A corrida global pelo etanol de segunda geração (2G) ganha novos contornos com a construção de uma nova planta na China, que será a maior do mundo e contará com a parceria da Novozymes e a Beta Renewables.
Com investimentos de U$325 milhões (R$ 732 milhões), a nova usina será construída e operada pela Anhui M&G Guozhen Green Refinery CO, uma joint venture criada pela M&G Chemicals e a chinesa Anhui Guozhen Co, que deterão 70 e 30% do novo negócio, respectivamente.
Segundo a M&G Chemicals, do grupo italiano Mossi Ghisolfi, a nova unidade terá capacidade para produzir aproximadamente 235 milhões de litros de etanol celulósico por ano, número quase três vezes superior à capacidade projetada para a usina da GranBio, em Alagoas.
A M&G não deu detalhes sobre a nova usina, mas informou ao novaCana que ela ficará pronta "até o final de 2016" e usará resíduos da agricultura como "palha de milho, palha, etc". "As matérias-primas ainda serão definidas", adiantou a M&G por email.
A unidade será construída na cidade de Fuyang, na China, e processará entre 970 mil e 1,3 milhão de toneladas de biomassa por ano.
A chinesa Guozhen fornecerá a biomassa à nova usina por meio de um contrato de fornecimento de longo prazo, regido por "preços fixos", enquanto a dinamarquesa Novozymes fornecerá as enzimas para a conversão da matéria-prima.
Com a nova usina chinesa, a Beta Renewables, joint venture entre a Biochemtex, do grupo italiano Mossi Ghisolfi, o fundo americano TPG e a Novozymes, passa a assumir seu quarto projeto de etanol celulósico no mundo.
Dona da primeira usina 2G do planeta, inaugurada em Crescentino, na Itália, a empresa licenciará à nova planta a tecnologia Proesa, que permite a quebra dos açúcares da biomassa para a fabricação do etanol 2G e de outros bioprodutos.
No Brasil, esta mesma tecnologia foi licenciada pela GranBio, e parece ser a solução que mais ganha terreno nos projetos 2G ao redor do globo.
A usina de Crescentino, na Itália, usa a palha de arroz e de trigo para fabricar o biocombustível, além de um tipo de cana encontrado na região, conhecido como cana-do-reino ou cana gigante.
A unidade, que até então era a maior do planeta, tem capacidade para produzir 75 milhões de litros e consome, em média, 270 mil toneladas de matéria-prima por ano. Já a fábrica de etanol 2G da China terá capacidade para processar quatro vezes mais matéria-prima que a usina italiana.
A atuação das multinacionais reforça a consolidação do modelo de parcerias no mercado global de etanol 2G.
No Brasil, os dois principais projetos de etanol celulósico contam com parcerias internacionais.
O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), por exemplo, tem o apoio da consultoria finlandesa Pöyry e do grupo Andritz, que foi o fornecedor dos equipamentos de pré-tratamento para a planta 2G São Manoel.
Atualmente, o centro negocia com as fornecedoras de enzimas os insumos necessários para uma das principais etapas do processo de conversão da biomassa em etanol: a hidrólise enzimática.
A planta de demonstração São Manoel, que agora está em fase de comissionamento, produzirá 3 milhões de litros por ano e deverá operar em escala comercial a partir de 2016.
Já a GranBio, que estava prevista para iniciar suas operações em junho deste ano, conta com o apoio do BNDES, e de uma série de empresas, como a Beta Renewables, Chemtex, DSM, Novozymes e Grupo Carlos Lyra.
Mais informações sobre a parceria para construção da usina chinesa (em inglês).
Leonardo Siqueira – novaCana.com