Cana: Plantio

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Cerca de 300 famílias do MST ocupam fazenda em Agudos, no interior de São Paulo


Brasil de Fato - Publicado: 15 Abr 2024 - 14:52 | Atualizado: 17 Abr 2024 - 12:10
Cerca de 300 famílias do MST ocupam fazenda em Agudos, no interior de São Paulo

O território ocupado foi arrendado pela União para a sucroenergética Zilor

Cerca de 300 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam a Fazenda Globo Suinã, localizada no município de Agudos (SP). O objetivo da ocupação é reivindicar que as terras públicas sejam destinadas para a criação de assentamentos para as famílias que estão acampadas na região há anos.

Segundo o MST, o local tem aproximadamente 850 hectares e faz parte do Núcleo Colonial Monções, que foi um conjunto de terras adquiridas pelo governo federal em 1909 para fins de colonização. O território ocupado é arrendado pela sucroenergética Zilor, que tem sede em Lençóis Paulista.

Ainda de acordo com o MST, “embora as terras do Núcleo Colonial Monções já tenham sido comprovadas como públicas e parte destinada para a formação do Assentamento Zumbi do Palmares, no município de Iaras, onde moram 437 famílias, ainda existem em torno de 40 mil hectares sendo grilados por empresas, inclusive estrangeiras”.

O Brasil de Fato solicitou um posicionamento para a Zilor. A empresa afirmou que a fazenda “possui casas de colônia e terras produtivas de cana-de-açúcar cultivadas por parceiros agrícolas” e que está em busca “de mais informações para esclarecer os fatos da referida ocupação”. Posteriomente, a empresa publicou uma nota em que contesta alguma das informações.

Segundo o MST, a ação faz parte do Abril Vermelho, uma jornada nacional de lutas realizada anualmente no mês em que, em 1996, aconteceu o Massacre do Eldorado do Carajás. Neste ano, o lema da jornada é “Ocupar para o Brasil alimentar”.

A ocupação em Agudos, assim como outras ações que o MST realiza nesta segunda-feira, 15, e ao longo da semana, ocorre no momento em que movimentos populares do campo criticam a insuficiência das políticas de reforma agrária por parte do governo federal.

Além de reivindicar maior orçamento voltado à área, o MST demanda a desburocratização do acesso de agricultores à crédito e políticas públicas e o assentamento de 65 mil famílias que vivem acampadas no país.

“São um ano e quatro meses de governo Lula. A gente avalia que o governo tem tomado várias iniciativas para o conjunto da população, mas para a questão agrária ainda está muito aquém”, ressalta Margarida Silva, da coordenação nacional do MST.

Caroline Oliveira