Os futuros de açúcar demerara fecharam em alta ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Chuvas acima do esperado em áreas produtoras de São Paulo deram algum alento às cotações, mas nada capaz de alterar o viés negativo que persiste no curto prazo. Tanto é que os contratos mal conseguiram testar a resistência de 13,50 cents por libra-peso, tendo por base maio.
Foram relatadas precipitações fortes, de até 50 mm, em municípios como Araras, Bauru, Piracicaba e Pirassununga na segunda-feira (15). Ontem, porém, o tempo voltou a ficar firme, e o atraso nos trabalhos de colheita pôde ser mitigado. A Climatempo prevê que as chuvas perderão força a partir de agora e, do dia 19 em diante, ficarão ainda mais irregulares, favorecendo a safra no principal Estado produtor do Centro-Sul.
No geral, contudo, sobram informações baixistas. Nesta terça-feira, o dólar voltou a superar os R$ 4, o que tende a pressionar os futuros hoje. A divisa fechou em R$ 4,0707 (+1,83%). Os preços também podem refletir as perspectivas que começam a ser traçadas para a temporada 2016/17. Ontem, por exemplo, a INTL FCStone estimou processamento 3,2% maior para o ciclo que se inicia em abril, com 619 milhões de toneladas. A produção de açúcar deve aumentar em mais de 10%, para 34 milhões de toneladas.
Nos gráficos, nenhuma alteração: suporte em 13 cents/lb e resistência em 13,50 cents/lb.
Ontem, março subiu 7 pontos (0,53%) e fechou em 13,22 cents/lb. Os lotes para maio avançaram 8 pontos (0,61%) e terminaram em 13,20 cents/lb, com máxima no dia de 13,40 cents/lb (mais 28 pontos) e mínima de 13,01 cents/lb (menos 11 pontos). O spread março/maio variou de 3 para 2 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela. Para analistas, o corte no saldo comprado por fundos também deu algum suporte.


Nos portos brasileiros, o total de navios que aguardam para embarcar açúcar caiu de 21 para 18 na semana encerrada quarta-feira passada (10), segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 21 de fevereiro.
Foi agendado o carregamento de 667,32 mil toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos (SP), de onde sairão 521,57 mil t, ou 78% do total. Paranaguá responderá por 19% (124,35 mil t); e Suape, por 3% (21,40 mil t).
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a terça-feira em R$ 81,37/saca, baixa de 0,01% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,02/saca (-1,81%).
