Aditivo multifunção está sendo testado em seis usinas em São Paulo, Minas Gerais e Goiás
Uma empresa de fertilizantes que até pouco tempo era desconhecida do setor sucroalcooleiro, começa a ganhar espaço num mercado gigantesco e pouco explorado: o de fertilizantes para a cana-de-açúcar.
Uma das principais apostas da empresa, um aditivo multifunção que promete uma reviravolta nos canaviais, está sendo testado em seis usinas em São Paulo, Minas Gerais e Goiás. As unidades representam pouco mais de 10% do volume total de moagem do setor e a parceria envolve uma grande companhia do setor.
Um projeto de otimização do produto deverá receber recursos do Plano de Apoio à Inovação Tecnológica Agrícola do Setor Sucroenergético, o PAISS Agrícola. Outro plano da empresa, para a construção de uma fábrica orçada em R$ 280 milhões, já recebeu a aprovação do programa Inova Agro, também do BNDES.
Saiba mais sobre qual é o produto e como ele pretende causar uma reviravolta nos canaviais.

A Verde Potash, uma empresa de fertilizantes que até pouco tempo era desconhecida do setor sucroalcooleiro, começa a ganhar espaço num mercado gigantesco e pouco explorado: o de fertilizantes para a cana-de-açúcar.
Uma das principais apostas da empresa, o TK47, aditivo multifunção que promete uma reviravolta nos canaviais, está sendo testado em seis usinas em São Paulo, Minas Gerais e Goiás. A parceria envolve uma das grandes companhias do setor, mas os detalhes são mantidos em sigilo.
Além disso o projeto deverá receber recursos do Plano de Apoio à Inovação Tecnológica Agrícola do Setor Sucroenergético, o PAISS Agrícola.
Segundo estima o presidente da companhia, Cristiano Veloso, estas usinas representam pouco mais de 10% do volume total de moagem do setor. Um número expressivo, especialmente para um mercado em que os 10 principais players respondem por menos de 45% do market share de moagem da indústria.
Após passar pelo escrutínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a empresa teve seu plano de negócios aprovado no âmbito do PAISS Agrícola, e deverá receber R$ 57,5 milhões através de crédito reembolsável, recurso que será utilizado para otimizar o produto. O repasse está sujeito à avaliação do banco, que analisará os riscos do projeto e a viabilidade econômica do negócio.
O plano foi aprovado na linha 3, que contempla sistemas integrados de manejo, planejamento e controle da produção.
“Trata-se de um sistema de manejo integrado para a cultura de cana-de-açúcar, o qual permitirá ao produtor aumentar a rentabilidade, a produtividade (TCH) e a sustentabilidade do seu negócio”, disse Veloso por telefone de seu escritório em Belo Horizonte.
Sem mencionar detalhes, o CEO comentou apenas que os ganhos nos canaviais, tanto em termos de produtividade, quanto rentabilidade serão “expressivos”.
Sabe-se, porém, que uma pesquisa de dois anos realizada pela Universidade Federal de Uberlândia na Companhia Energética Vale do São Simão, em Santa Vitória (MG), mostrou resultados positivos em relação ao uso do TK47 ou termopotássio, como também é conhecido.
A usina do Grupo Andrade usou o TK47 em duas safras, a de 2011/2012 e a de 2012/2013. No primeiro corte, a aplicação de 50 kg do produto junto com K2O gerou três toneladas de cana por hectare a mais em relação a aplicação, na mesma safra, do dobro de cloreto de potássio, a 100 kg. Já no segundo corte a diferença foi de doze toneladas, embora a quantidade de termopotássio e cloreto de potássio utilizada tenha sido a mesma: 100 kg.
Comercialização
Dos R$ 57,5 milhões pleiteados junto ao BNDES, a companhia pretende usar R$1 milhão a fim de conduzir um “teste em maior escala” com um parceiro específico.
“O teste será feito numa escala maior. O objetivo é já pensar na formatação desse sistema de manejo integrado, porque o produto permite a redução de potássio, a redução de defensivo químico, e também permite o condicionamento do solo sob a superfície”, detalhe o presidente da Verde Potash.
A produção de termopotássio ou TK47 está atrelada à construção de uma planta produtiva, localizada na região de São Gotardo (MG), no Alto Paranaíba. O projeto está orçado em R$ 280 milhões e já recebeu a aprovação do programa Inova Agro, do BNDES. O banco deverá entrar com R$ 250 milhões de reais para a iniciativa. Os recursos pleiteados junto ao BNDES cobrem 90% da necessidade de investimento da empresa. Já os 10% restantes, serão investidos do capital de acionistas.
O início das operações do termopotássio depende, ainda, da aprovação de uma licença ambiental, etapa que o executivo diz estar “avançando”.
Conforme adiantado pelo portal NovaCana, o custo operacional total para produzir o produto é de U$55,29 por tonelada. Valor significativamente menor que os U$274/tonelada para a produção, nos primeiros anos, do cloreto de potássio, outro produto a ser produzido pela empresa.
Apoio das usinas
Embora o BNDES já tenha sinalizado um interesse na empresa duas vezes – primeiro por meio do Inova Agro e agora, mais recentemente, através do PAISS Agrícola – a Verde Potash aos poucos ganha também a confiança das usinas.
Tanto que desde 2008 está em conversas com a indústria, e já recebeu, inclusive, uma sinalização de que grupos do setor teriam interesse no produto, independentemente dos aportes do governo federal.
“O produto não depende única e exclusivamente do BNDES. Algumas destas usinas já discutiram algum tipo de parceria e estamos de portas abertas para conversar com elas”, sinaliza o executivo.
Segundo Veloso, o TK47 oferece uma série de vantagens em relação ao cloreto de potássio (KCl), principal fertilizante utilizado atualmente na cultura de cana. Além de aumentar a produtividade das plantações, o defensivo reduz a emissão de gás carbônico, é resistente contra pragas como a broca, não tem cloro e aumenta a eficiência hídrica da cana.
“Ele também está alinhado com o plantio mecanizado. Inclusive, o produto representa uma oportunidade fantástica para se aproveitar resíduos industriais, em especial, a torta de filtro”, complementa.
Segundo estimativas do executivo, a cana-de-açúcar consome, em média, 10% de todo o fertilizante que é produzido no Brasil. Já o consumo de potássio, produto amplamente utilizado nos canaviais, chega a 15%. No ano passado, as vendas totais de fertilizantes alcançaram 31 milhões de toneladas.
Leonardo Siqueira – NovaCana