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Em colapso financeiro, usinas da Abengoa têm futuro ameaçado

Abengoa sinal vermelho 140116O NovaCana apresenta a seguir detalhes sobre as perspectivas das usinas no Brasil, as dúvidas sobre as operações da empresa, o futuro do projeto de etanol celulósico no Brasil e o desenvolvimento do caso que deve ganhar contornos definitivos nas próximas semanas

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Os dois prejuízos consecutivos do braço sucroenergético da espanhola Abengoa no Brasil, de R$ 140,9 milhões e de R$ 151,7 milhões nos dois últimos balanços anuais, são apenas uma parte de um cenário que envolve bilhões de dólares investidos em várias partes do mundo e o maior pedido de recuperação judicial da Espanha. Além de negócios globo afora, estão em jogo dezenas de projetos de transmissão de energia inacabados espalhados pelo Brasil, além das duas usinas de açúcar e etanol no interior de São Paulo.

A dura crise enfrentada pela Abengoa foi escancarada após o anúncio, por sua matriz espanhola, há menos de dois meses, de um pedido preliminar de proteção contra credores. A situação traz riscos para continuidade de negócios da companhia em diversos países, incluindo o Brasil.

E no meio desse mar de notícias que evidenciaram a sua delicada situação financeira, a empresa espanhola ganhou, na semana passada, uma das muitas brigas que tem pela frente, mas que ajudará a companhia a recuperar um pouco do fôlego nas suas operações brasileiras.

O braço de bioenergia da empresa que, desde de dezembro, sofria com o bloqueio dos seus bens, agora, no início do ano, conseguiu anular — em parte —a ação que determinava o congelamento. A ação foi reflexo da onda de especulações que ronda o futuro das operações brasileiras, que surgiram desde que a tentativa do grupo espanhol de evitar que os credores solicitem a insolvência da companhia veio a público.

A Abengoa Bioenergia Brasil tem duas usinas de cana-de-açúcar, em Pirassununga e São João da Boa Vista, no Estado de São Paulo. Além disso, junto com a GranBio e a Raízen, forma o trio de empresas que possui projetos de etanol celulósico em escala comercial no Brasil, financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O NovaCana apresenta a seguir detalhes sobre as perspectivas das usinas no Brasil, as dúvidas sobre as operações da empresa, o futuro do projeto de etanol celulósico no Brasil e o desenvolvimento do caso que deve ganhar contornos definitivos nas próximas semanas.

Os dois prejuízos consecutivos do braço sucroenergético da espanhola Abengoa no Brasil, de R$ 140,9 milhões e de R$ 151,7 milhões nos dois últimos balanços anuais, são apenas uma parte de um cenário que envolve bilhões de dólares investidos em várias partes do mundo e o maior pedido de recuperação judicial da Espanha. Além de negócios globo afora, estão em jogo dezenas de projetos de transmissão de energia inacabados espalhados pelo Brasil, além das duas usinas de açúcar e etanol no interior de São Paulo.

A dura crise enfrentada pela Abengoa foi escancarada após o anúncio, por sua matriz espanhola, há menos de dois meses, de um pedido preliminar de proteção contra credores. A situação traz riscos para continuidade de negócios da companhia em diversos países, incluindo o Brasil.

E no meio desse mar de notícias que evidenciaram a sua delicada situação financeira, a empresa espanhola ganhou, na semana passada, uma das muitas brigas que tem pela frente, mas que ajudará a companhia a recuperar um pouco do fôlego nas suas operações brasileiras.

O braço de bioenergia da empresa que, desde de dezembro, sofria com o bloqueio dos seus bens, agora, no início do ano, conseguiu anular — em parte —a ação que determinava o congelamento. A ação foi reflexo da onda de especulações que ronda o futuro das operações brasileiras, que surgiram desde que a tentativa do grupo espanhol de evitar que os credores solicitem a insolvência da companhia veio a público.

A Abengoa Bioenergia Brasil tem duas usinas de cana-de-açúcar, em Pirassununga e São João da Boa Vista, no Estado de São Paulo. Além disso, junto com a GranBio e a Raízen, forma o trio de empresas que possui projetos de etanol celulósico em escala comercial no Brasil, financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Com a notícia do derrubamento parcial da liminar que determinava a indisponibilidade patrimonial dos ativos da empresa com arresto de bens, na semana passada, a Abengoa Bioenergia Brasil está liberada para movimentar suas aplicações financeiras e acessar seu fluxo circular de caixa para cumprir suas obrigações cotidianas.

Continuam limitadas o arresto e restritas a remessas de bens e valores para o exterior, alienação de imóveis e alteração do controle acionário, porém foi afastada a constrição sobre todos os demais bens e valores de propriedade da Abengoa Bioenergia até que o colegiado analise o tema.

Segundo informações repassadas pela companhia, a empresa considera que dessa forma serão evitados danos de difícil reparação, como a impossibilidade de pagar salários pelo bloqueio da contas ou de comercializar produtos, em decorrência do arresto de estoque.

A liminar que congelou as transações da Abegoa Bioenergia foi demandada pelo Sindicato Rural de Santa Cruz das Palmeiras, sob a alegação de que a empresa deixou de cumprir seus compromissos financeiros e legais junto a seus fornecedores de cana-de-açúcar.

No ano passado, plantadores de cana-de-açúcar na região de São João da Boa Vista declararam que estavam sem receber há pelo menos cinco meses pela matéria-prima fornecida, além de muitos ainda terem cana no campo aguardando colheita. Mais recentemente, no início deste ano, proprietários que arrendam terras onde a usina planta cana-de-açúcar, declararam que a dívida junto a eles era estimada em torno de R$ 60 milhões.

Empresa planejaria sair do País

O ponto mais espinhoso na ação, que foi parcialmente anulada agora, era a alegação de que os representantes legais da Abengoa “estariam dilapidando bens e planejando deixar o Brasil, o que causaria prejuízo aos filiados do sindicato, produtores rurais que têm na multinacional sua única fonte de sustento e não teriam garantia de um possível ressarcimento no futuro”.

Sobre as hipóteses levantadas pelo sindicato que entrou com pedido na justiça contra Abengoa, a empresa afirmou em comunicado que elas estão totalmente descartadas. “Não vamos, de maneira alguma, encerrar nossas atividades. Também não existe a menor intenção de deixarmos o país, acreditamos no Brasil”.

Para quem conhece o histórico desse capítulo da empresa, a notícia traz mais uma nuance a esse intricado episódio da companhia. Devido à representatividade da Abengoa no setor, a crise da companhia na Espanha torna-se uma ameaça aos projetos de energia brasileiros, nos quais a empresa vinha usando impasses no licenciamento ambiental para justificar atraso em projetos.

Após o anúncio na Espanha, a Abengoa declarou que está concentrada na busca de uma "solução no mercado" para os empreendimentos que desenvolve no Brasil e que estão com obras paralisadas.

A espanhola chegou a dizer à Agência Nacional de Energia Elétrica que "decidiu paralisar as obras em curso" no Brasil, independentemente do estágio dos empreendimentos, e que estava em tratativas "há algum tempo" para vender ativos ou encontrar parceiros para os projetos no Brasil, segundo notas de uma reunião entre a companhia e a Aneel às quais a Reuters teve acesso. A declaração deu um tom de que a empresa está decidida a se desfazer de projetos no país, um direcionamento que ainda não havia sido tornado público pela companhia.

Mesmo com as informações as quais se teve acesso, a empresa continua a garantir que os negócios no Brasil não serão encerrados. “Não é certo que a Abengoa está fechando as filiais latino-americanas. Atualmente, estamos imersos em um processo de reestruturação”, informa a companhia. A declaração indica que o momento é de definição e o futuro de todas as atividades permanece incerto.

Setor sucroenergético

Sobre os planos para o setor sucroenergético, a companhia deu a entender que está se movimentando para operar na safra 2016/17. Segundo alegou a Abengoa a representantes dos produtores das regiões onde está presente, os pagamentos deverão ser retomados em breve, de forma parcelada e se houver resíduos das contas atrasadas, eles serão pagos no decorrer da próxima safra, que tem início em abril deste ano.

A sinalização do grupo é para uma operação na safra muito mais enxuta. A estratégia inclui a possibilidade de diminuir a quantidade de cana processada, optando para os plantios mais próximos das usinas. Além disso, as contratações estão previstas, mas com diminuição no quadro funcional.

Outro ponto importante é que, agora, o Grupo Abengoa Brasil terá de sobreviver com os recursos gerados no Brasil, sem depender do capital que vinha da Espanha, por isso a decisão dos diretores da empresa no intuito enxugar os custos de produção e torná-la viável economicamente. Considerando os prejuízos financeiros anteriores, esta independência ganha ares de incredulidade.

Oficialmente a empresa informou que está “desenvolvendo um trabalho forte de reestruturação financeira, com o objetivo principal de saldar as dívidas com todos os nossos fornecedores”.

Vale registrar que, recentemente, a direção da Abegoa Brasil se reuniu com a prefeitura de Vargem Grande do Sul (SP) para descartar a possibilidade da venda da companhia e o encerramento das atividades. Disseram também ao prefeito que pretendiam dar continuidade aos trabalhos, depois de todos os investimentos que foram feitos nas usinas de São João e a de Pirassununga.

Ao NovaCana a divisão responsável pela Bioenergia da empresa foi taxativa: “não vamos parar nossas atividades no setor sucroenergético brasileiro".

Sobre o projeto de etanol celulósico, o braço sucroenergético parece disposto a evitar que os problemas do grupo afetem o trabalho já realizado. "Nossos projetos de etanol celulósico no Brasil seguem com seu cronograma de implantação, e continuamos trabalhando para colocar em operação antes de 2018 a nossa primeira usina de 2G da Abengoa São Luiz, em Pirassununga. Já investimos muito trabalho para conseguirmos implantar essa primeira unidade e não podemos deixar que essa situação delicada interfira."

Apesar do interesse e empenho da braço de bioenergia nacional, os problemas do grupo e o futuro da companhia só ficarão claros para o mercado em março de 2016, prazo máximo que a matriz da Abengoa tem para resolver a situação financeira ou, então, pedir falência. É durante esse período que se saberá quais são as diretrizes da companhia para suas diversas frentes de negócios diante de tamanho cenário de crise.

Marina Gallucci – NovaCana

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