Açúcar: Mercado

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Clima adverso no Brasil deve manter mercado de açúcar sustentado


Agência Estado - Publicado: 24 Nov 2015 - 10:45

O mercado futuro de açúcar demerara deu sequência ontem aos ganhos da semana passada. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) os contratos mostram inclinação positiva, diante de possíveis atrasos na moagem de cana-de-açúcar provocados pelo clima chuvoso no Centro-Sul do Brasil.

O clima adverso no Centro-Sul, principal centro produtor de cana do mundo, provoca incertezas com relação ao avanço da moagem da matéria-prima. A expectativa é de colheita entre 595 milhões e 600 milhões de toneladas. "Previsões climáticas dão conta de que a região terá muita chuva no fim do ano. Isso quer dizer que aquele volume de cana que muita gente aposta que ainda será moído pode não se concretizar", informa o diretor da consultoria Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, acrescentando que essa situação deve manter o mercado volátil.

O Banco Pine divulgou projeção para a moagem de cana no Centro-Sul do Brasil, na primeira quinzena de novembro, que deverá ser apresentada pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) nos próximos dias. O Pine estima moagem de cerca de 25,4 milhões de t, na quinzena, que foi prejudicada pela maior incidência de chuvas. A produção de açúcar deverá alcançar 1,24 milhão de t, enquanto a fabricação de etanol deve atingir 1,24 bilhão de litros, dos quais 480 milhões de litros de anidro e 760 milhões de litros de hidratado.

Os fundos de investimento continuam apostando em alta dos futuros de demerara em Nova York, embora tenham reduzido a posição na semana encerrada em 17 de novembro. Conforme o relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), os fundos e especuladores diminuíram o saldo líquido comprado de 180.977 lotes no dia 10 de novembro para 176.738 lotes.

De acordo com Luiz Corrêa, os fundos não devem liquidar significativamente suas posições compradas até o fim do ano, para poder mostrar em seu portfólio um ganho substancial no açúcar. "Se vão manter a posição depois da virada do ano é uma outra história", pondera.

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Os fundamentos do mercado futuro de açúcar, embora construtivos no médio e longo prazos, não encontram nesse momento respaldo no mundo real, observa Corrêa. Isso porque o petróleo é negociado a cerca de 40 dólares o barril, nível mais baixo desde agosto passado; os descontos para o açúcar no mercado físico invalidam a firmeza aparente dos futuros e a não aprovação da Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico (Cide) na virada do ano dificultam a situação financeira das usinas.

Além disso, o diretor da Archer ressalta que algumas usinas ainda estão atrasadas em suas fixações de preço para o início de 2016. Se elas decidirem definir o valor ao mesmo tempo, as cotações podem registrar exagerada queda.

Os participantes do mercado continuam monitorando notícias sobre o setor na Índia. O governo daquele país anunciou que irá conceder subsídios aos produtores de cana-de-açúcar de 45 rupias por tonelada produzida, equivalente a US$ 0,68/t. A expectativa é ajudar as usinas a reduzirem os custos de produção, o que pode elevar a competitividade de açúcar indiano no mercado internacional. Em setembro, o governo da Índia estipulou meta de exportação de 4 milhões de toneladas de açúcar na temporada 2015/16, com objetivo de reduzir os estoques domésticos.

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou a R$ 77,52/saca (+0,18%). Em dólar, o preço ficou em US$ 20,77/saca (+0,44%).