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CEO da Raízen diz que vendas de usinas vão continuar, mas sem pressa


Reuters - Publicado: 30 Jun 2026 - 11:09 | Atualizado: 30 Jun 2026 - 14:24

Os desinvestimentos para reduzir a capacidade de moagem de cana-de-açúcar da Raízen e ajudar na recuperação da endividada companhia vão continuar, enquanto a maior processadora global da matéria-prima do açúcar busca seu “tamanho ótimo” para voltar a ser a empresa mais eficiente do mercado, disse o CEO da empresa, Nelson Gomes, nesta ‌terça-feira, 30.

Segundo ele, a companhia já vendeu ou desmobilizou quase 20 milhões de toneladas em capacidade de moagem de cana-de-açúcar, dentro de seu plano para reduzir o endividamento.

“Essa jornada continua, vai seguir de maneira ordenada e sem pressa”, disse Gomes, durante teleconferência para comentar os resultados trimestrais, divulgados na véspera.

A companhia, que está em processo de recuperação extrajudicial, processou 70,5 milhões de toneladas de cana no ano-safra 2025/26 encerrado em março, queda de 9,8% no comparativo ⁠anual.

“Vamos continuar nessa jornada (de venda de ativos), independentemente da velocidade que ela vai ter, porque ela vai ser acompanhada pelas oportunidades de mercado”, acrescentou ele.

Mesmo tendo vendido o equivalente em capacidade ao que dispõem as maiores companhias do setor, a Raízen ainda conta com 24 usinas.

Os desinvestimentos já realizados somaram R$ 12 bilhões, disse o executivo, lembrando que a companhia já recebeu R$ 5 bilhões.

A Raízen, também uma das maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil, deverá receber outros cerca de R$ 7 bilhões da venda dos ativos da Argentina até o final do ano-safra, comentou Gomes.

A empresa terminou a safra com uma dívida líquida de R$ 58,23 bilhões, aumento de 70% no comparativo anual. Já o prejuízo líquido do exercício no ano somou R$ 27,1 bilhão, ‌contra R$ 4,18 ⁠bilhões um ano antes.

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O processo de desalavancagem da companhia deverá ser fortalecido pelos desinvestimentos, que ocorrerão sem deteriorar o valor dos ativos, confirmou o CFO da Raízen, Lorival Luz.

A Raízen espera homologar o plano extrajudicial até setembro deste ano.

Ao ser questionado sobre a situação de caixa da companhia, Luz disse que essa não é uma preocupação da Raízen, uma vez que o plano de recuperação extrajudicial ⁠da empresa está em andamento.

Ele disse que o caixa da empresa está bem acima do que seria um mínimo para a gestão do dia a dia da operação.

Menos investimentos

No ano-safra 2025/26, com as vendas de ativos e outras ações de disciplina de capital, a Raízen ⁠reduziu em 27,7% os investimentos na comparação com o ciclo passado, para R$ 8,6 bilhões – e, em 2026/27, o capex deverá cair mais R$1 bilhão, disse o CEO.

“No capex, avançamos bastante no corte, reduzimos em pouco mais de R$ 3 bilhões o ⁠investimento nesta safra, quando comparado à safra passada, ficando inclusive abaixo do plano, e estamos estimando uma redução ainda adicional de mais R$ 1 bilhão para esta safra que a gente recém começou”, afirmou Gomes.

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A redução do capex considera os desinvestimentos, mas também outras iniciativas, observaram os executivos.

Roberto Samora