O superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Lucchi, avaliou há pouco que não haverá muita margem para aumento de preços em virtude da demanda mundial contraída. Ele citou que, este ano, além dos grãos, outro setor que se beneficiou da alta do dólar foi o sucroenergético. Isso porque houve incremento da Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e o retorno do PIS/Cofins.
“Então, o controle no preço da gasolina feito desde 2010 começou a ser retirado este ano e proporcionou retorno da competitividade do etanol”, disse. Esse fenômeno fez com que houvesse ampliação das cotações do etanol, junto com o açúcar. Além do câmbio, o açúcar foi influenciado também pela oferta mundial. “Esperamos recomposição das margens desse segmento”, disse.
O técnico da CNA ressaltou que em 2015 houve demora da liberação do crédito para pré-custeio da safra 2015/16, o que atrapalhou a produção doméstica. Para o ano que vem, há expectativa ainda de aumento do Valor Bruto da Produção (VBP) mas, ao contrário do que ocorreu este ano, a elevação deve ser puxada mais por agricultura do que pela pecuária.
Lucchi disse também que o setor ajudou a amenizar o resultado negativo do Produto Interno Bruto (PIB) do País. “O PIB do agronegócio deve ficar estável ou cair menos e o setor que vai mais crescer dentro do agronegócio é o de insumos”, considerou. Para ele, o baque do desemprego promete ser forte no próximo ano para o setor e, com a inflação ainda alta, produtos de maior valor agregado, como queijos, carnes, iogurtes e algumas frutas podem sofrer com o menor poder de compra da população.
O superintende comentou, ainda, que o El Niño atual é um dos piores para o setor. “Ele já foi chamado de Bruce Lee e agora, de monstro”, ilustrou. Para ele, o dólar pode continuar sendo uma vantagem competitiva, mas, em compensação, os custos serão mais absorvidos. “Por último, esperamos fim do impasse político para que Brasil recupere seu crescimento”, concluiu.