Distante, confuso e fechado. Esse é o sentimento em relação ao mercado chinês de etanol. Mesmo tendo proporções continentais, conhece-se pouco sobre destinos do biocombustível no país
Distante, confuso e fechado. Esse é o sentimento em relação ao mercado chinês de etanol. Mesmo sendo um país de proporções continentais, conhece-se pouco sobre o que acontece com o biocombustível destinado para a nação mais populosa do mundo. O que se sabe, contudo, é que a importação de etanol apresentou um salto vigoroso em 2015.
Fontes exclusivas obtidas pelo NovaCana apontam que importações chinesas de etanol recentes podem não ter sido legais ou totalmente transparentes. Previsões sobre as importações futuras esbarram nas particularidades do mercado chinês.
Distante, confuso e fechado. Esse é o sentimento em relação ao mercado chinês de etanol. Mesmo sendo um país de proporções continentais, conhece-se pouco sobre o que acontece com o biocombustível destinado para a nação mais populosa do mundo. O que se sabe, contudo, é que a importação de etanol apresentou um salto vigoroso em 2015.
Fontes exclusivas obtidas pelo NovaCana apontam que importações recentes podem não ter sido legais ou totalmente transparentes. A China tem regulações que limitam o uso de produtos primariamente alimentícios – como o milho – para a produção de etanol. Influenciados pelos altos preços do milho no país e pelos baixos preços de etanol no resto do mundo, produtores chineses podem ter reduzido a fabricação de combustível e apelado para importações baratas ao visar suprir a demanda.
Isso fica mais claro quando são analisadas informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês). Elas mostram que, de 2014 para 2015, a importação de etanol na China cresceu quase 26 vezes. Isso também significa que as importações do ano passado chegam a um total superior ao volume importado de 2009 a 2014.
No ano passado, as compras de etanol pela China somaram 689,9 milhões de litros. Desses, 299,6 milhões eram provenientes dos Estados Unidos e pouco mais de 167 milhões saíram do Brasil.

Questionado sobre o motivo que levou o gigante asiático a aumentar vertiginosamente a compra de etanol, o diretor da divisão de análises de políticas globais do USDA, Paul Trupo, não soube dizer quais eram as motivações chinesas. Segundo ele, as políticas de importação do país não são claras, o que dificulta o acompanhamento. Ainda assim, ele falou na possibilidade de mudanças.
“Atualmente, a China está desenhando seu 13º plano de cinco anos sobre produção e utilização de etanol. É possível que venha uma mistura maior que a atual. Enquanto algumas províncias têm mandatos para E5 e E10, não dá para saber se as importações recentes são para combustível ou para a indústria”, declarou.
Cenário atual e a possibilidade de queda
Em janeiro e fevereiro deste ano, a China importou 145 milhões de litros de etanol dos Estados Unidos. Apesar de o número ser muito maior que no mesmo período de 2015, a quantidade importada em fevereiro deste ano é 3,3 vezes menor que o volume de janeiro.
Trupo reforça a falta de clareza do mercado e das políticas da China e não sabe dizer se houve de fato uma mudança nas diretrizes ou se o país estava apenas preenchendo uma demanda temporária.
Além disso, o governo chinês anunciou recentemente que deve suspender o programa de estoque de milho e cortar subsídios à produção do grão para alinhar os preços internos aos praticados no mercado internacional. Espera-se que essa medida, apesar de ruim para os exportadores de milho, faça com que a produção de etanol chinesa seja retomada, assim como os níveis anteriores de importação do biocombustível.
Jorge Mariano – NovaCana
