O câmbio e o clima no Centro-Sul do Brasil devem continuar como foco das atenções para o mercado futuro de açúcar demerara nesta semana. Os desdobramentos da política interna deixam a tendência para a moeda norte-americana incerta. Ao mesmo tempo, uma nova frente fria chega à principal região produtora do País, podendo atrasar ainda mais a colheita de cana. No geral, a tendência é de alta para os contratos na Bolsa de Nova York (ICE Futures US).
Na sexta-feira, o dólar voltou a se enfraquecer ante o real, para R$ 3,7675 (-1,12%), enquanto o Ibovespa avançou 4,01%. A divisa refletiu o avanço da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para prestar depoimento no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. No ano, a moeda norte-americana já acumula perdas de 4,86%, tornando a exportação brasileira menos atrativa.
Quanto ao clima, está no radar dos participantes a chegada de outra frente fria ao Centro-Sul - e isso após uma semana de precipitações volumosas. De acordo com a Climatempo, os acumulados previstos pelo menos até o dia 11 podem chegar a 100 mm em São Paulo e Minas Gerais. A umidade levanta temores quanto à safra 2016/17, que já começa com quase 20 milhões de toneladas de cana bisada.
Entre outros fatores, o mercado também acompanha a demanda. Após o impulso dado pela entrega contra a tela de março, a procura pelo alimento pode ter "esfriado" no final da semana passada devido à alta das cotações, segundo alguns agentes. Tanto que os futuros tentaram, mas não conseguiram romper a importante resistência de 15 cents por libra-peso, respeitada desde 4 de dezembro.
Maio recuou 1 ponto (0,07%) e terminou sexta-feira em 14,83 cents/lb, com máxima no dia de 14,93 cents/lb (mais 9 pontos) e mínima de 14,67 cents/lb (menos 17 pontos). Julho subiu 3 pontos (0,20%) e encerrou em 14,70 cents/lb. Na semana, acumularam valorizações de 5,92% (mais 83 pontos) e de 5,75% (mais 80 pontos), respectivamente.



O spread maio/julho, que iniciara a semana passada em 10 pontos, fechou sexta-feira em 13 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.
E pelo mais recente relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), fundos elevaram o saldo comprado em açúcar em 31.160 lotes na semana encerrada em 1º de março. A posição passou de 21.081 para 52.241 lotes.
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) fechou a sexta-feira em R$ 78,45/saca, baixa de 0,20%. Em dólar, ficou em US$ 20,81 (+0,97%).
