Os futuros de açúcar demerara confirmaram as expectativas e buscaram os 19 cents por libra-peso ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), renovando máximas em dois anos e meio. Os contratos, contudo, devolveram os ganhos ao longo da sessão e terminaram perto da estabilidade, num sinal de embolso de lucros após o rompimento de tal patamar. Só que a tendência para os contratos ainda é de firmeza, com viés de alta, já que as chuvas no Centro-Sul do Brasil não dão trégua.

Pela previsão, as precipitações tendem a ocorrer em São Paulo pelo menos até hoje. No interior do Estado, que responde por 60% da safra nacional, os relatos de trabalhos interrompidos se multiplicam. Conforme o Société Générale, na parte sul do território paulista choveu nos últimos 30 dias até 200% mais que a média histórica.
"A movimentação do spread mostra preocupação de que não haja a quantidade de açúcar que o mercado esperava para agora, seja em função do atraso nos embarques pelos portos do Centro-Sul, seja pela quantidade de chuva volumosa que se estima para as próximas semanas com reflexo negativo na moagem", escreveu Arnaldo Luiz Corrêa, da Archer Consulting, em relatório semanal.
De fato, a diferença entre as telas de julho e outubro, que chegou a marcar 38 pontos em abril, caiu para 2 pontos na semana passada e fechou ontem em 9 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela. Julho subiu 3 pontos (0,16%) e encerrou a segunda-feira em 18,78 cents/lb, com máxima no dia de 19,42 cents/lb (mais 67 pontos) e mínima de 18,68 cents/lb (menos 7 pontos). Outubro avançou 9 pontos (0,48%) e terminou em 18,87 cents/lb. A moeda norte-americana cedeu 0,96%, para R$ 3,4913, e também contribuiu para a sustentação.


Na avaliação de Michael McDougall, diretor no Société Générale, o mercado está sobrecomprado e sujeito a alguma correção no curto prazo. "Se as chuvas diminuíram após terça-feira, podemos observar um recuo", comentou à Dow Jones Newswires. No dia 31 de maio, fundos e especuladores detinham um saldo comprado recorde de 298.931 lotes.
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) fechou a segunda-feira em R$ 79,85/saca (+1,08%). Em dólar, ficou em US$ 22,86/saca (+2,05%).
Segundo o centro de estudos, o receio de que a colheita da cana seja comprometida pelo longo período de chuvas no Estado de São Paulo fez o preço do açúcar cristal subir e se aproximar dos R$ 80 por saca, maior patamar desde fevereiro. Mesmo assim, o valor oferecido pelos compradores externos segue dando vantagem à exportação.
Conforme o Cepea, na semana passada as vendas externas remuneraram 5,17% mais que as negociações do cristal no spot paulista. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 77,79 por saca, as cotações do contrato para julho na Bolsa de Nova York equivaleriam a R$ 81,81 por saca.
