Os futuros de açúcar demerara voltaram a avançar com força ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Apesar de a entrega contra a tela de março já ter sido assimilada pelo mercado, participantes atentaram para as chuvas em excesso no Centro-Sul do Brasil. Refletindo esse clima desfavorável à colheita, os contratos tiveram fôlego inclusive para romper a resistência de 14,50 cents por libra-peso, patamar que se tornou suporte e que deve se manter no curto prazo.
A expectativa era de que as chuvas diminuíssem de intensidade nesta quarta-feira na principal região produtora do País, mas não foi o que se viu. No Estado de São Paulo em particular, as precipitações foram volumosas ontem, incluindo áreas de Piracicaba e Ribeirão Preto. De acordo com a Climatempo, o Sol só volta a aparecer no fim de semana.
Ao Broadcast Agro, o presidente da consultoria Datagro, Plinio, Nastari, comentou que a umidade neste início de março "gera preocupação" quanto à safra 2016/17 no Centro-Sul. Isso porque muitas usinas tinham planejado começar os trabalhos de campo já neste mês para dar conta de processar a cana bisada - cronograma este que pode ter sido afetado. A rigor, as atividades na região se iniciam, oficialmente, em abril.
Paralelamente, merece destaque o câmbio. O dólar se depreciou de novo ante o real, desestimulando exportações brasileiras. A moeda norte-americana fechou ontem em R$ 3,8909, com queda de 1,35%. No ano, já acumula desvalorização de quase 2%.
Ontem, maio avançou 28 pontos (1,95%) e terminou em 14,67 cents/lb, com máxima no dia de 14,69 cents/lb (mais 30 pontos) e mínima de 14,30 cents/lb (menos 9 pontos). Julho subiu 23 pontos (1,61%) e encerrou em 14,48 cents/lb. O spread maio/julho variou de 14 para 19 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.


Nos portos brasileiros, o total de navios que aguardam para embarcar açúcar diminuiu de 22 para 18 na semana encerrada ontem, segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 17 de março.
Foi agendado o carregamento de 633,45 mil toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos (SP), de onde sairão 543,45 mil t, ou 86% do total. Paranaguá responderá pelos 14% restantes (90 mil t).
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) fechou a quarta-feira em R$ 78,89/saca, baixa de 0,13% ante sexta. Em dólar, ficou em US$ 20,27 (+1,20%).
