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Cogeração da Albioma na Usina Rio Pardo cresce e empresa busca expansão

bioeletricidade 150914Dissociada produção açúcar etanol, cogeração Rio Pardo ganhos 2014

NovaCana 5 min de leitura

O grupo francês Albioma, que desembarcou no Brasil no ano passado após a compra, por R$ 137 milhões, de 100% da termelétrica Rio Pardo, pertencente à usina de mesmo nome, começa a colher os resultados de seu primeiro investimento no país.

Com um modelo de negócios voltado à cogeração a partir do bagaço da cana-de-açúcar e completamente dissociado da produção de açúcar e etanol, a UTE Rio Pardo registrou em 2014 um crescimento no volume de energia exportada à rede, preço médio superior ao das principais empresas do setor e maior eficiência na geração de energia.

A seguir os números da empresa que pretende investir R$ 1,3 bilhão em unidades de cogeração no Brasil e estabelecer um novo projeto de cogeração a cada 12 a 18 meses.

O grupo francês Albioma, que desembarcou no Brasil no ano passado após a compra, por R$ 137 milhões, de 100% da termelétrica Rio Pardo, pertencente à usina de mesmo nome, começa a colher os resultados de seu primeiro investimento no país.

Com um modelo de negócios voltado à cogeração a partir do bagaço da cana-de-açúcar e completamente dissociado da produção de açúcar e etanol, ao contrário do que ainda ocorre em boa parte do setor, a UTE Rio Pardo registrou em 2014 um crescimento de 31,2% no volume de energia exportada à rede, que subiu de 80 para 105 GWh (gigawatts).

A exportação de energia da Rio Pardo tem chamado a atenção dos acionistas franceses, que veem na unidade “uma prioridade internacional” para o grupo.

Embora a cana moída pela Rio Pardo em 2014 não tenha apresentado crescimento, mantendo-se em 1,8 milhão de toneladas, a UTE gerida pela Albioma obteve, indicadores de eficiência superiores aos registrados por tradicionais grupos sucroalcooleiros.

Os preços médios de venda de energia, por exemplo, estão muito acima da média registrada por gigantes como Raízen, Biosev e São Martinho.

Em 2014, a Rio Pardo obteve um preço médio de R$ 541/MWh, com cerca de 40% das vendas no ambiente de contração livre (ACR). Já companhias importantes como Raízen, Biosev e São Martinho reportaram no acumulado de nove meses de safra valores médios de R$272,7/MWh, R$215/MWh e R$ 289,3/MWh, respectivamente.

Vale lembrar que, mesmo que a cogeração destas três empresas cresça significativamente no último trimestre da safra 2014/15, de janeiro a março, o preço médio verificado no acumulado dos doze meses dificilmente será maior que o registrado pela termelétrica da Albioma, uma vez que a cogeração destas unidades sucroalcooleiras ocorre, via de regra, no período da safra de cana, de março a dezembro.

Sem depender das intempéries do clima, das políticas de preço da gasolina ou das oscilações do açúcar no mercado internacional – a única relação da Rio Pardo com o setor sucroalcooleiro é a entrega do bagaço, que é fornecido pela Usina Rio Pardo – a UTE também apresenta ganhos de produtividade, medidos pelo indicador kWh/ton, significativos.

No ano passado, este indicador subiu 30%, de 44 kWh/ton para 57 kWh/ton. Na Biosev, por exemplo, este número, no acumulado de março a dezembro da safra 2014/15, foi de 27,7 kWh/ton.

A ambição da Albioma, no entanto, é levar este indicador à casa dos 80 kWh/ton até 2016.

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Dissociado da produção de açúcar e etanol, este modelo de negócios vai, aos poucos, ganhando força no setor com a criação de sociedades de propósito específico (SPE), como no caso da Companhia Energética São Miguel dos Campos, da GranBio e a Caeté, ou através do desmembramento dos ativos de cogeração, como ocorreu recentemente com a Odebrecht Agro, que criou uma nova empresa, a Odebrecht Energia Renovável.

No caso da UTE Rio Pardo, outra vantagem é a cogeração no período de entressafra, algo ainda raro no modelo tradicional. Segundo a Albioma, a UTE Rio Pardo deverá, em breve, ser capaz de cogerar 11 meses por ano.


Vendas no mercado regulado

Em 2014, mais de 60% das vendas da Rio Pardo se concentraram no mercado regulado, mas nos próximos dois anos esse índice deverá ser reduzido para menos de 50%, com o mercado spot representando quase metade da produção vendida. Os preços médios previstos para a energia contratada a longo prazo é de R$ 370/MWh em 2015 e 190/MWh em 2016.

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Segundo a companhia, “o objetivo é segurar parte das vendas no mercado regulado por um período de 20 anos”. A meta para o projeto é conseguir preços de pelo menos R$ 130 a R$ 150/MWh.

Novos projetos

Ao apresentar seus resultados financeiros de 2014 na semana passada, a Albioma confirmou, mais uma vez, planos de investimentos de R$ 1,3 bilhão (€ 400 milhões) em unidades de cogeração no Brasil.

Também foi confirmada a meta de estabelecer um novo projeto de cogeração a cada 12 a 18 meses.
Com potência instalada de 60 megawatts (MW) e garantia física de 20 MW, a UTE Rio Pardo tem, ainda, a possibilidade de vender 40% do negócio à Usina Rio Pardo, que fornece o bagaço.

Em 2014, a UTE Rio Pardo gerou receitas de R$ 59,8 milhões (€18,2 milhões) e EBTIDA de R$ 40,8 milhões (€12 milhões).

Leonardo Siqueira – NovaCana

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