Os desinvestimentos para reduzir a capacidade de moagem de cana-de-açúcar da Raízen e ajudar na recuperação da endividada companhia vão continuar, enquanto a maior processadora global da matéria-prima do açúcar busca seu “tamanho ótimo” para voltar a ser a empresa mais eficiente do mercado, disse o CEO da empresa, Nelson Gomes, nesta terça-feira, 30.
Segundo ele, a companhia já vendeu ou desmobilizou quase 20 milhões de toneladas em capacidade de moagem de cana-de-açúcar, dentro de seu plano para reduzir o endividamento.
“Essa jornada continua, vai seguir de maneira ordenada e sem pressa”, disse Gomes, durante teleconferência para comentar os resultados trimestrais, divulgados na véspera.
A companhia, que está em processo de recuperação extrajudicial, processou 70,5 milhões de toneladas de cana no ano-safra 2025/26 encerrado em março, queda de 9,8% no comparativo anual.
“Vamos continuar nessa jornada (de venda de ativos), independentemente da velocidade que ela vai ter, porque ela vai ser acompanhada pelas oportunidades de mercado”, acrescentou ele.
Mesmo tendo vendido o equivalente em capacidade ao que dispõem as maiores companhias do setor, a Raízen ainda conta com 24 usinas.
Os desinvestimentos já realizados somaram R$ 12 bilhões, disse o executivo, lembrando que a companhia já recebeu R$ 5 bilhões.
A Raízen, também uma das maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil, deverá receber outros cerca de R$ 7 bilhões da venda dos ativos da Argentina até o final do ano-safra, comentou Gomes.
A empresa terminou a safra com uma dívida líquida de R$ 58,23 bilhões, aumento de 70% no comparativo anual. Já o prejuízo líquido do exercício no ano somou R$ 27,1 bilhão, contra R$ 4,18 bilhões um ano antes.

O processo de desalavancagem da companhia deverá ser fortalecido pelos desinvestimentos, que ocorrerão sem deteriorar o valor dos ativos, confirmou o CFO da Raízen, Lorival Luz.
A Raízen espera homologar o plano extrajudicial até setembro deste ano.
Ao ser questionado sobre a situação de caixa da companhia, Luz disse que essa não é uma preocupação da Raízen, uma vez que o plano de recuperação extrajudicial da empresa está em andamento.
Ele disse que o caixa da empresa está bem acima do que seria um mínimo para a gestão do dia a dia da operação.
No ano-safra 2025/26, com as vendas de ativos e outras ações de disciplina de capital, a Raízen reduziu em 27,7% os investimentos na comparação com o ciclo passado, para R$ 8,6 bilhões – e, em 2026/27, o capex deverá cair mais R$1 bilhão, disse o CEO.
“No capex, avançamos bastante no corte, reduzimos em pouco mais de R$ 3 bilhões o investimento nesta safra, quando comparado à safra passada, ficando inclusive abaixo do plano, e estamos estimando uma redução ainda adicional de mais R$ 1 bilhão para esta safra que a gente recém começou”, afirmou Gomes.

A redução do capex considera os desinvestimentos, mas também outras iniciativas, observaram os executivos.
Roberto Samora