Investimento

Investimento

Clealco propõe compra, por R$ 97,6 milhões, da usina Campestre


Valor Econômico - Publicado: 06 Ago 2013 - 16:50 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00
O grupo sucroalcooleiro paulista Clealco, que faturou no ciclo passado R$ 770 milhões, fez uma proposta de compra, por R$ 97,650 milhões, da usina Campestre, de Penápolis (SP), em recuperação desde 2009.

O interesse se deve ao fato de uma das usinas do grupo estar localizada a 40 quilômetros da Campestre, o que traz uma importante sinergia ao grupo, segundo o diretor superintendente da Clealco, José Antônio Júnior.

A proposta entregue pela Clealco é de que a aquisição da usina vizinha seja feita na modalidade Unidade Produtora Isolada (UPI), que consiste basicamente em repassar todos os ativos (parque industrial, licenças e contratos com fornecedores) para uma outra empresa, sem as dívidas vindas da recuperação judicial, atualmente na casa dos R$ 530 milhões, explica o advogado que exerce a função de administrador judicial do processo, Ely de Oliveira Faria.

Após a formação da UPI, a mesma seria leiloada em oferta pública. A proposta da Clealco será avaliada amanhã em Assembleia de Credores da Campestre, conforme determinação judicial. A reunião ocorrerá às 10h no clube Lago Azul, em Penápolis.

O grupo Clealco tem três usinas que somam capacidade de moagem de 9 milhões de toneladas de cana por safra.

A Campestre, que tem capacidade para processar até 1,8 milhão de toneladas de cana por safra, está em atraso no pagamento de credores desde o fim do ano passado e, com fornecedores de cana, desde dezembro de 2012. As dificuldades da empresa se agravaram com a liminar que vigora neste ano que proíbe a queima de cana na região. Esse cenário aumentou os custos da empresa, que está tendo uma receita baixa com a venda de açúcar, cujos preços estão em queda.

O grupo Clealco informou ainda por meio de nota que, além dos R$ 97,650 milhões que se propôs a pagar pelos ativos da usina Campestre, a empresa também pretende realizar investimentos e injetar capital de giro que devem significar um investimento adicional de R$ 160 milhões.

Em torno de R$ 66 milhões devem ser investidos para elevar a capacidade de moagem da Campestre, defasada com a crise financeira que se arrasta há anos na unidade. Haverá ainda a necessidade de injetar capital de giro de aproximadamente R$ 100 milhões em cinco anos para estabilizar o caixa da empresa.

Assim, segundo comunicado do grupo Clealco, o montante total envolvido na operação de retomada da Campestre, considerando aquisição, investimento e capital de giro, chegaria a cerca de R$ 263,658 milhões.

Fabiana Batista