Os dois prejuízos consecutivos do braço sucroenergético da espanhola Abengoa no Brasil, de R$ 140,9 milhões e de R$ 151,7 milhões nos dois últimos balanços anuais, são apenas uma parte de um cenário que envolve bilhões de dólares investidos em várias partes do mundo e o maior pedido de recuperação judicial da Espanha. Além de negócios globo afora, estão em jogo dezenas de projetos de transmissão de energia inacabados espalhados pelo Brasil, além das duas usinas de açúcar e etanol no interior de São Paulo.
A dura crise enfrentada pela Abengoa foi escancarada após o anúncio, por sua matriz espanhola, há menos de dois meses, de um pedido preliminar de proteção contra credores. A situação traz riscos para continuidade de negócios da companhia em diversos países, incluindo o Brasil.
E no meio desse mar de notícias que evidenciaram a sua delicada situação financeira, a empresa espanhola ganhou, na semana passada, uma das muitas brigas que tem pela frente, mas que ajudará a companhia a recuperar um pouco do fôlego nas suas operações brasileiras.
O braço de bioenergia da empresa que, desde de dezembro, sofria com o bloqueio dos seus bens, agora, no início do ano, conseguiu anular — em parte —a ação que determinava o congelamento. A ação foi reflexo da onda de especulações que ronda o futuro das operações brasileiras, que surgiram desde que a tentativa do grupo espanhol de evitar que os credores solicitem a insolvência da companhia veio a público.
A Abengoa Bioenergia Brasil tem duas usinas de cana-de-açúcar, em Pirassununga e São João da Boa Vista, no Estado de São Paulo. Além disso, junto com a GranBio e a Raízen, forma o trio de empresas que possui projetos de etanol celulósico em escala comercial no Brasil, financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O novaCana apresenta a seguir detalhes sobre as perspectivas das usinas no Brasil, as dúvidas sobre as operações da empresa, o futuro do projeto de etanol celulósico no Brasil e o desenvolvimento do caso que deve ganhar contornos definitivos nas próximas semanas.
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