Cientistas da Universidade de Stanford, na Califórnia, Estados Unidos, dizem ter desenvolvido um processo único e inovador para a fabricação de etanol líquido que não depende de milho, cana de açúcar, nem qualquer outra matéria-prima tradicionalmente envolvida no processo.
Os pesquisadores divulgaram sua descoberta na mais recente edição online da revista "Nature". No texto, os cientistas contam que, daqui a menos de três anos, eles esperam ter um protótipo pronto para produzir biocombustível utilizando como ingrediente nada mais do que água e monóxido de carbono (CO), facilmente derivado do dióxido de carbono (CO2).
"Nós descobrimos o primeiro metal catalisador que é capaz de produzir quantidades consideráveis de etanol a partir do monóxido de carbono em condições de temperatura e pressão ambiente, uma reação eletroquímica notoriamente difícil", escreveu Matthew Kanan, um dos autores do relatório divulgado esta semana.
Os cientistas admitem que ainda falta um caminho a ser percorrido até o desenvolvimento do tal protótipo, mas acreditam estar na trilha certa para alcançar o objetivo. Segundo a equipe trabalhando diretamente na questão, a nova forma de fazer etanol tem potencial de proporcionar às pessoas um novo biocombustível, menos caro, que poderia reformular completamente o setor energético atual.
"Eu enfatizo que estes são apenas experimentos de laboratório, nós não construímos um aparelho", ressalta Kanan. "Mas isso demonstra a viabilidade da utilização de energia elétrica de uma fonte de energia renovável para a produção de combustível – neste caso, o etanol. E existem diversas vantagens reais para fazer isso em vez de utilizar biomassa para produção de etanol".
Os pesquisadores dizem que o biocombustível seria gerado usando um dispositivo de alta tecnologia ainda em desenvolvimento que utiliza dois eletrodos, incluindo um derivado de óxido de cobre, para converter a matéria-prima em combustível. "A conversão eletroquímica de CO2 e H2O em combustível líquido é ideal para o armazenamento de energia renovável de alta densidade e poderia constituir um incentivo para a captura de CO2", escrevem os autores.
"Antes do nosso estudo, havia uma sensação de que nenhum catalisador poderia reduzir de maneira eficaz o monóxido de carbono em um líquido. Nós vimos uma solução para este problema ao utilizar o cobre, que é barato e abundante", acrescentam. "Esperamos que nossos resultados inspirem outras pessoas a trabalhar em nosso sistema ou a desenvolver um novo catalisador que converte o monóxido de carbono em combustível".
Mais informações sobre a pesquisa:- Stanford University-
Nature