Milho

Milho

Clima adverso para a safrinha de milho faz preços subirem no Brasil


Notícias Agrícolas - Publicado: 20 Jul 2021 - 07:30 | Atualizado: 20 Jul 2021 - 11:22

O clima adverso para o milho no Brasil voltou a puxar os preços do cereal na B3 neste início de semana. Os futuros do milho negociados na bolsa brasileira subiram mais de 1% depois de novas geadas serem registradas em regiões produtoras, voltando a prejudicar as lavouras. As perdas ainda estão sendo contabilizadas, porém, a oferta já está bastante ajustada e o episódio veio somente como uma forma de intensificar as preocupações.

“O efeito para o milho na B3 vem pelo reporte de alguns clientes de geadas na região Sul do estado de São Paulo. Clientes do Sul e Sudoeste paulistas reportaram a ocorrência do evento em suas lavouras de milho, que se encontram em fase de enchimento de grãos”, reportou a Agrinvest Commodities nesta segunda-feira, 19.

Ao Notícias Agrícolas, produtores rurais de cidades do Paraná também registraram a ocorrência das intempéries. Em municípios como Primeiro de Maio, o relato é de que estas geadas foram piores do que as observadas na primeira semana de julho.

O quadro também se deu em Ibiporã, também no norte paranaense. “Geada severa, resta saber o grau do estrago. Nas hortaliças e no que havia sobrado do milho, com certeza ela afetou muito. O trigo em fase de risco também”, afirma o produtor rural Ricardo Ferreira.

No sul e sudeste do estado, o cenário não foi diferente. Em Coronel Vivida, segundo o produtor Hélio de Carli, a temperatura chegou a -1°C. “[A geada] atingiu todo o milho safrinha, que já estava comprometido, e as pastagens em geral continuam sofrendo. Atualmente, a cultura que está sofrendo é o trigo, que já está em fase de alongamento”. Ainda de acordo com Carli, as perdas em Coronel Vivida são superiores a 60% em função das primeiras geadas, no começo do mês.

Os prejuízos ainda não podiam ser completamente contabilizados porque mais geadas estavam previstas para a madrugada de terça-feira, 20. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), elas devem ter intensidade de forte a moderada no Sul do Brasil, trazendo ainda mais tensão aos produtores rurais.

As temperaturas devem começar a subir apenas na sexta-feira, 23, e até lá, todo o país continua com tempo muito seco. De acordo com o modelo de previsão de temperatura, as temperaturas mínimas devem ficar entre 4°C e 6°C em boa parte do Centro-Sul do Brasil.

Além da preocupação com o clima para a conclusão da safrinha, a colheita no Brasil segue se desenvolvendo de forma lenta, mantendo limitada a oferta disponível do grão no país. E assim, segue lento o ritmo de novos negócios no mercado nacional.

Um levantamento da AgRural mostra que 30% da área cultivada na região estava colhida até quinta-feira, 15, contra 20% uma semana antes. “O atraso no plantio e as temperaturas mais amenas, que têm dificultado a perda de umidade dos grãos no Paraná e em Mato Grosso do Sul, onde os trabalhos ainda são muito incipientes, mantêm o ritmo bem atrás dos 43% do mesmo período do ano passado", explica a consultoria, em nota.

Para completar, uma nova disparada do dólar frente ao real também ajudou na valorização do milho no Brasil nesta segunda-feira. A moeda americana registra um ganho de quase 3% frente à brasileira para voltar a encostar nos R$ 5,25.

Assim, os preços do cereal também subiram no interior do Brasil, como em Tangará da Serra (MT), levando a referência a R$ 80 por saca, ou em Cascavel (PR), onde o indicativo teve alta de 1,1% para R$ 93. O valor com base em Campinas (SP) teve estabilidade nos R$ 100 por saca.

“Com o baixo estoque da produção de verão e as preocupações com a produtividade das lavouras de segunda safra que estão sendo colhidas, produtores seguem limitado a oferta de milho no mercado à vista nacional e priorizando as entregas dos lotes negociados antecipadamente. No geral, segundo pesquisadores do Cepea, os negócios no mercado à vista são pontuais, ocorrendo de acordo com a necessidade de compradores, que precisam ceder aos preços pedidos por vendedores”, informou o Cepea nesta segunda-feira.

Bolsa de Chicago

Na bolsa de Chicago, os futuros do cereal terminaram o dia com estabilidade e marcando apenas ligeiras altas de 0,25 a 0,5 ponto, levando o contrato setembro a US$ 5,56 e o dezembro, referência para a safra americana, a US$ 5,52 por bushel.

O mercado acompanhou de perto a baixa generalizada das commodities nesta segunda-feira, contaminadas pela intensa aversão ao risco. Porém, de outro lado, os futuros encontraram suporte nas adversidades climáticas que continuam a ser sentidas no Meio-Oeste americano e que, neste momento, podem ser bastante agressivas para o milho.

As previsões seguem indicando temperaturas elevadas para as próximas semanas, ficando acima da média em importantes regiões produtoras, além de chuvas aquém da normalidade.

Carla Mendes

Tags:Milho