aumentar a produção de etanol, pode ajudar a reduzir o excedente doméstico de açúcar e também tirar parte da pressão indiana sobre o mercado mundial da commodity. Atualmente, a produção de açúcar na Índia é considerada a segunda maior do mundo, sendo que o país é também o maior consumidor mundial.
Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção estimada para a safra 2014/2015 (de outubro a setembro) é de 351 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
Já de acordo com os números oficiais, o país gerou 28,3 milhões de toneladas de açúcar. Isso resulta em um mix de produção que beneficia o açúcar com mais de 60% da cana sendo utilizada para esse fim.
Vale acrescentar que a demanda doméstica de açúcar estimada para esse ano é de 25 milhões. Dessa forma, a previsão é que o estoque final de açúcar no período chegue a 10 milhões de toneladas.
Recentemente, conforme noticiado pelo jornal The Hans India, o primeiro-ministro se pronunciou sobre o assunto. De acordo com Modi, a produção de etanol em grandes quantidades é uma solução a longo prazo para os estoques superlotados das usinas, que devem mais de 145 milhões de rúpias (aproximadamente R$ 7,8 milhões) para os produtores de cana-de-açúcar.
Além disso, segundo análise da empresa global de consultoria McKinsey, originalmente publicada pelo The Economic Times, a Índia pode economizar até U$ 1,7 bilhão anualmente em transações internacionais de petróleo com a nova medida.
Para a McKinsey, a indústria indiana de açúcar está enfrentando a sua pior crise nos últimos 30 anos. Além do débito com os produtores, as dívidas das usinas com instituições financeiras chegam a 650 milhões de rúpias (aproximadamente R$ 34,8 milhões).
“Para balancear a situação de oferta e demanda, entre 4 e 6 milhões de toneladas de açúcar precisam sair do sistema por meio de exportações ou outras medidas”, acrescenta o sócio da McKinsey na Índia, Avinash Goyal.
Com a produção de cana-de-açúcar superior à demanda, a empresa de consultoria aponta que muitas usinas estão trabalhando com margens inadequadas de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) há quase cinco anos.
Renata Bossle – NovaCana
Com informações do The Hans India e do The Economic Times