A colheita de soja e milho progrediu de forma lenta no Rio Grande do Sul na última semana devido às enchentes que atingiram o estado, resultando também em perdas produtivas “elevadas”, de acordo com a Emater, o órgão de assistência técnica do estado.
A Emater indicou que os produtores gaúchos colheram 78% dos campos de soja, o que representa um avanço de apenas dois pontos em relação à última quinta-feira. Pela média histórica, o estado deveria ter colhido 89% das áreas nesta época.
Além disso, os gaúchos avançaram pouco também com a colheita de milho, que atingiu 86% da área, um avanço de três pontos percentuais em relação à semana anterior. Segundo dados da Emater, os produtores gaúchos plantaram milho em cerca de 812 mil hectares e soja em quase 6,7 milhões de hectares.
“No milho, as elevadas precipitações em curtos períodos não apenas inviabilizaram a colheita, como também decorreram em perdas significativas para a cultura”, afirmou o relatório da Emater. “As regiões administrativas de Lajeado e Caxias do Sul apresentaram prejuízos expressivos, que chegaram a 100%, em algumas lavouras”.
Segundo a Emater, a alta umidade, associada às temperaturas elevadas, proporcionou condições favoráveis para a germinação de grãos na espiga. Uma das poucas exceções é a região de Pelotas, onde as áreas de milho estariam com bom desenvolvimento, apesar de dias seguidos com tempo chuvoso.
Neste momento, a Emater tenta quantificar as potenciais perdas nas lavouras resultantes das fortes inundações, bem como a extensão dos danos causados aos silos de alimentos localizados em regiões mais baixas, disse o diretor técnico da Emater, Claudinei Baldissera.
De acordo com ele, é possível que armazéns de soja e arroz tenham sido atingidos. O diretor ainda acrescentou que apenas nas próximas semanas será possível aferir melhor as perdas nas lavouras e os danos às estruturas de armazenamento.
Em relatório, o órgão já afirmou que “algumas infraestruturas de armazenagem de grãos também foram danificadas, o que pode afetar a produção colhida anteriormente”. Além disso, a Emater também observou problemas para o escoamento da produção.
“Algumas estradas vicinais, importantes para o transporte dos grãos, foram severamente danificadas pelo tráfego de caminhões carregados, formando grandes atoleiros com dezenas de veículos”, informou, observando que a impossibilidade de escoamento da safra, associada à alta umidade, acelera o processo de fermentação dos grãos ainda durante o transporte.
Ana Mano e Roberto Samora