Usinas

Usinas

Chinesa Cofco e brasileira CMAA querem comprar usina Revati, da indiana Renuka [atualizada]


Reuters - Publicado: 02 Ago 2017 - 10:22 | Atualizado: 03 Ago 2017 - 11:15

Atualizado (01/08, às 14h): O texto original foi substituído por uma versão mais completa, incluindo informações sobre as companhias envolvidas e o histórico de leilões da Renuka do Brasil.

Atualizado (02/08, às 10h20): Foram incluídos dados da Reuters sobre outro leilões realizados pelo setor sucroenergético. Também foram acrescentadas informações noticiadas pelo Valor Econômico sobre o processo de realização do leilão, a existência de outros interessados na Usina Revato e o antigo interesse da Cofco na Usina Madhu, também da Renuka.

A Cofco Brasil e a Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA) manifestaram à Justiça interesse em participar do leilão da usina Revati, da Renuka do Brasil, em recuperação judicial, de acordo com petições dessas empresas vistas pela Reuters nesta terça-feira. Conforme o Valor Econômico, também há outras duas empresas que estão avaliando as instalações da planta e os canaviais e a expectativa da Renuka é que ao menos uma delas apresente pedido de habilitação para participar do trâmite.

O leilão do complexo industrial como uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), ou seja, sem pendências para o comprador, está previsto para 4 de setembro, e os grupos interessados têm até 10 de agosto para requerer acesso ao pregão. O pedido de habilitação não significa que essas empresas têm que apresentar lances, entretanto, esse é um procedimento necessário para que elas possam participar da disputa.

Se a venda for bem-sucedida, será o terceiro negócio de usinas de cana por meio de leilões judiciais em menos de um ano, conforme players com melhor estrutura de capital buscam ativos de rivais endividados.

A Glencore comprou a usina Guararapes em novembro do grupo Unialco. A Raízen Energia, uma joint venture entre a Cosan e a Royal Dutch Shell, fez em junho a aquisição de duas usinas da Tonon Bioenergia, por 823 milhões de reais.

A venda da usina da Renuka, localizada em Brejo Alegre (SP) e com capacidade instalada para moer 4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, faz parte do processo de recuperação judicial da empresa, aprovado em maio pelos credores.

Com dívida de aproximadamente 2,7 bilhões de reais, a Renuka do Brasil está em recuperação judicial desde outubro de 2015.

A CMAA controla as unidades Vale do Tijuco e Vale do Pontal, ambas no Triângulo Mineiro. Juntas, as usinas podem moer em torno de 5 milhões de toneladas de cana por temporada.

Já a Cofco Brasil, da chinesa Cofco, possui quatro usinas de cana no Estado de São Paulo, com capacidade conjunta para processar 15 milhões de toneladas por ano.

Vale lembrar que essa não é a primeira vez que a Cofco se interessa por uma usina da Renuka. De acordo com o Valor Econômico, quando a indiana tentou leiloar sua outra unidade, a Madhu, em Promissão (SP), a chinesa chegou a avaliar o negócio, mas desistiu por causa da falta de cana disponível e do preço considerado alto pedido no leilão. O lance mínimo era de R$ 700 milhões, para uma capacidade instalada para processar cerca de 6 milhões de toneladas por safra.

Na ocasião, o diretor global de açúcar da Cofco Agri, Marcelo Andrade, afirmou que o objetivo no curto prazo seria preencher a capacidade das unidades que a empresa já controlava.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Cofco Brasil disse que não comentaria o assunto.

Já a CMAA e a Renuka não se manifestaram.

Renuka

A Renuka do Brasil é subsidiária da indiana Shree Renuka Sugars, que iniciou investimentos no país em 2010 e foi atingida juntamente com o restante do setor por baixos preços do açúcar e pelo controle de preços de combustíveis que vigorou em governos anteriores.

No ano passado, os credores chegaram a aprovar um plano que previa a venda da outra usina da empresa, a Madhu, em Promissão (SP). A unidade foi a leilão em dezembro por 700 milhões de reais, mas não atraiu interessados.

O segundo pregão, com lances livres, em janeiro deste ano, foi suspenso a pedido do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Desde então, a companhia vinha tentando marcar outras assembleias para tratar da situação da empresa, inclusive com uma proposta de leilão da Revati, a qual se concretizou em maio e que, agora, começa a atrair interessados.

Debate sobre fusões e aquisições em São Paulo

As fusões e aquisições no setor sucroenergético – incluindo a evolução das negociações, os fatores que travam as negociações e as avaliações em reais por tonelada – fazem parte das discussões do NovaCana Ethanol Conference, evento que acontece em São Paulo (SP) nos dias 25 e 26 de setembro.

NEC2017 fusoes aquisicoes

José Roberto Gomes e Marcelo Teixeira
Com informações adicionais do Valor Econômico e edição novaCana.com