Os agentes do setor brasileiro de milho seguem atentos ao clima desfavorável à semeadura nos Estados Unidos e ao desenvolvimento das lavouras de segunda safra no Brasil, contexto que vem limitando a liquidez no mercado à vista nacional.
Segundo colaboradores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, parte dos consumidores relata ter estoques confortáveis, enquanto vendedores analisam a necessidade de realização de “caixa” e/ou de liberar espaços nos armazéns.
“Nos EUA, desde o início da temporada, as baixas temperaturas têm atrapalhado a semeadura, que está em ritmo lento frente ao esperado pelo mercado e também na comparação com o ano anterior”, avaliam, em nota.
Por enquanto, a produção norte-americana é estimada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 383,94 milhões de toneladas. “Caso a produtividade caia, diante de previsões de clima frio e úmido, a demanda pelo milho brasileiro pode crescer”, estimam os pesquisadores do Cepea.
Eles ainda lembram que outros importantes fornecedores do cereal, como Ucrânia e Argentina, também enfrentam problemas na atual temporada. “Na Ucrânia, além das interrupções dos embarques pelo Mar Negro, a semeadura prevista para abril e maio pode não acontecer da maneira ideal, devido às dificuldades no transporte de insumos”, detalham.
Já na Argentina, a Bolsa de Cereais estima que serão produzidas 49 milhões de toneladas em 2021/22, 3,5 milhões de toneladas a menos que na temporada anterior.
No Brasil, por sua vez, a semeadura da segunda safra foi finalizada e o desenvolvimento das lavouras está satisfatório na maior parte das regiões. “No entanto, produtores de algumas praças do Centro-Oeste estão em alerta, visto que não chove há mais de duas semanas na região”, completa o Cepea.