Embora agentes relatem que ainda haja um volume considerável de cana-de-açúcar da safra 2015/16 para ser colhido na região Centro-Sul neste que é oficialmente período de entressafra, as chuvas ocorridas nas principais áreas produtoras seguem limitando as atividades de moagem. Como resultado, a oferta de etanol continua relativamente pequena, o que vem sustentando o movimento de alta dos preços tanto do hidratado como do anidro. Além disso, parte das usinas programou as vendas ao longo da temporada, seja por questões financeiras ou por capacidade de armazenamento.
A valorização da última semana também esteve relacionada à demanda que, até terça-feira, 12, vinha se mantendo aquecida. Além da reposição dos estoques comercializados no fim de 2015, distribuidoras optaram por adiantar algumas aquisições, temendo novos aumentos nas cotações. Já de quarta-feira em diante, a demanda diminuiu, mas os preços ofertados seguiram firmes.
Entre 11 e 15 de janeiro, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado (estado de São Paulo) foi de R$ 1,8607/litro (sem impostos), aumento de 4,1% em relação ao da semana anterior. Para o anidro, a alta foi de 3,2% em igual comparativo, com o Indicador da última semana a R$ 2,0789/litro (sem impostos).
O Indicador diário do etanol hidratado Esalq/BM&FBovespa posto Paulínia subiu 3% ao serem comparadas as duas últimas sextas-feiras, fechando o dia 15 a R$ 1.806,00/m3.
Quanto à safra 2015/16, números da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) mostram que, de abril/15 a dezembro/15, a produção de etanol anidro e hidratado aumentou 4,9% comparativamente ao mesmo período de 2014, somando 27,2 bilhões de litros no Centro-Sul, volume recorde. A produção de hidratado estava na marca de 16,7 bilhões de litros (+10,9%) e a de anidro, de 10,5 bilhões de litros (-3,4%).
Nos postos, o preço médio do hidratado se mantém acima dos 70% do valor da gasolina em todos os estados brasileiros. Segundo informações da ANP referentes ao intervalo de 10 a 16 de janeiro, a cotação média do hidratado foi de R$ 2,576/l em São Paulo, correspondendo a 73,2% do valor do combustível fóssil (R$ 3,518/l).
Do ponto de vista das unidades produtoras de açúcar e etanol, cálculos do Cepea mostram que o açúcar cristal remunerou 35% a mais que o anidro e 42% a mais que o hidratado na semana passada. Comparando-se os dois tipos de etanol, o anidro remunerou 5% a mais que o hidratado.
O preço médio do etanol anidro que seria equivalente ao do açúcar cristal foi calculado em R$ 2,8078/litro (sem impostos) em igual intervalo. Para obter equiparação com o açúcar, o hidratado precisaria ter tido média de R$ 2,6425/litro (sem impostos) e, com o anidro, de R$ 1,9626/litro (sem impostos).
No mercado internacional, o contrato de etanol anidro combustível desnaturado (primeiro vencimento – Fevereiro/16), na Bolsa de Chicago (CME/CBOT), subiu 1,1% entre 8 e 15 de janeiro, com a média semanal a US$ 1,3258/galão (US$ 350,28/m3). Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato futuro de crude oil com vencimento em Fevereiro/16 teve média semanal de US$ 30,59/barril, forte baixa de 11,3% comparando-se as últimas duas sextas-feiras.